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Prestação da casa volta a subir em junho. Euribor não param de aumentar

19 mai, 07:00
Christine Lagarde (EPA)
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As taxas Euribor estão a acelerar o movimento de subida na expectativa de que o BCE vai mesmo aumentar a sua principal taxa diretora em junho. São más notícias para quem tem crédito à habitação. Os dados de maio mostram que é quase certa uma nova subida da prestação a pagar ao banco para quem tiver o seu contrato a ser revisto no próximo mês

Os detentores de contratos de crédito à habitação que sejam revistos em junho deverão sentir um novo agravamento na prestação a pagar ao banco. Uma penalização que decorre da evolução das taxas Euribor em maio, que não só devem voltar a subir face à data da última revisão, como devem acelerar o movimento de subida quando se comparam os meses relevantes para definir a prestação a pagar ao banco.

Na origem deste movimento está o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel ao Irão no final de fevereiro. Desde então, a média mensal das taxas Euribor não mais parou de subir. Foi assim em março, repetiu-se em abril e, muito provavelmente, voltará a ser assim em maio, com base nos dados conhecidos até esta segunda-feira.

Depois dos ataques e do consequente fecho do Estreito de Ormuz os preços do petróleo aumentaram de forma significativa, o preço de venda ao público dos combustíveis disparou e, tanto em março, como em abril, registou-se uma aceleração das taxas de inflação um pouco por todo o mundo, com Portugal e a zona euro a não serem exceção.

E com o crescimento da convicção de que a aceleração da inflação poderá não ser um movimento passageiro foi também crescendo a convicção de que o Banco Central Europeu (BCE) irá mesmo subir a sua principal taxa de referência, a taxa de depósitos, que se situa atualmente nos 2%.

Quantas subidas?

Nos mercados, a convicção é de que a instituição liderada por Christine Lagarde possa subir as taxas de juro três vezes em 2026, colocando a taxa de depósitos nos 2,75%. Mas no seio do BCE haverá o habitual dilema entre subir juros para controlar a inflação e a adoção de uma política monetária menos agressiva que não penalize uma atividade económica que também se encontra ameaçada pelos efeitos do conflito no Médio Oriente.

No último inquérito feito pela agência Reuters para avaliar o que fará o BCE na próxima reunião, no dia 11 de junho, o resultado não deixou, ainda assim, margem para dúvidas: a maioria dos economistas reconhece que a subida de juros está próxima, mas a subida não será tão elevada como a prevista pelos mercados financeiros. Cerca de 85% dos economistas, 59 em 70, previram que o BCE iria aumentar a sua taxa de depósito em 25 pontos base para 2,25% em junho. A partir deste aumento de taxas, já não há um consenso claro, mas quase metade dos economistas, 34 em 70, disse esperar outro aumento este ano, com a maioria a afirmar que este ocorrerá no próximo trimestre.

Mais uma vez, com base nesta convicção, as taxas Euribor têm vindo a antecipar esta subida dos juros por parte do BCE e, em maio, já é quase garantido que voltem a subir significativamente.

Se os dados registados em maio, apenas até esta segunda-feira, correspondessem ao total do mês, a subida da prestação a pagar ao banco para quem tem o seu crédito a ser revisto em junho já registaria um aumento significativo.

Num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%, indexado à Euribor 6 meses, a subida da prestação seria de 30,25 euros. Já para um empréstimo de 200 mil euros, mantendo as restantes características, a subida da prestação seria de 40,34 euros.

No caso de um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, um spread de 1%, mas indexado à Euribor 12 meses, a subida da prestação seria de 56,85 euros. E para o mesmo empréstimo, mas de 200 mil euros, a subida da prestação já seria de 75,80 euros.

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