Partidos dizem que está em causa "uma situação muito grave" e pedem ao primeiro-ministro para "não insultar a inteligência das pessoas"
Livre e BE acusaram este sábado o primeiro-ministro de querer “tapar o sol com a peneira” ao afirmar que “o Governo não interveio em nenhum ato que possa ser entendido como venda de armamento a Israel".
“Se o senhor primeiro-ministro não consegue dizer nada de bom acerca desta situação, ao menos que não insulte a inteligência das pessoas e não vá dizendo que é diferente. Agora vai-me dizer que é diferente termos vendido uma pistola ou deixarmos passar um caça F-35 que é uma das armas mais letais do mundo”, criticou o porta-voz do Livre Rui Tavares.
À margem de uma ação de campanha para as eleições autárquicas de dia 12, no mercado municipal de Loures, Rui Tavares e a dirigente do BE Marisa Matias – em substituição da coordenadora nacional, Mariana Mortágua – foram questionados sobre as declarações de Luís Montenegro, em Chaves, por ocasião da campanha eleitoral.
Em causa está uma escala na Base das Lajes, nos Açores, de três aeronaves F-35 que foram vendidas pelos Estados Unidos da América a Israel, sem conhecimento prévio do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
“Lamento muito que o senhor primeiro-ministro faça declarações desse tipo e que procure tapar o sol com a peneira”, acusou Tavares.
Marisa Matias subscreveu as palavras do porta-voz do Livre e sublinhou que está em causa “uma situação muito grave, muito séria”.
“Porque o que está em causa, a confirmar-se, é de que já depois de todas as avaliações dos crimes cometidos contra a humanidade pelo Estado de Israel, que uma ação ou uma omissão do Governo nos possa ter colocado na lista de cúmplices com o genocídio que está a acontecer”, salientou.
Interrogada sobre se o BE já tem mais informações acerca dos quatro portugueses que estão em Israel, nomeadamente a líder bloquista, Mariana Mortágua, Marisa Matias afirmou que, até àquele momento, não tinha dados adicionais.
