REVISTA DE IMPRENSA | Apesar de os saldos crescerem no papel, os juros pagos pelos bancos permanecem
Os depósitos a prazo continuam a concentrar a maior fatia das poupanças das famílias portuguesas, mas estão a traduzir-se numa perda real de riqueza há mais de dez anos, noticia o Jornal de Notícias. Apesar de os saldos crescerem no papel, os juros pagos pelos bancos permanecem, na maioria dos casos, abaixo da inflação.
Em 2026, a tendência mantém-se: com a inflação estimada em 2,8% e a taxa média dos novos depósitos a rondar 1,36%, o rendimento não compensa a subida dos preços. O resultado é uma erosão contínua do poder de compra, mesmo quando o dinheiro aumenta ligeiramente no extrato bancário.
Segundo dados do Banco de Portugal, os portugueses tinham mais de 112 mil milhões de euros aplicados em depósitos a prazo em fevereiro, um valor que tem vindo a crescer desde 2020, impulsionado pela procura de segurança durante a pandemia.
Especialistas alertam que esta opção, embora segura em termos nominais, não protege contra a inflação. A diferença entre juros e subida dos preços traduz-se numa perda silenciosa, muitas vezes ignorada pelas famílias.
Apesar disso, os depósitos continuam a ser preferidos, refletindo baixos níveis de literacia financeira e confiança no sistema bancário. Ainda assim, há alertas para a necessidade de diversificação e para uma análise cuidada das condições, num contexto em que o dinheiro, na prática, vale cada vez menos.