Caiu o governo francês, de novo. Macron vai nomear o quarto primeiro-ministro em menos de dois anos

CNN Portugal , MMC
8 set 2025, 18:02
Assembleia Nacional França parlamento

De acordo com o Le Monde, os deputados republicanos dividiram-se na decisão de dar ou não confiança a Bayrou: 27 votaram a favor da moção de confiança, incluindo o seu líder, Laurent Wauquiez, 13 votaram contra, enquanto nove deputados se abstiveram. O Movimento Democrático (partido de Bayrou) e os Horizons (partido de Emmanuel Macron) votaram a favor. Os deputados do Reagrupamento Nacional (RN - partido de Marine Le Pen), os seus aliados da UDR (centro-direita e direita conservadora), os grupos parlamentares de esquerda França Insubmissa, PS, Verdes, Partido Comunista Francês e os deputados representantes dos territórios ultramarinos de França votaram unanimemente contra.

Entre os partidos que chumbaram a moção de confiança ao governo de Bayrou está o partido da Direita Republicana, na extrema-direita da Assembleia Nacional, em Paris, defendendo, pela voz do líder do Partido Republicano de França, Laurent Wauquiez, que, se o governo de Bayrou “tivesse ouvido a França trabalhadora, teriam o apoio unânime da Direita Republicana hoje”.

Aos dois partidos anteriores, antes de ser conhecida a votação final para a moção de confiança do governo centrista, Cyrielle Chatelain, presidente do partido Verdes e Socialistas, considerou “um alívio” a queda do governo cessante, antecipando, desde logo, a posição do partido quanto à moção proposta do Bayrou. “Dentro de horas, [Bayrou] apresentará a sua renúncia [ao cargo de primeiro-ministro] ao Presidente da República, sem que isso cause qualquer tristeza”. Chatelain fez ainda um apelo a Macron, para que escolhesse um primeiro-ministro da Nova Frente Popular - uma coligação à esquerda que une Verdes, Socialistas, França Insubmissa, Partido Comunista Francês e Novo Partido Anticapitalista. 

Depois falou Stéphane Peu, presidente do grupo Esquerda Democrática e Republicana, acredita que o orçamento apresentado por François Bayrou não era “nem forte nem justo" e que o primeiro-ministro cessante estava "muito sozinho".

Seguiu-se Éric Ciotti, presidente da União Democrática pela República, que afirmou que o “principal responsável por este desastre” é o presidente de França, Emmanuel Macron. Ciotti considerou que o debate já não se tratava de ser sobre Bayrou, mas que devia “ser sobre toda a obra de Macron”. 

Embora do lado oposto à Nova Frente Popular, as ideias entre Marine Le Pen e os partidos à esquerda, para o futuro de Bayrou e do seu governo, convergiram. A líder do Reagrupamento Nacional (RN) considerou a dissolução da assembleia “não uma opção, mas uma obrigação”. Marine Le Pen afirmou que o executivo cessante “não pode chorar diante das câmaras pelas consequências dos erros que vocês mesmos [governo cessante] cometeram”. A líder do partido de extrema-direita disse ainda que “se não houver dissolução, continuaremos com espírito construtivo, mas sem fraqueza, a apresentar as ideias que nossos eleitores nos ordenam defender”. 

Mathilde Panot, presidente da coligação França Insubmissa, na última declaração dos partidos, antes de uma declaração final de Bayrou, disse que o primeiro-ministro cessante é "o último rosto de uma política ilegítima e teimosa, incapaz de gerar o menor apoio no país", na sequência das duras críticas da oposição ao governo de Bayrou, que antecipavam o que se aconteceria minutos depois, na votação da moção de confiança ao executivo agora reprovado pela maioria da Assembleia Nacional francesa.

Em sentido contrário, na penúltima declaração dos partidos da assembleia, surgiu Gabriel Attal, presidente da coligação Juntos pela República, que apelou à "escolha da estabilidade", dizendo que não cabia aos franceses "resolver dos problemas do parlamento, mas sim ao parlamento resolver os problemas dos franceses", sugerindo um voto de confiança ao governo de Bayrou e a evitar um novo cenário de eleições em França, que agora se repete nove meses depois da queda do último governo, liderado por Michel Barnier, do partido Republicano. 

Moção de confiança ao governo de François Bayrou foi chumbada pela maioria dos partidos da Assembleia Nacional

O governo francês caiu esta segunda-feira, depois de ver chumbada no parlamento a moção de confiança proposta pelo líder do executivo, François Bayrou. O primeiro-ministro colocou-se à mercê do parlamento e vê agora a sua destituição confirmada, depois de 364 dos 577 deputados votarem contra a continuidade do atual executivo (194 votaram a favor e 15 abstiveram-se).

O presidente francês já decidiu o próximo passo, "nomeará um novo primeiro-ministro nos próximos dias", de acordo com comunicado do Eliseu. Será o quarto primeiro-ministro em menos de dois anos - Gabriel Attal (janeiro de 2024), Michel Barnier (setembro de 2024) e François Bayrou (dezembro de 2024).

Emmanuel Macron terá ainda de lidar com a renovada contestação de parte da Assembleia, que pede a saída do presidente de França.

Numa das mais recentes reações à queda do governo, Mathilde Panot, da França Insubmissa (LFI), de extrema-esquerda, afirmou que "a questão que se coloca ao país é a saída de um Presidente da República que se recusa a respeitar a soberania do povo", antes de anunciar que o seu grupo parlamentar apresentará amanhã [terça-feira] uma moção de destituição do presidente de França. O fundador da França Insubmissa Jean-Luc Mélenchon também apontou o dedo a Macron, partilhando uma publicação no X de Clémence Guetté, deputada do LFI, que diz que "Macron deve sair ". O próprio ainda publicou no seu perfil na rede social X que a queda de Bayrou representa "uma vitória popular". 

No mesmo sentido, Cyrielle Chatelain, líder dos Verdes, admitiu a possibilidade de uma "rutura política com as políticas de Emmanuel Macron, mas também uma rutura metodológica que permita a durabilidade de um governo". 

Na última declaração como primeiro-ministro, François Bayrou descreveu os seus nove meses no cargo como "profundamente felizes", congratulando-se por ter "mostrado uma imagem republicana honrada e ativa ". Em seguida, agradeceu à Assembleia Nacional e aos membros do seu governo.

Os democratas franceses ainda tentaram que o desfecho da moção de confiança ao governo de François Bayrou fosse diferente. De acordo com o Le Monde, Marc Fesneau, presidente do Movimento Democrático, “implorou” aos partidos para “enfrentar a realidade” de que o dia para resolver diferenças ideológicas não tinha chegado e que ainda não era tarde, sugerindo um reconsideração à Assembleia Nacional. 

Antes de consumado o chumbo da moção de confiança, o agora ex-primeiro-ministro tinha iniciado a sessão parlamentar extraordinária afirmando que a moção de confiança seria uma “prova dos nove” do atual executivo. Chumbou na “prova dos nove” com o voto contra do Partido Socialista de França, da oposição, que, depois de revelar o seu voto, viu o seu líder, Boris Vallaud, afirmar que era “a vez da esquerda governar” para França “ter estabilidade política” e que os socialistas, juntamente com a esquerda, estão prontos para isso. 

Bayrou torna-se, desta forma, o terceiro primeiro-ministro a sair antecipadamente do cargo no espaço de aproximadamente um ano: Gabriel Attal apresentou a demissão do cargo no dia 5 de setembro de 2024; e o governo de Michel Barnier também caiu com uma moção de confiança, a 4 de dezembro do mesmo ano. Segue-se o quarto governo em menos de dois anos.

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