Moção de confiança ao governo de François Bayrou foi chumbada pela maioria dos partidos da Assembleia Nacional
O governo francês caiu esta segunda-feira, depois de ver chumbada no parlamento a moção de confiança proposta pelo líder do executivo, François Bayrou. O primeiro-ministro colocou-se à mercê do parlamento e vê agora a sua destituição confirmada, depois de 364 dos 577 deputados votarem contra a continuidade do atual executivo (194 votaram a favor e 15 abstiveram-se).
O presidente francês já decidiu o próximo passo, "nomeará um novo primeiro-ministro nos próximos dias", de acordo com comunicado do Eliseu. Será o quarto primeiro-ministro em menos de dois anos - Gabriel Attal (janeiro de 2024), Michel Barnier (setembro de 2024) e François Bayrou (dezembro de 2024).
Emmanuel Macron terá ainda de lidar com a renovada contestação de parte da Assembleia, que pede a saída do presidente de França.
Numa das mais recentes reações à queda do governo, Mathilde Panot, da França Insubmissa (LFI), de extrema-esquerda, afirmou que "a questão que se coloca ao país é a saída de um Presidente da República que se recusa a respeitar a soberania do povo", antes de anunciar que o seu grupo parlamentar apresentará amanhã [terça-feira] uma moção de destituição do presidente de França. O fundador da França Insubmissa Jean-Luc Mélenchon também apontou o dedo a Macron, partilhando uma publicação no X de Clémence Guetté, deputada do LFI, que diz que "Macron deve sair ". O próprio ainda publicou no seu perfil na rede social X que a queda de Bayrou representa "uma vitória popular".
La chute de Bayrou est une victoire populaire.
— Jean-Luc Mélenchon (@JLMelenchon) September 8, 2025
Il avait demandé ce vote en raison du mouvement du 10 septembre qui approchait. Il a perdu.
Cette défaite a été bien plus ample que prévu. Même une partie de ses propres troupes a refusé de lui accorder la confiance.#LE20H pic.twitter.com/TdJDsNuSE7
No mesmo sentido, Cyrielle Chatelain, líder dos Verdes, admitiu a possibilidade de uma "rutura política com as políticas de Emmanuel Macron, mas também uma rutura metodológica que permita a durabilidade de um governo".
Na última declaração como primeiro-ministro, François Bayrou descreveu os seus nove meses no cargo como "profundamente felizes", congratulando-se por ter "mostrado uma imagem republicana honrada e ativa ". Em seguida, agradeceu à Assembleia Nacional e aos membros do seu governo.
Os democratas franceses ainda tentaram que o desfecho da moção de confiança ao governo de François Bayrou fosse diferente. De acordo com o Le Monde, Marc Fesneau, presidente do Movimento Democrático, “implorou” aos partidos para “enfrentar a realidade” de que o dia para resolver diferenças ideológicas não tinha chegado e que ainda não era tarde, sugerindo um reconsideração à Assembleia Nacional.
Antes de consumado o chumbo da moção de confiança, o agora ex-primeiro-ministro tinha iniciado a sessão parlamentar extraordinária afirmando que a moção de confiança seria uma “prova dos nove” do atual executivo. Chumbou na “prova dos nove” com o voto contra do Partido Socialista de França, da oposição, que, depois de revelar o seu voto, viu o seu líder, Boris Vallaud, afirmar que era “a vez da esquerda governar” para França “ter estabilidade política” e que os socialistas, juntamente com a esquerda, estão prontos para isso.
Bayrou torna-se, desta forma, o terceiro primeiro-ministro a sair antecipadamente do cargo no espaço de aproximadamente um ano: Gabriel Attal apresentou a demissão do cargo no dia 5 de setembro de 2024; e o governo de Michel Barnier também caiu com uma moção de confiança, a 4 de dezembro do mesmo ano. Segue-se o quarto governo em menos de dois anos.