A novidade sobre o paradeiro do ditador deposto é que não há novidade. E isso também é notícia pela maneira como se soube
Kremlin não se pronuncia sobre o paradeiro de Assad e confirma que só Putin pode decidir sobre o asilo
por Anna Chernova, da CNN
O Kremlin mantém-se esta segunda-feira em silêncio sobre o paradeiro de Bashar al-Assad, recusando-se a comentar publicamente a decisão da Rússia de conceder asilo ao presidente sírio deposto.
“Não temos nada a dizer sobre o paradeiro de Bashar al-Assad, por enquanto”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas, fornecendo poucos esclarecimentos.
Quando questionado sobre o facto de a decisão de conceder asilo ter sido tomada por Vladimir Putin, Peskov respondeu: “É claro que tais decisões não podem ser tomadas sem o chefe de Estado. A decisão é dele. Mas não tenho nada a dizer-vos aqui”.
Uma fonte oficial russa avançou à CNN, no domingo à noite, que Assad e a sua família chegaram a Moscovo depois de lhes ter sido concedido asilo na Rússia por “razões humanitárias”, segundo a imprensa estatal.
Questionado sobre o potencial encontro de Putin com Assad, Peskov disse que “não existe tal reunião na agenda oficial do presidente” e recusou-se a especificar o momento do último encontro.
O Kremlin reconheceu os desafios em torno das suas bases militares na Síria, afirmando que “está a ser feito tudo o que é possível para contactar aqueles que podem garantir a segurança”.
Quanto à questão de saber se a Rússia espera manter as suas bases militares na Síria, Peskov afirmou ser “demasiado cedo para falar sobre isso”, acrescentando que “será necessária uma conversa séria com aqueles que serão investidos de poder”.
“O que aconteceu provavelmente surpreendeu o mundo inteiro e nós não somos exceção”, disse, comentando a rápida perda de apoio a Assad entre o exército sírio e as forças de segurança.
