CRÓNICA || Dois golos anulados, ambos por pouquíssimos centímetros, ditam um empate que quase não o era, até porque o SC Braga esteve a ganhar até ao fim
Quando a bola entra e depois há dúvidas sobre o fora de jogo, muitas vezes ficamos minutos à espera para perceber se a jogada é ou não regular. Quando essa espera é demorada dá logo para perceber que não será por muito.
Essa mesma sensação assaltou o Estádio da Luz por duas vezes esta segunda-feira, acabando por separar os encarnados daquilo que mais importava neste final de época, que eram os milhões da Champions que só um segundo lugar podia - e ainda pode, claro - garantir.
Logo a abrir, Franjo Ivanovic aproveitou um remate forte para receber a bola e depois emendar para a baliza. Golo imediatamente invalidado, mas que depois deu para sonhar, já que tivemos de esperar o tal tempinho para que colocassem as linhas que nos dizem a quantos centímetros está o sucesso.
Eram quatro, no caso. Quatro centímetros separaram o avançado croata e o Benfica do sucesso inicial.
Nada a temer, claro, já que havia muito por jogar e minutos depois o Sporting até sofreu em Vila do Conde, o que deu ânimo extra à Luz, com o Benfica a saber que dependia apenas de si para chegar ao segundo lugar.
E o caudal ofensivo do Benfica, sobretudo com um endiabrado Andreas Schjelderup, dava a sensação de que não demoraria muito até ao golo. As oportunidades e os lances de perigo foram-se sucedendo, só que ela, a bola, nunca entrava. E não entrou.
Vindos da segunda parte, Benfica e SC Braga pareceram totalmente disponíveis a reverter na totalidade essa situação. Tanto que marcaram dois golos em dois minutos, um para cada lado.
Primeiro foi o Benfica, que numa rápida jogada a aproveitar uma perda de bola infantil conseguiu transformar uma boa ligação entre Ginaluca Prestianni e Rafa num golo marcado pelo português.
Só que logo, logo a seguir foram os bracarenses a empatar tudo num grande golo de Pau Victor, que apareceu inexplicavelmente sozinho no meio da área para cabecear para o empate.
O Benfica tentou reagir, mas foi perdendo discernimento e paciência, o que só se efetivou ainda mais quando o videoárbitro anulou o golo marcado por Vangelis Pavlidis ao minuto 65.
Mais uma vez foi uma questão de centímetros - aqui não sabemos quantos, mas foram poucos -, esta decisiva para o descalabro do Benfica, que quase acabou a perder, o que confirmaria a primeira derrota no campeonato, pequeno “troféu” que José Mourinho ainda pode sonhar em ganhar.
Isto por causa de uma bomba de Gorby, que atirou a contar fora da área, espalhando silêncio total no Estádio da Luz, que imediatamente pensou que tinha chegado ao fim o sonho do segundo lugar.
Só que o futebol tem sempre algo mais para contar, neste caso um lance na área para o qual o videoárbitro chamou a atenção de João Pinheiro, que acabou a assinalar penálti. Vangelis Pavlidis, que antes tinha visto o regresso aos golos anulado por centímetros, lá deu qualquer coisa para festejar.
E não deu mais porque pouco mais se jogou, numa partida de total anticlímax para o Benfica, que vê agora os milhões da Champions por um canudo. Pode lá chegar, claro, mas terá de vencer o seu jogo e esperar que o Sporting não vença o Gil Vicente em Alvalade.
