Antigo presidente norte-americano não tomou uma posição oficial, mas tem falado com algumas pessoas sobre as fragilidades de Biden
O antigo presidente norte-americano Barack Obama disse a algumas pessoas próximas nos últimos dias que o trajeto de Joe Biden até à vitória está mais dificultado e que ele acha que o presidente precisa considerar seriamente a viabilidade de sua candidatura, avançou o Washington Post citando fontes próximas de Obama.
Obama só falou com Biden uma vez desde o debate com Trump e deixou claro nas suas conversas com outros que o futuro da candidatura de Biden é uma decisão que cabe só ao presidente. Obama terá sublinhado que a sua preocupação é proteger Biden e o seu legado, e rejeitou a ideia de que poderá influenciar o processo de tomada de decisão de Biden.
Nos bastidores, Obama tem estado profundamente envolvido em conversas sobre o futuro da campanha de Biden, atendendo telefonemas de muitos democratas ansiosos, incluindo a ex-presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e partilhou as suas opiniões sobre os desafios do presidente, de acordo com as mesmas fontes. Nessas conversas, Obama disse que considera que Biden tem sido um grande presidente e quer proteger as suas conquistas políticas, que podem estar em perigo se os republicanos controlarem a Casa Branca e ambas as câmaras do Congresso no próximo ano.
Obama terá manifestado, em círculos fechados, preocupação com os números apresentados nas sondagens, que dão uma vitória clara a Trump, e com o facto de alguns doadores estarem a abandonar o presidente.
Ao jornal, um porta-voz de Obama não quis comentar.
Num momento em que Joe Biden se encontra isolado na sua casa de praia em Delaware, após um teste positivo à covid-19, aumenta a tensão dentro do Partido Democrata para o presidente reequacionar a sua decisão de se recandidatar.
Após o fraco desempenho de Biden no debate presidencial do mês passado, muitas questões têm sido levantadas sobre a sua idade e a sua saúde – que há muito são a sua maior fraqueza política, pelo menos desde 2019. Na última semana, vários incidentes foram considerados sinais de que Biden não está em suficiente boa forma para convencer os eleitores de que poderia derrotar Trump, muito menos servir mais quatro anos como comandante-em-chefe.