Segundo os números do novo século, o PSG tem 45% de hipótese de ter o próximo Ballon d'Or
Com o final da temporada a aproximar-se, mas com um Mundial de Clubes ao virar da esquina, muitos nomes começam a ‘orbitar’ o troféu da Bola de Ouro e a figurar na lista de favoritos a conquistar a distinção de melhor jogador do mundo.
O atual detentor do prémio é Rodri, mas não é pela Premier League que o destino da próxima Bola de Ouro deverá passar, apesar de uma época em plano de destaque para Mohamed Salah, que apontou 34 golos e 23 assistências em 52 partidas no título do Liverpool, ou para Bukayo Saka, que marcou por 12 vezes e assistiu por 13 em 37 jogos, ajudando o Arsenal a chegar às meias-finais da Champions League.
Tendo em conta o que Cristiano Ronaldo disse na conferência de imprensa de antevisão à final da Liga das Nações, o vencedor “deve ser de uma equipa que ganhou a Liga dos Campeões”. À parte das qualidades individuais demonstradas no Real Madrid, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé, que foram eliminados da competição nos quartos de final, deverão estar de fora da corrida.
Se olharmos para o critério que Cristiano Ronaldo propôs no último sábado, das 24 Bolas de Ouro do novo século, apenas 11 foram entregues a jogadores que venceram a Liga dos Campeões no ano dessa distinção - algo que não acontece há duas edições, desde que Karim Benzema venceu o galardão em 2022. Um dos jogadores que o fizeram mais vezes foi… Lionel Messi, que ganhou cinco Bolas de Ouro em épocas que não venceu a Champions, sendo que numa delas ganhou o Mundial de seleções, no Catar.
No plano teórico, vários são os jogadores que têm qualidade para, pelo menos, sonhar com a Bola de Ouro. Lamine Yamal tem apenas 17 anos, mas já demonstra, em tão tenra idade, a capacidade de se destacar numa equipa com a qualidade do Barcelona, tendo contribuído com 18 golos e 21 assistências pelo conjunto blaugrana, ao lado de Raphinha, que teve números ainda mais expressivos: 34 golos e 22 assistências em 57 jogos pelos culés. E há ainda Pedri que, aos poucos, parece ter vestígios da mesma ‘poção’ que a cantera blaugrana deu de beber a Xavi e Iniesta. No caso do primeiro e do terceiro há ainda o papel de relevo na seleção espanhola.
Estes são três nomes que não deverão ser postos de lado na hora de entregar o galardão. Os três caíram nas ‘meias’ da Champions, aos pés de um Inter de Milão que viria a cair com ainda mais força perante o PSG.
Antes de falarmos do campeão europeu, passando pelas meias-finais, há que mencionar ainda Martin Odegaard. Sem números tão expressivos como os de outros jogadores ou das suas anteriores temporadas, o médio norueguês acabou por ser uma das caras de um Arsenal que continua em (r)evolução e que conseguiu uma discussão olhos nos olhos por um lugar na final da Liga dos Campeões. Odegaard marcou sete golos e assinou 11 assistências, mas o seu futebol vai além dos números, sendo um médio ofensivo capaz de desbloquear um jogo ‘amarrado’, com um drible ou um passe que podem resolver um jogo. Para já, resolveu jogos, mas ainda não conseguiu resolver campeonatos ou títulos de relevância internacional, mas pode ter mais peso nas próximas edições da Bola de Ouro, se conseguir ser uma das caras de um Arsenal pós-(r)evolução.
Entre os vencidos da final, o nome de Lautaro Martinez é o que apresenta mais condições para poder sonhar com o galardão de melhor do mundo. O argentino de Bahía Blanca é a cara e o capitão de um Inter que, nas últimas três épocas, ‘bateu no poste’ por duas vezes, na final da Liga dos Campeões, tendo perdido a última por 5-0 e a antepenúltima por 1-0, diante do Manchester City. Do lado positivo, é, também a cara de um Inter duplamente finalista da Champions, sendo parte integrante, a nível de seleções, da Argentina que conquistou o Campeonato do Mundo e de duas Copas América.
Voltando, agora sim, os holofotes para os príncipes da Europa do futebol. Há, realisticamente, três nomes a reter: Dembélé, que foi o abono de família dos PSG, com 33 golos e 14 assistências em 49 jogos; Vitinha, para muitos o melhor médio centro do mundo, que pegou na ‘batuta’ do PSG e decidiu por que caminhos, de que forma e com que velocidade é que a bola chegava aos seus colegas, com números que não traduzem por completo a importância do português na execução do plano de jogo de Luis Enrique na conquista da prova milionária, com três assistências e sete golos; Nuno Mendes, que parou, na mesma campanha da Champions, Yamal, Salah e Bukayo Saka, por exemplo, até à final em Munique, onde participou, à semelhança dos seus colegas aqui mencionados, na mais larga vantagem de sempre numa final da Liga dos Campeões.
Mas não ficou por aqui: dos nomes mencionados, houve dois (mais um) que ainda adicionaram ao seu palmarés mais um título - neste caso, de seleções.
Nuno Mendes - que foi eleito o melhor jogador da final four da Liga das Nações - criou e assistiu o golo da vitória frente à Alemanha, empatou o jogo contra a seleção espanhola e voltou a criar e a assistir outro golo do empate frente aos espanhóis, valendo, no fim de contas, mais um título internacional ao lado de Vitinha e João Neves, que pode ter, também, a sua (merecida) menção honrosa na hora de elencar um lote de melhores do mundo.
Dembélé, que, segundo Luís Enrique estaria na pole position para levar o tão desejado galardão, pode ter perdido algum terreno em Munique para os seus colegas de equipa. Já Lamine Yamal perdeu de certeza, já que foi completamente abafado por Nuno Mendes.
Segundo várias casas de apostas, Dembélé surge, atualmente, como o grande favorito para vencer a próxima Bola de Ouro, com Vitinha em terceiro lugar, atrás de Lamine Yamal. Nuno Mendes não surge na grande maioria das casas de apostas que recompensam quem previr o próximo Bola de Ouro - algo que poderá mudar muito em breve.
À espreita está o Mundial de Clubes, que pode ajudar a trilhar caminho para a resposta à questão sobre quem será o próximo Bola de Ouro - uma competição que, se for ganha por Dembélé… também será conquistada por Nuno Mendes e Vitinha. Aqui perde terreno Lamine Yamal, já que o Barcelona não vai aos Estados Unidos.