Subida, que pode não ficar por aqui, é vista como uma forma de o BCE não cometer o mesmo erro que cometeu no início da invasão da Ucrânia
Os governadores do Banco Central Europeu acordaram esta quinta-feira um aumento de 25 pontos-base das taxas de juro na Zona Euro, colocando a taxa de referência em 2,25%. A decisão, liderada por Christine Lagarde, marca a primeira vez que a instituição sobe as taxas de juro desde 2023.
Esta decisão era a mais esperada pelos economistas, numa altura em que a guerra entre Israel e o Irão tem impulsionado os preços da energia e aumentado receios de uma aceleração da inflação nos próximos meses.
Os mercados já tinham, de resto, atribuído uma elevada probabilidade a uma subida das taxas após os dados preliminares de maio terem mostrado um agravamento da inflação na Zona Euro: uma subida dos preços no consumidor de 3,2% em termos homólogos, acima dos 3% registados em abril e bastante acima da meta de 2% definida pelo BCE.
Também a inflação subjacente, que exclui componentes mais voláteis como energia e alimentos, subiu para 2,5%, face aos 2,2% do mês anterior.
De resto, esta poderá não ser a última subida de juros deste ano, como indicou o economista Filipe Grilo à CNN Portugal. “Provavelmente esta subida não vai ficar órfã. Em setembro e outubro poderemos vir a ter novas subidas”, antecipa, apontando para a evolução recente das taxas Euribor e para as preocupações do BCE com o risco inflacionista.
Segundo o especialista, a decisão parece indicar que a instituição europeia procura evitar repetir os erros cometidos durante a crise inflacionista desencadeada pela invasão russa da Ucrânia. “O BCE sofreu com o que aconteceu na Ucrânia. Interveio muito tarde e agora está a tentar remediar a situação”, afirma. Apesar de considerar que ainda não existem sinais claros de transmissão da inflação energética para o conjunto da economia, nota que a autoridade monetária optou por agir preventivamente.
“O BCE poderia esperar até julho para ter mais dados, mas está a dar um sinal de que se vai comprometer com o combate à inflação”, sustenta Filipe Grilo, sublinhando que a incerteza em torno do conflito no Médio Oriente continua a ser um fator determinante. “Tendo em conta que o estreito de Ormuz continua bloqueado, a escassez de combustíveis mantém-se e ainda não se percebe quando essa situação poderá terminar. Já estamos há três meses e meio com este problema”, refere, concluindo que “o BCE está de mãos atadas e a agir como se o pior cenário se pudesse concretizar”.
