Paulo Macedo. A banca portuguesa está "mais bem preparada" mas há "uma ameaça" no horizonte

CNN Portugal , JGR
20 jun, 16:09

O líder do maior banco português falou ainda sobre o impacto de uma possível subida das taxas de juro nas famílias e nas empresas portuguesas

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, considera que a maior ameaça à banca portuguesa seria uma recessão global. Em declarações na primeira edição do CNN Portugal Summit, que teve como tema “A Economia portuguesa num contexto de incerteza”, o líder do banco público português garantiu que os bancos estão agora mais bem preparados para lidar com possíveis imprevistos, mas alerta que os bancos sistémicos não podem estar bem se a económica não estiver bem.

“A maior ameaça seria uma recessão global. A Caixa Geral de Depósitos e os restantes bancos sistémicos não podem estar bem se a economia portuguesa não estiver bem. Da mesma maneira que a Caixa beneficia quando o país está bem”, afirmou.

Paulo Macedo relembra que, ao contrário do que aconteceu há uns anos, com a banca a perder acesso aos mercados de capitais, mesmo durante a cise da covid-19 “a banca mostrou que fez parte da solução”.

“A banca hoje tem rácios de capital que são o dobro dos de há dez anos. Os bancos melhoraram a análise de risco, aumentaram os seus ratings e isso é bom para o sistema financeiro como um todo”, sublinha o banqueiro, embora aponte ainda que a economia se encontra num período de “normalização”, após o “cenário anormal” verificado nas taxas de juro dos últimos anos.

Sobre o impacto do aumento das taxas de juro nas famílias e nas empresas portuguesas, Paulo Macedo desdramatizou: “As famílias e as empresas fizeram uma verdadeira desalavancagem nestes últimos anos. Neste momento, temos uma dívida privada semelhante à média europeia. De acordo com os dados do Banco de Portugal, as empresas melhoraram a sua autonomia financeira”.

A concessão de crédito, no entender do líder da Caixa, vai ficar mais apertada. Além disso, Macedo garante que atualmente “existe também um nível de poupança muitíssimo significativo”.

“O mês de maio foi o maior mês de crédito a habitação na banca, porque as taxas de juro continuam a níveis historicamente baixos. As taxas de juro reais estão extremamente negativas”, destacou.

Questionado sobre se pagamos mais do que nunca por termos uma conta no banco, Paulo Macedo diz que essa é uma questão que dá para ver de “duas maneiras” e que nunca os bancos ofereceram tantos serviços.

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