BCE avisa: é cada vez mais provável uma recessão técnica na zona euro

Agência Lusa , BC
16 nov, 10:17
Preços, dinheiro, euro, inflação, economia. Foto: Marijan Murat/picture alliance via Getty Images

Relatório semestral do Banco Central Europeu admite riscos para a estabilidade financeira na zona euro, com aumento da inflação e abrandamento da atividade económica

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, advertiu esta quarta-feira para o aumento da probabilidade de uma recessão técnica na zona euro, ou seja, dois trimestres consecutivos de contração económica.

Guindos alertou para o aumento dos riscos para a estabilidade financeira quando apresentou o relatório semestral da instituição sobre o assunto.

"As pessoas e as empresas já estão a sentir o impacto do aumento da inflação e do abrandamento da atividade económica", disse Guindos.

"A nossa análise é que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram, enquanto uma recessão técnica na zona euro é mais provável", acrescentou o vice-presidente do BCE.

"Ao mesmo tempo, as condições financeiras tornaram-se mais rigorosas à medida que os bancos centrais atuam para controlar a inflação", de acordo com a instituição monetária europeia.

O BCE começou a aumentar as suas taxas de juro em julho e estas estão atualmente em 2%, embora se espere que as aumente ainda mais.

As famílias, as empresas e os governos que têm dívidas mais elevadas são os que enfrentam mais problemas face à subida das taxas de juro, mas também os mercados financeiros, em particular alguns fundos de investimento.

Os problemas poderiam aparecer simultaneamente e reforçar-se mutuamente.

As empresas também enfrentam mais desafios "devido aos preços mais elevados da energia e a outros custos dos fatores de produção" e os seus lucros irão diminuir à medida que os custos de financiamento aumentarem.

"Se as perspetivas se deteriorarem ainda mais, não se pode excluir um aumento da frequência de incumprimentos por parte das empresas, especialmente no caso de empresas com utilização intensiva de energia", prevê o BCE.

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