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"É melhor" que Centeno e "é independente": Governo nomeia Álvaro Santos Pereira, ex-ministro de Passos, para o Banco de Portugal

24 jul 2025, 14:13
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Um Governo do PSD nomeia assim um ex-ministro do PSD para substituir um ex-ministro do PS nomeado por um Governo do PS. Ministro da Presidência alega que Álvaro Santos Pereira "não vem de nenhum Governo"

Álvaro Santos Pereira é o novo governador do Banco de Portugal, funções que vai assumir depois do verão. O nome do sucessor de Mário Centeno foi anunciado após a reunião do conselho de ministros desta quinta-feira.

"Álvaro Santos Pereira é melhor para o cargo de governador do que Mário Centeno", justificou esta quinta-feira o ministro da presidência, Leitão Amaro, em conferência de imprensa. "É independente, não vem de nenhum governo", argumentou o atual ministro sobre o ex-ministro do PSD agora nomeado para governador, sublinhando: "Não é governante há mais de uma década, não é membro de nenhum partido político, nunca foi candidato por um partido político, serviu Portugal."

Confrontado sobre se Mário Centeno não foi reconduzido pelo seu passado como ministro de António Costa - os governadores costumam ser reconduzidos e quebra-se assim uma tradição -, Leitão Amaro insistiu: "Álvaro Santos Pereira é melhor escolha e a melhor escolha." "É um profundo conhecedor da economia portuguesa e internacional e do sistema financeiro."

Quem é Álvaro Santos Pereira

Ex-ministro da Economia (entre 2011 e 2013) do Governo de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira é licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra. Doutorou-se em Economia pela Universidade Simon Fraser, em Vancouver, Canadá, onde lecionou Desenvolvimento Económico e Política Económica. Foi igualmente professor visitante na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, em cujo departamento de Economia leccionou entre 2000 e 2004. Entre 2004 e 2007 foi docente de Economia Europeia e Desenvolvimento Económico no departamento de Economia da Universidade de Iorque, no Reino Unido. É atualmente economista-chefe da OCDE.

Álvaro Santos Pereira é também autor de vários livros, como "Portugal na Hora da Verdade", "O Medo do Insucesso Nacional", "Os Mitos da Economia Portuguesa" e "Diário de um Deus Criacionista". Foi colunista de vários órgãos de comunicação social ("Diário de Notícias", "Público", "Diário Económico", "Expresso", "Exame" e "Jornal de Notícias").

O governador do banco central é indicado pelo Governo, mas antes de assumir funções tem de passar pela Assembleia da República para uma audição. Como as comissões parlamentares apenas funcionam até esta sexta-feira, esse processo só deve ocorrer em setembro, quando os trabalhos parlamentares forem retomados.

Centeno queria continuar

Mário Centeno tinha-se mostrado disponível para continuar à frente do banco central, mas o ex-ministro das Finanças não foi reconduzido.

Ao longo do mandato, foram vários os momentos de tensão entre o governador e o Governo, e, a dias da escolha do novo nome, o executivo decidiu pedir uma auditoria à Inspeção Geral de Finanças (IGF) sobre o processo de construção do novo edifício do Banco de Portugal na cidade de Lisboa.

Centeno era governador desde 20 de julho de 2020, por escolha do Governo de António Costa, depois de ter sido ministro das Finanças em dois executivos do PS, no XXI Governo Constitucional (2015-2019) e no XXII Governo Constitucional (2019-2020).

Formalmente, o mandato de Mário Centeno terminou no domingo.

O mandato do governador dura cinco anos, até julho de 2030.

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