A descida das taxas Euribor vai permitir uma nova descida das prestações a pagar ao banco. Tendência deverá manter-se ao longo de 2025, mas não haverá regresso aos valores que se pagavam em 2022. Confira o seu caso
Janeiro de 2022 foi o mês em que tudo começou a mudar. Depois de um longo período em que a média mensal das taxas Euribor, mês após mês, descia para terreno ainda mais negativo, no primeiro mês de 2022, as taxas de juro davam os primeiros sinais de que algo estaria a mudar.
A subida das taxas Euribor antecipava o que aconteceria meses depois, em julho, altura em que o Banco Central Europeu (BCE) decidiu subir as suas taxas diretoras de forma a tentar controlar a taxa de inflação que, desde junho de 2021, já se situava acima do seu objetivo de 2%. A principal taxa de referência do BCE, a taxa de depósitos, saiu de terreno negativo e foi aumentada para zero, deixando um período de 11 anos em que não houve uma única subida de juros na zona euro.
À data da primeira subida de taxas pelo BCE já as taxas Euribor se encontravam em valores positivos e a previsão sobre o que viria a acontecer não dava margem para grandes dúvidas: a taxa de inflação já atingia uma variação de 8,9% e percebia-se que o BCE iria continuar a aumentar as suas taxas de juro. E com a taxa de inflação na zona euro a atingir o seu valor mais alto em outubro, quando registou uma variação de 10,6%, a autoridade liderada por Christine Lagarde ainda aumentaria as suas taxas de juro mais três vezes durante 2022.
O reflexo desta política monetária, com uma subida de taxas de juro a uma velocidade nunca antes vista, fazia-se sentir nos contratos de crédito à habitação e nas prestações a pagar ao banco.
Numa tentativa de controlar a inflação, o BCE continuou a subir taxas de juro até setembro de 2023 quando a taxa de depósito atingiu os 4%. Por esta altura, a taxa de inflação já só estava ligeiramente acima dos 4%, mas ainda muito longe do objetivo de estabilidade dos preços definido pelo BCE, uma taxa de inflação de cerca de 2%. Já as taxas Euribor atingiam valores entre os 3,8%, no prazo a 3 meses, e os 4,1%, no prazo de 12 meses. O reflexo, mais uma vez, fazia-se sentir de forma significativa nas prestações a pagar ao banco, mas também eram dados os primeiros sinais de que o pior já teria passado.
A taxa de inflação continuava a registar valores de maior controlo e cresciam as expetativas de que o BCE iria começar a descer as suas taxas de juro de referência. As taxas Euribor, mais uma vez em antecipação do que viria a ser decidido pela autoridade monetária com sede em Frankfurt, na Alemanha, começaram a descer em novembro de 2023. Em junho deste ano, o BCE voltou a descer a sua principal taxa de juro e por esta altura já a taxa de inflação registava uma variação de 2,5%.
A partir deste momento as taxas Euribor não mais pararam de descer e se ainda há cerca de três anos a convicção que havia nos mercados era a de que o BCE se preparava para novas subidas de taxas, hoje, a convicção é exatamente a contrária. A principal taxa de juro do BCE já está nos 3%, depois de uma nova descida decidida este mês, e a convicção é que irá descer ainda mais ao longo do próximo ano.
Os mercados antecipam que o BCE reduza as taxas em 25 pontos base em cada uma das suas próximas quatro reuniões, ou seja, até junho, o que colocaria a taxa de depósito nos 2%, mas, por enquanto, deixaram de apostar em reduções maiores.
Independentemente do que vier a acontecer, certo é que, mais uma vez, as taxas Euribor em antecipação ao que o BCE vier a fazer, continuam a descer de forma acelerada e a média mensal de dezembro já atinge valores bem diferentes dos que existiam há pouco mais de um ano. A Euribor 3 meses está ligeiramente acima dos 2,6%, a taxa Euribor 6 meses já está abaixo desse patamar e a Euribor 12 meses está abaixo dos 2,5%.
Prestação volta a cair em janeiro
E é com base nestes valores das Euribor que quem tiver os seus contratos de crédito à habitação a ser revistos em janeiro irá sentir uma significativa redução da prestação a pagar ao banco.
Para um crédito de 200 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor 6 meses, com um spread de 1%, a prestação a pagar ao banco irá diminuir mais de 114 euros, passando de uma prestação de 1.022,43 euros, que pagava desde julho, para uma prestação de 907,78 euros. Ainda assim, este valor fica muito acima da prestação que pagava em janeiro de 2022. Na altura, a Euribor 6 meses que serviu de calculo à prestação foi a taxa média de dezembro de 2021 e essa taxa ainda era negativa. Na prática, em janeiro de 2022, para este mesmo contrato a prestação era de apenas 594,44 euros, face aos mais de 907 euros que irá pagar no próximo mês.
Confira o seu caso:
Quanto já aumentou e como vai evoluir em janeiro a prestação da casa
Empréstimo a 30 anos com spread de 1%
EURIBOR 3 MESES
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EURIBOR 6 MESES
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EURIBOR 12 MESES
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NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).
