Governador do Banco Central da Croácia foi o grande vencedor
O resultado da eleição desta segunda-feira para vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) foi, em grande parte, condicionado pelo que vai acontecer no ano que vem. É aí que o BCE vai ter um novo presidente, o cargo mais importante da instituição hoje liderada por Christine Lagarde.
Simplificando as negociações com gíria do próprio BCE, estas eleições fazem-se entre os chamados falcões e pombas - uns mais austeros, outros mais flexíveis, respetivamente -, sendo que é sempre necessário o apoio de grandes países como Alemanha, França ou Espanha.
Mais uma vez, e como tanto se tem assistido nas negociações da União Europeia, são os frugais contra os outros. O norte contra o sul, relação sempre bem personificada nas célebres declarações do então presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem: "Não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda".
No fundo, o candidato português acabou por não ter o apoio de alguns desses grandes países por haver interesse na eleição do ano que vem. Na prática, e tal como Mário Centeno, também os candidatos que França e Espanha espera levar estão do lado das pombas, o que dava força à vitória de um falcão nesta eleição.
Se apoiassem Mário Centeno agora, Espanha e França teriam mais dificuldade em fazer passar os seus nomes daqui a um ano. Além disso, a Alemanha nunca se comprometeu com o apoio ao português, deixando sempre em aberto a possibilidade de apoiar os croatas.
Perante este cenário, o Eurogrupo escolheu o governador do Banco Central da Croácia, Boris Vujčić, como vice-presidente BCE, substituindo no cargo Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.
A CNN Portugal sabe que a escolha foi feita na terceira ronda, já composta por dois candidatos - e já sem Mário Centeno na corrida - de entre seis iniciais, com Boris Vujčić a arrecadar o necessário apoio (de 72% dos Estados-membros da área da moeda única - ou seja, pelo menos 16 dos 21 países do euro -, representando pelo menos 65% da população), face ao governador do Banco Central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn.
A votação decorreu à porta fechada na reunião dos ministros das Finanças do euro (Eurogrupo), em Bruxelas, na qual Portugal estava representado pelo governante da tutela, Joaquim Miranda Sarmento.
Na segunda ronda de votações, o Governo português retirou a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno à vice-presidência do BCE, num esforço para consenso que levou à retirada dos menos votados.
A votação recaía, inicialmente, sobre seis candidaturas: a do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro das Finanças, Mário Centeno; do governador do banco central da Letónia, Mārtiņš Kazāks; do governador do banco central da Estónia, Madis Müller; do governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn; do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Šadžius; e do governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić.
Na primeira ronda, que durou cerca de uma hora, a Lituânia e a Estónia retiraram os seus candidatos à vice-presidência do BCE.
Já na segunda, e também por angariar menos apoio, Portugal retirou a candidatura de Mário Centeno, assim como fez a Letónia com a do governador do banco central letão.
A terceira ronda foi disputada pelos candidatos da Croácia e da Finlândia, tendo ganhado o primeiro.