Lagarde alerta: taxas de juro vão continuar a aumentar e Europa arrisca recessão se a Rússia cortar o gás

8 set, 14:21
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu - BCE (AP Photo/Michael Probst, File)

Presidente do Banco Central Europeu revela que o aumento das taxas de juro diretoras em 75 pontos base foi "unânime" e admitiu que um bloqueio total do fornecimento de gás russo e políticas como o racionamento de energia - mergulhariam a zona do euro numa recessão no próximo ano

Christine Lagarde adiantou esta quinta-feira que o Banco Central Europeu (BCE) vai aumentar as taxas de juro "nas próximas reuniões". Uma decisão que a presidente do banco europeu justifica como reação a uma inflação que "provavelmente permanecerá acima do nosso objetivo durante um período prolongado".  

Enquanto isso, espera-se que a economia "desacelere substancialmente no restante deste ano", detalhou ainda a presidente do BCE, acrescentando que os preços da energia vão permanecer "extraordinariamente altos".

"A energia é a maior fonte da inflação. É o fator dominante", afirmou, em conferência de imprensa. 

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira aumentar em 75 pontos base as suas três taxas de juro diretoras, o segundo aumento consecutivo deste ano e o maior desde 1998. A taxa diretora está agora em 1,25%.

Esta "subida jumbo"  visa aumentar o custo dos empréstimos para consumidores, governos e empresas, o que, em teoria, desacelera os gastos e os investimentos e acalma a subida dos preços ao consumidor ao reduzir a procura por bens.

"Temos mais caminho a percorrer daqui em diante", disse a presidente do BCE, acrescentando que esta foi uma "decisão unânime" entre decisores sobre a necessidade de um aumento de 75 pontos base para "adiantar" o movimento em direção às taxas consistentes e trazer a inflação para o objetivo a médio prazo de 2%.

Questionada sobre a direção futura e o ritmo das mudanças nas taxas, Lagarde afirmou: "Não dissemos 'aumentar em 75' como se 75 fosse a norma - não é".

No entanto, Lagarde admitiu que o seu chamado cenário "desfavorável" - que envolve um bloqueio total do fornecimento de gás russo e políticas como o racionamento de energia - mergulharia a zona do euro numa recessão no próximo ano, com uma contração prevista de 0,9%.

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