Donos da Barraqueiro estão no centro da investigação que remonta à venda de 2015
Humberto Pedrosa e o filho, David Pedrosa, foram constituídos arguidos na sequência da operação da Polícia Judiciária (PJ) que investiga a privatização da TAP.
A CNN Portugal apurou que os donos da Barraqueiro são dois dos alvos da investigação, estando já em condição de arguidos.
Foram ainda constituídas arguidas duas empresas na sequência das buscas do Ministério Público, que decorreram no âmbito da Operação voo TP789.
“No âmbito de inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), informa-se que, na sequência das buscas realizadas hoje, foram constituídos quatro arguidos: duas pessoas singulares e duas pessoas coletivas”, refere a página do DCIAP na Internet.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) avançou esta terça-feira que decorreram buscas em 25 locais, que incluem empresas, como a TAP, o Grupo Barraqueiro e a Parpública, sociedades de advogados e sociedades de revisor oficial de contas e que não estão previstas detenções.
A Procuradoria-Geral da República confirmou, em setembro do ano passado, a receção do relatório da Inspeção-Geral das Finanças sobre a privatização da TAP, em 2015, e enviou o documento para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal.
O inquérito em causa foi aberto em fevereiro de 2023 e resultou da participação efetuada por Fernando Medina e Pedro Nuno Santos, então ministros das Finanças e das Infraestruturas e Habitação (PS), respetivamente.
Em meados de outubro de 2022, Pedro Nuno Santos revelou que a administração da TAP tinha pedido uma auditoria por suspeitar estar a pagar mais pelos aviões do que os concorrentes e que o Governo encaminhou as conclusões para o Ministério Público.
Um dos temas mais abordados na comissão parlamentar de inquérito (CPI) à Tutela Política da Gestão da TAP, em 2023, foi o dos chamados fundos Airbus, um negócio feito pela sociedade DGN, liderada por David Neeleman, com a fabricante de aviões, que implicou a anulação de um contrato anterior para o leasing de 12 aviões A350, e a concretização de um novo para a aquisição de 53 aeronaves de outra gama.
No âmbito desse negócio, a Airbus providenciou créditos de capital à DGN, no valor de 226,75 milhões de dólares (195,5 milhões de euros ao câmbio atual), para serem canalizados para a TAP através da Atlantic Gateway.
Ao longo das audições da CPI, vários deputados foram questionando os depoentes sobre qual o conhecimento que tinham da operação, considerando que a capitalização da TAP em 2015 foi feita com verbas da própria companhia.
O consórcio Atlantic Gateway – composto pelos acionistas David Neeleman e o empresário português Humberto Pedrosa – venceu a privatização da TAP, concretizada na reta final do Governo do PSD/CDS-PP, operação que foi parcialmente revertida em 2015, pelo executivo de António Costa (PS).
Naquela altura, a tutela política da TAP era da responsabilidade do atual ministro Miguel Pinto Luz, que era então secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações.