Bruxelas diz que expulsão foi apenas uma contrarresposta à decisão ruandesa, que classifica como “desproporcionada"
A Bélgica e o Ruanda cortaram relações e decidiram expulsar os embaixadores dos respetivos países, anunciaram nesta segunda-feira. De acordo com a Reuters, a deterioração das relações entre os dois resulta das alegações sobre os respetivos papéis no conflito no leste da República Democrática do Congo.
O Ruanda foi o primeiro a anunciar o corte de relações diplomáticas, dando 48 horas aos embaixadores belgas para abandonaram o país. A nação da África Oriental acusa Bruxelas de “usar mentiras e manipulação para garantir uma opinião hostil injustificada sobre o Ruanda”.
Já do lado europeu, o ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prevot, entende a expulsão diplomática como uma medida “desproporcionada e que mostra que, quando se discorda do Ruanda, Kigali prefere não dialogar”.
O governo belga optou, ainda assim, por retribuir e classificar os diplomatas ruandeses como persona non grata, acrescenta Prevot.
Os líderes africanos têm tentado estabelecer um cessar-fogo duradouro no Congo, onde o governo ruandês é acusado de apoiar uma ofensiva dos rebeldes do M23 no leste do país.
O M23 controla as capitais das províncias do Kivu do Norte e do Sul, que fazem fronteira com o Ruanda e são ricas em minerais essenciais para a indústria tecnológica e para o fabrico de telemóveis.
O número de mortos no conflito em Goma e arredores, capital do Kivu do Norte, ultrapassou os 8.500 desde janeiro, de acordo com informações prestadas pelo ministro da Saúde Pública congolês, Samuel Roger Kamba, no final de fevereiro.
Naquela província, a atividade armada do M23 - um grupo constituído sobretudo por tutsis, que sofreu o genocídio do Ruanda em 1994 - foi retomada em novembro de 2021 com ataques-relâmpago contra o Exército congolês.
Desde 1998 que o leste da RDC está mergulhado num conflito alimentado por milícias rebeldes e pelo Exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz da ONU (Monusco).
