Mais um caso: grávida de 31 semanas perde bebé após ter sido reencaminhada para hospital a uma hora de distância
Aconteceu outra vez: grávida perde bebé depois de ser reencaminhada para hospital a uma hora de casa
Mulher que perdeu bebé a caminho de Cascais continua internada
Era do Barreiro e todas as urgências de obstetrícia da Margem Sul estavam fechadas. Federação Nacional dos Médicos responsabiliza o Governo
Um mulher grávida e com uma gravidez de risco perdeu o bebé na quinta-feira, quando todas as urgências de obstetrícia da Margem Sul estavam fechadas. A notícia foi avançada pela RTP.
A mulher, de 38 anos, ligou para a linha SNS24 sem sucesso, segundo a RTP. Acabou por ser encaminhada para o Hospital de Cascais, a mais de uma hora de distância da sua área de residência (Barreiro). O bebé acabou por morrer.
A grávida deixou de sentir o bebé e tentou ligar para a linha Saúde 24, mas nunca foi atendida. Acabou por ser socorrida pelo 112, que a levou para o Hospital de Cascais. Tinha tido hemorragias internas e, quando deu entrada na urgência, o bebé já tinha morrido.
A RTP pediu esclarecimentos à direção executiva do SNS e aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde sobre os motivos do não atendimento da chamada para a linha SNS24, mas não obteve resposta. A CNN Portugal também pediu esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre esta situação mas não obteve resposta - o Ministério optou por enviar entretanto um comunicado às redações.
O que diz o Ministério
O Ministério da Saúde (MS) diz que a utente foi acompanhada por um médico do INEM durante o trajeto entre o Barreiro e Hospital de Cascais.
“Em todos os momentos foi garantido o acesso aos cuidados de saúde, concluindo-se que a resposta prestada à utente, quer pela Linha grávida do SNS, quer pelo INEM, foi congruente com os protocolos de referenciação e de acesso em vigor”, assegura o Ministério em comunicado.
Depois de recolhida informação junto da Direção Executiva do SNS, INEM e Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) (Linha SNS 24), o MS refere que o primeiro contacto entre a grávida e o SNS ocorreu à 01:30 com uma chamada para o INEM.
“O resultado da triagem determinou o encaminhamento da chamada para a Linha Grávida para o SNS 24” e a “utente voltou a contactar o INEM às 01:47, que acionou os meios necessários”.
De acordo com a tutela, “a utente teve acompanhamento diferenciado de um médico” da Viatura Médica de Emergência e Reanimação do INEM no percurso entre o Barreiro e o Hospital de Cascais.
“Não corresponde à verdade, como tem sido noticiado, que tenha sido recusada a assistência à grávida, por motivo de encerramento dos serviços de urgências de obstetrícia da Península de Setúbal”, assegura. O Ministério da Saúde lamenta o desfecho da situação e endereça condolências à família.
Isto é um "ponto de rutura"
A Federação Nacional dos Médicos considerou esta sexta-feira inaceitável este novo caso e diz que marca "um ponto de rutura".
Em declarações à Lusa, a presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), Joana Bordalo e Sá, exigiu uma “mudança imediata” na política de saúde e responsabilizou o Governo pela atual situação das urgências obstétricas.
“Exigimos que haja uma mudança imediata na política de saúde, uma mudança que devolva dignidade, segurança e humanidade ao SNS, porque o que aconteceu é intolerável e nós não podemos, em consciência, permitir que isto se repita”, afirmou.
“Este caso não é um acidente, isto é uma consequência direta das políticas que estão a ser aplicadas por este Ministério da Saúde, de Ana Paula Martins, e, por isso, nós responsabilizamo-lo diretamente por esta tragédia”, diz Joana Bordalo e Sá.
Pediu um reforço urgente das urgências com mais médicos, com valorização de carreiras, evitando que se continue “a apagar fogos”.
“Se houvesse uma perspetiva de conseguir recuperar os médicos para o Serviço Nacional de Saúde de uma forma emergente, isso é que deveria estar a ser feito”, acrescentou.
Joana Bordalo e Sá defendeu que é possível conseguir contratar médicos de uma forma rápida e mais célere, mas sublinhou: “para isso é preciso vontade política”.
Outro caso: grávida perde bebé após passar por vários hospitais
Recorde-se que no passado fim de semana, uma grávida de 40 semanas perdeu o bebé após passar por cinco hospitais em 13 dias. A mulher, de 37 anos passou pelos hospitais de Setúbal, Barreiro, Garcia de Orta, Cascais e Santa Maria.
Em relação a este caso a Direção-Executiva do SNS já reagiu, dizendo que fez “uma avaliação preliminar do percurso assistencial” da mulher, e apurou que, "em todos os momentos, terá sido garantido o acesso aos cuidados de saúde dentro dos parâmetros assistenciais definidos para o atendimento". Ou seja, a grávida de 40 semanas que perdeu o bebé após o nascimento “terá sido avaliada de forma atempada”.
Em comunicado, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) explicou que em todos os hospitais onde foi observada, a grávida “terá sido avaliada de forma atempada por profissionais de saúde qualificados, submetida aos exames e avaliações considerados necessários, tendo recebido as orientações consideradas adequadas”.
