"Continuará a instituição Benfica acima da lei?" Hacker Rui Pinto reage à acusação do Ministério Público

Patrícia Pires , (atualizado às 18:44)
15 out 2024, 18:35
Rui Pinto em França (AP)

Um dos responsáveis pelo caso dos emails que culminou numa acusação conhecida esta terça-feira reagiu através da rede X

O Ministério Público pediu esta terça-feira a suspensão do Benfica das competições desportivas na sequência do caso dos emails, de acordo com o despacho da acusação a que a CNN Portugal teve acesso nesta terça-feira.

Recorde-se que a SAD do Benfica foi acusada pelo Ministério Público de crimes como corrupção ativa, oferta indevida de vantagem e fraude fiscal qualificada, no megaprocesso conhecido como caso dos emails. Neste despacho, Luís Filipe Vieira é acusado de vários crimes, por ter alegadamente sido o mentor de um esquema que teria como objetivo a subversão da verdade desportiva pelo controlo de outros clubes que facilitariam a vida às águias nos jogos de confronto direto. 

Ao final da tarde, o hacker Rui Pinto, um dos responsáveis pela revelação dos factos ligados ao clube encarnado já reagiu através da redes ocial X e questionou se "continuará a instituição Benfica acima da lei?"

Recorde-se que o Ministério Público (MP) acusou Rui Pinto, criador do Football Leaks, de 377 crimes relacionados o acesso aos emails do Benfica e de outros clubes, Liga, empresas, advogados, juízes, procuradores, Autoridade Tributária e Rede Nacional de Segurança Interna.

Segundo o despacho de acusação, datado de 2023, estão em causa 202 crimes de acesso ilegítimo, 134 de violação de correspondência, 23 de violação de correspondência agravado e 18 de dano agravado. Ou seja, um total de 377 crimes imputados ao hacker que foi acusado pela Justiça portuguesa em diversos processos.

No caso dos emails do Benfica o MP considerou que “o arguido Rui Pinto atuou da forma descrita supra, querendo com tais atuações aceder de forma sub-reptícia e não autorizada aos sistemas informáticos de várias entidades, como a Sport Lisboa e Benfica, Autoridade Tributária e Aduaneira, Vieira de Almeida Sociedade de Advogados, Liga Portugal, IGFEJ, CCSM, e servidores de correio eletrónico da Altice e IURD, quer ligadas ao futebol, quer ligadas à justiça, quer ligadas a prestações de serviço à sociedade em geral, com vista a explorar tais sistemas e daí retirar informação”.

Sendo que a acusação relacionada com os emails do Benfica surgiu pouco tempo antes de Rui Pinto conhecer a decisão do julgamento do processo Football Leaks. E neste processo, o hacker foi condenado a quatro anos de pena suspensa pelos crimes de extorsão na forma tentada, cinco de acesso ilegítimo, três crimes de violação de correspondência agravada, no âmbito do processo Football Leaks. Já Aníbal Pinto, acusado pelo Ministério Público de servir de intermediário na extorsão à Doyen, foi condenado pelo único crime de que vinha acusado: a tentativa de extorsão, que lhe valeu uma pena de dois anos de prisão com pena suspensa.

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