Anti-inflamatórios, prebióticos e anticarcinogénicos. Este artigo contém boas razões para comer chocolate sem culpa nesta Páscoa

16 abr, 11:00
Chocolate (Getty Images)

Para os que adoram chocolate branco, temos más notícias: são ricos em gordura e açúcares e não têm cacau

Na altura da Páscoa, são muitas as tentações nas mesas dos portugueses, muitas relacionadas com o chocolate: de repente, estamos rodeados por ovos, amêndoas e "coelhinhos".

Como encarar esta tentação? É o chocolate um bom alimento? Pode ser comido sem culpa? O chocolate pode ser incluído na alimentação, dizem duas especialistas à CNN Portugal. A quantidade e o tipo de chocolate é que vão determinar se este alimento vai, ou não, ser benéfico para a saúde.

"O açúcar e a gordura saturada são o que mais contribuem para o colesterol elevado, pelo que deve sempre ter o cuidado de escolher chocolate com mais cacau e menos gordura e açúcar", aconselha Conceição Calhau, professora catedrática de nutrição e metabolismo da Nova Medical School.

O que torna o chocolate num "bom alimento" é o cacau. Por exemplo, pode gostar muito de chocolate branco, mas a nível nutricional este tipo de chocolate é muito "pobre", uma vez que é feito à base de manteiga de cacau e gordura.

"O cacau é rico em polifenóis. Estes compostos são conhecidos pelas suas particularidades de benefícios para a saúde como antioxidantes, anti-inflamatórios, prebióticos e anticarcinogénicos", adianta Conceição Calhau. Os polifenóis, explica a especialista, são uma das razões porque se deve ingerir diariamente hortícolas, frutas e leguminosas, alimentos também eles ricos nestes compostos orgânicos.

Também a nutricionista Margarida Vieira encontra benefícios no chocolate: "Os ácidos fenólicos que se encontram no cacau são a epicatequina, a catequina e as procianidinas, todos elas da classe dos flavonoides. Estes fitoquímicos podem proteger as células contra os danos oxidativos, limitando o risco das doenças associadas ao stress oxidativo, tais como as doenças cardiovasculares, a diabetes tipo 2 e o cancro.", revela. E aconselha: "Escolha o chocolate negro".

"Dois quadrados deste chocolate, com mais ou menos 40 gramas, têm cerca de 951 mg de flavonoides totais, uma dose interessante com dupla função: proteção e prazer", explica.

O cacau pode também ser bom para o coração uma vez que promove o fluxo adequado do sangue devido aos antioxidantes do grupo de flavonoides que inclui na sua constituição. É também este fator que faz com que seja um bom constituinte para proteger a pele do sol. O cacau aumenta a sensação de prazer e bem-estar, uma vez que liberta serotonina e estimula o sistema nervoso central e os músculos cardíacos devido à teobromina, substância semelhante à cafeína e que previne doenças como o Alzheimer.

A questão é que nem todos os chocolates têm cacau. Para os que adoram chocolate branco, há más notícias: são ricos em gordura e açúcares e não têm cacau. 

"Há uma gama vastíssima de chocolates. O açúcar e a gordura podem abafar a natureza do cacau. A nutella, por exemplo, tem muita gordura e açúcar. O cacau perde o seu efeito, perde interesse nutricional por essa característica", disse Conceição Calhau.

Páscoa sem culpa?

Tanto Margarida Vieira como Conceição Calhau são unânimes relativamente a esta época festiva: o problema está nos comportamentos durante o resto do ano.

Margarida Vieira explica que não há alimentos mais e menos saudáveis, sublinhando que o segredo está no equilíbrio.

"Retirar ou restringir não é bom, as pessoas não lidam bem. O problema não são os alimentos, são os comportamentos. Não é dia de festa todos os dias. É um momento de festividade, mas o consumo de doces não deve ser exagerado. Se a saúde o permitir, não devemos passar pelos momentos festivos sem provar o que é típico da quadra", diz a nutricionista Margarida Vieira, explicando que quem procura comer chocolate não o faz para ficar nutrido, mas sim por prazer e que esse não deve ser negado, mas sim "equilibrado".

Já Conceição Calhau, argumenta que as épocas festivas devem ser respeitadas.

"Não temos uma mensagem sazonal, as pessoas comem mal o ano inteiro. Os dias de festa e as festividades fazem parte do padrão de alimentação mediterrânica", diz Conceição Calhau.

Quais são os melhores e piores tipos de chocolate?

Chocolate negro ou amargo: este é o tipo de chocolate que tem mais cacau, geralmente entre os 60 e os 85%, menos açúcar e menos gordura, sendo por isso o mais rico em benefícios e, consequentemente, melhor para a saúde. Há também o chocolate meio amargo, cuja percentagem de cacau varia entre os 40 e os 55%;

Chocolate de leite: é o mais comum dos chocolates. Contém cacau, mas em menor proporção, e leite e açúcar;

Chocolate ruby ou rosa: é um novo tipo de chocolate, que contém 47,3 % de cacau, leite e açúcar. A cor rosa advém do grau de cacau ruby e tem um característico sabor de frutos vermelhos;

Chocolate branco: é o chocolate mais pobre a nível nutricional, sendo por isso o que menos benefícios traz à saúde. Não tem cacau, mas sim manteiga de cacau, e tem mais açúcar e gordura do que os restantes.

Escolher o chocolate com maior grau de cacau (negro ou amargo) e ingerir o alimento após as refeições e não de forma isolada de forma a evitar que tenha um pico de açúcar e insulina no sangue. São duas dicas partilhadas por Conceição Calhau para potenciar os benefícios do chocolate.

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