Banco de Portugal usa provisões para anular perdas de 1.054 milhões de euros

CNN Portugal , AM com Lusa
16 mai, 11:07

Balanço de 2023 totalizava 185 mil milhões de euros, menos 13 mil milhões do que no final de 2022

O Banco de Portugal usa provisões e impostos para anular perdas de 1.054 milhões de euros, adianta a instituição em comunicado, acrescentando que "no final de 2023, o balanço do Banco de Portugal totalizava 185 mil milhões de euros, menos 13 mil milhões do que no final de 2022".

"O resultado antes de provisões e impostos (RAPI) de 2023 foi negativo em -1054 milhões de euros. A materialização do risco de estrutura de balanço criou um desencontro entre a remuneração dos ativos e o custo dos passivos. Os títulos dos programas de política monetária apresentaram rentabilidades fixas inferiores às dos passivos de curto prazo, que são remunerados a taxas variáveis, associadas maioritariamente às taxas de política monetária, gerando uma margem financeira negativa. A redução significativa do resultado líquido da repartição do rendimento monetário também contribui para a deterioração do RAPI.

No relatório divulgado esta quinta-feira, o BdP reporta ter obtido um resultado antes de provisões e impostos (RAPI) negativo em 1.054 milhões de euros em 2023, em resultado das reduções da margem de juros e de um pior resultado líquido da repartição do rendimento monetário.

“Com a materialização do risco de estrutura de balanço, o Banco decidiu utilizar a provisão para riscos gerais para cobertura completa do RAPI, tornando o resultado antes de impostos (RAI) de 2023 nulo”, refere.

No que se refere à aplicação dos resultados de 2023, o relatório aponta que “o resultado líquido negativo do ano de 2023 de 109.678,37 euros, decorrente do reconhecimento da estimativa do imposto sobre o rendimento, será transferido para resultados transitados”, conforme despacho do ministro de Estado e das Finanças.

Segundo o banco central, “a materialização do risco de estrutura de balanço criou um desencontro entre a remuneração dos ativos e o custo dos passivos”, tendo os títulos dos programas de política monetária apresentado “rentabilidades fixas inferiores às dos passivos de curto prazo, que são remunerados a taxas variáveis, associadas maioritariamente às taxas de política monetária, gerando uma margem financeira negativa”.

Para a deterioração do RAPI contribuiu ainda “a redução significativa do resultado líquido da repartição do rendimento monetário”.

No final do ano passado, o balanço do BdP ascendia a perto de 185.000 milhões de euros, menos 13.000 milhões de euros do que em 2022.

De acordo com o banco central, “esta evolução traduziu, em grande medida, a diminuição do financiamento às instituições de crédito, com o vencimento de grande parte das operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (TLTRO III)”.

Resultou ainda da “redução dos títulos detidos para fins de política monetária, em decorrência do fim do reinvestimento do vencimento de títulos do Programa de Compras de Ativos (‘asset purchase programme’ - APP)”.

Em 2023, a despesa de funcionamento do BdP totalizou 197 milhões de euros, destacando o banco central que, “apesar do cenário inflacionista, estes gastos tiveram uma variação contida de +0,8%, continuando a refletir uma política de racionalização e contenção de despesas”.

Entre as principais rubricas, os gastos com pessoal caíram de 130,7 para 125,1 milhões de euros no ano passado.

“Assim como, nos últimos anos, a política monetária influenciou positivamente o balanço do Banco, o seu efeito faz-se agora sentir em sentido contrário. À medida que o enquadramento monetário seguir uma trajetória de normalização no médio prazo, é expectável que o mesmo aconteça com os resultados”, refere o BdP.

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