Homem, que pediu para não ser identificado por temer represálias, relatou ter fugido após ouvir os disparos
"Quando ouvi o primeiro disparo não pensei que alguém tivesse sido abatido, levantei-me da cadeira, e quando ouvi o segundo disparo só quis salvar a minha vida. Saí a correr para a rua, e só olhei para trás para saber se alguém vinha atrás de mim e foi quando vi o Fernando tranquilamente parado à porta." O depoimento foi prestado esta quinta-feira em tribunal, na segunda sessão do julgamento do triplo homicídio que aconteceu em outubro do ano passado numa barbearia em Lisboa, por uma das testemunhas que de encontrava barbearia na altura do crime.
O homem, que estava a cortar o cabelo, pediu para não ser identificado à saída, pela garagem, por temer represálias da parte do arguido, Fernando Silva, que não assistiu ao depoimento, à semelhança do que aconteceu na primeira sessão.
A testemunha explicou que era a primeira vez que ia à barbearia de Carlos Pina, estava de costas na cadeira e só viu Fernando pelo espelho, mas apercebeu-se que era alguém mal educado porque quando entrou no estabelecimento não cumprimentou ninguém e exigiu logo que lhe cortassem o cabelo.
Quando Carlos Pina pediu que aguardasse, conta que Fernando de imediato fez um disparo. "Ouvi três tiros, hesitei se devia sair porque ele podia disparar contra mim, mas fugi e vi as três pessoas no chão. Quando encontrei a polícia, disse o que vi, mas como só ouvi três tiros e eram três pessoas, pensei que pudessem estar vivas."
Carlos Pina era o proprietário da barbearia e foi uma das vítimas mortais. No local morreram ainda Bruno Neto e Fernanda Júlia, um casal de Alenquer que se encontrava à porta do estacionamento. Júlia tinha dois filhos e estava grávida quando foi assassinado.
A família do arguido só pôde entrar na sala de audiência após o depoimento da testemunha.