Os danos provocados pela tempestade Kristin na região Centro não deixaram ninguém indiferente. Mesmo passadas duas semanas, com parte dos acessos e das comunicações já restabelecidas e com medidas de apoio anunciadas pelo Governo, continua a impressionar o grau de devastação causado na madrugada de 28 de janeiro.
Ao mesmo tempo, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de o poder central assumir, de forma estrutural, a importância da prevenção e do planeamento de resposta a fenómenos climáticos extremos, que se têm tornado mais frequentes em Portugal e com impactos cada vez mais significativos.
Se, nos dias que se seguiram à tempestade, assistimos a um movimento de solidariedade cidadã verdadeiramente comovente, não deixam de se colocar questões fundamentais sobre o papel que os bancos devem desempenhar num momento de crise coletiva. Enquanto representante sindical, essa reflexão impõe-se de forma particular.
A resposta é clara: a responsabilidade da banca deve ser imediata e plena. Enquanto agentes económicos centrais, os bancos têm de estar atentos ao pulsar da sociedade e assumir, nestes momentos, uma função ativa enquanto parceiros da recuperação nacional no apoio à liquidez das famílias ou no suporte às empresas.
A banca deve estar ao lado dos municípios, das famílias, das autarquias e do próprio Governo na implementação de linhas de crédito, moratórias, alargamento de prazos, redução temporária de taxas, isenção de comissões e no apoio à tesouraria. É nestes momentos que as instituições bancárias demonstram, de forma concreta, o seu compromisso de empatia para com os cidadãos e empresas que lhes confiam o fruto de um trabalho tantas vezes árduo.
Este apoio tem de ser prestado de forma célere, sem burocracias paralisantes e com sensibilidade à realidade local, sobretudo nos territórios do interior, tantas vezes esquecidos.
Importa, igualmente, não esquecer os trabalhadores bancários que representamos. É de saudar o esforço que têm vindo a desenvolver na operacionalização e no processamento das medidas de emergência, mas esse empenho deve ser sempre acompanhado pelo respeito pela dignidade das condições de trabalho, particularmente nos picos de procura por parte dos cidadãos e empresas, e por uma justa retribuição. A função social da banca cumpre-se também através da valorização dos homens e mulheres que integram os seus quadros profissionais.
Este é, precisamente, o momento para os bancos assumirem plenamente a sua responsabilidade social, afirmando-se como parceiros na recuperação dos danos causados pela tempestade Kristin. Perante comunidades fragilizadas, famílias que perderam casas e bens essenciais e empresas cuja atividade foi profundamente afetada, a banca tem não só a responsabilidade, mas também a oportunidade de demonstrar que faz parte da solução – com respostas rápidas, sensíveis e solidárias a quem mais precisa.