Na minha perspetiva, o futuro da banca não será definido pelas instituições que melhor resistirem, mas sim por aquelas que mais rapidamente se reinventarem. A inovação deixou, por isso, de ser uma escolha estratégica para se tornar uma condição de sobrevivência.
Durante décadas, a solidez de um banco era suficiente para garantir a sua longevidade. Hoje, o cenário é diferente, uma vez que a concorrência já não se limita às instituições financeiras tradicionais. Os bancos competem com qualquer entidade que ofereça uma melhor experiência financeira, seja uma Big Tech ou uma fintech. Esta nova dinâmica competitiva, aliada a um cliente cada vez mais digital e volátil, está a corroer a lealdade tradicional. O Accenture Global Banking Consumer Study revela que, no último ano, 58% dos consumidores recorreram a um novo fornecedor de serviços financeiros - uma realidade que confirma a importância crescente da inovação como fator de competitividade.
As expectativas dos consumidores são agora moldadas pelas melhores experiências digitais que vivem no seu dia-a-dia, e o setor financeiro não é exceção. O padrão de exigência deixou de ser definido pelo setor financeiro e passou a ser ditado por empresas como a Apple ou a Revolut, que oferecem experiências digitais instantâneas e personalizadas. A realidade é que os clientes não comparam bancos com bancos; comparam experiências com experiências.
Neste novo contexto, o verdadeiro significado de inovação tem de ser desmistificado. Não se trata apenas de tecnologia ou de criar apps com um design apelativo. Inovar na banca não é apenas digitalizar processos, é redesenhar o próprio modelo de funcionamento, desde a estrutura operativa e a eficiência interna até à forma como se tomam decisões e se integram sistemas. Por isso, a inovação deixou de ser uma vantagem competitiva e passou a ser um requisito mínimo.
Contudo, o fator crítico que vai separar os líderes dos seguidores não é o investimento nem o anúncio, mas a execução. Na banca, a diferença não está em quem fala mais de inovação, mas em quem a consegue implementar e entregar de forma consistente e segura. Num mercado cada vez mais digital, a inércia tornou-se o maior risco de todos. Os bancos que não se adaptarem não vão desaparecer de imediato. Vão tornar-se gradualmente invisíveis e, com isso, progressivamente menos relevantes para os clientes e menos rentáveis para os acionistas.
Como referi em artigos anteriores, a confiança continua a ser o pilar do setor. A grande diferença é que, hoje, essa confiança constrói-se também através da capacidade de mudar, melhorar e entregar, sempre em resposta ao que os clientes procuram. A tecnologia não substitui a confiança, mas redefine a forma como ela é construída. O futuro não pertence aos mais antigos nem aos mais tecnológicos, mas sim aos que conseguem integrar ambos. Será, pois, a capacidade de combinar a solidez do passado com a agilidade tecnológica do presente que vai definir o futuro da banca.
A inovação não é um objetivo em si mesma, mas o único caminho para garantir relevância num setor que está a ser redesenhado em tempo real. A questão já não é se os bancos vão mudar, mas quais conseguirão fazê-lo a tempo.
