Benfica District: 24 milhões em receitas e um projeto «autossustentado»

Diogo Marques , Estádio da Luz
2 jan, 18:13
«Benfica District» (FOTO: Site Benfica)

«Vices» das águias não descartam hipótese de ter a NBA Europa no novo pavilhão de dez mil lugares

A poucas horas de mais uma Assembleia Geral Extraordinária, com o objetivo de aprovar (ou não) o projeto para a construção do Benfica District, o clube encarnado convocou os jornalistas para esclarecer algumas dúvidas.

Os «vices» do Benfica Nuno Catarino, José Gandarez e Manuel Brito responderam a todas as perguntas e repetiram uma ideia clara: o projeto está desenhado para ser «autossustentado», sobretudo pelas receitas que terá nos diversos espaços à volta do recinto.

Nuno Catarino fala sobre o «impacto positivo» nas contas do clube, com uma expetativa de 24 milhões de euros por ano a entrarem nos cofres das águias (37 milhões brutos).

Ainda assim, o foco está no sucesso desta construção, sem prejudicar o presente e futuro do Benfica, acima de tudo na vertente desportiva, quer no futebol, quer nas modalidades. Por isso o diretor financeiro garantiu que a construção do Benfica District não irá hipotecar o sucesso desportio. «O Benfica vai continuar a poder investir no plantel e na sua atividade da mesma forma», afirmou.

«Este é um projeto desenhado para ser autossustentado, as receitas do projeto geram o pagamento dos custos associados ao financiamento do mesmo. Vai ter sempre um impacto positivo nas contas do Benfica, com uma receita bruta de 37 milhões de euros e, retirando os custos, resulta em 24 milhões no total.»

No que toca ao Estádio da Luz, a lotação chegará aos 80 mil lugares e terá uma experiência de jogo «à inglesa» - com uma zona de safe standing, na qual os adeptos poderão ficar de pé -, mas sem comprometer a utilização do espaço nos próximos anos. Além de uma atividade diária nos espaços envolventes ao recinto, o objetivo passa por criar locais verdes, novos parques de estacionamento e alterações nos transportes públicos.

José Gandarez, outro vice-presidente, garantiu na mesma conferência de imprensa que o Benfica District criará «uma nova centralização diária da atividade à volta do estádio», o que permitirá recuperar o sentido de comunidade: «A experiência do adepto não será apenas no dia de jogo, mas sim todos os dias», revelou. 

Este ponto traz à memória os estádios antigos, quando todos os dias eram dias de os adeptos se juntarem no recinto, em torno das conversas sobre o clube. No entanto, há uma diferença substancial: antigamente os estádios eram polos desportivos, o Benfica District vai ser sobretudo um polo de entretenimento.. 

Além disso, o Benfica coloca em cima da mesa a possibilidade de concorrer à nova NBA Europa, tendo em conta a capacidade para receber dez mil adeptos que vai ter a nova Arena para as modalidades na Luz.

Apesar dos eventuais entraves em termos financeiros, José Gandarez recorda as questões colocadas aquando da criação do novo Estádio da Luz e do «salto quântico» a nível de receitas desde a inauguração do mesmo.

«Quando foi para a construção do novo estádio, o Benfica também fez uma assembleia-geral para tomar a decisão e também houve muitas dúvidas na altura, mas hoje todos reconhecem que foi um salto vital para as receitas do clube. O Benfica District será o próximo passo inovador para manter o clube na vanguarda», referiu José Gandarez.

Quanto à AG desta sexta-feira, precisamente no dia em que o Benfica recebe o Estoril para a 17.ª e última jornada da primeira volta na Liga, é esperado um ambiente «quente» com os adeptos, tendo em conta o momento de forma da equipa de futebol, ainda que possa trazer uma maior afluência de sócios à aprovação do projeto.

Os pontos em destaque na conferência sobre o Benfica District:

- Projeto a 15 anos, com uma estimativa de 24 milhões de euros de receita (líquida) por ano para o Benfica;

- Atividade diária junto ao Estádio da Luz, quer com jogos das diversas modalidades, quer com uma oferta de lazer (música, teatro, restauração e comércio);

- Mais parques de estacionamento e zona para bicicletas, assim como uma mudança nos transportes públicos para a zona do Estádio da Luz, quer no metro, quer nos autocarros;

- Objetivo de ter o projeto aprovado pela Câmara de Lisboa até ao Mundial 2030;

- Aumento da lotação no Estádio da Luz para 80 mil lugares, com um rebaixamento do relvado e obras que não obrigam ao encerramento do mesmo nos próximos anos. Um pavilhão com espaço para dez mil pessoas e que poderá receber jogos da NBA Europa;

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