Os Balcãs albergam alguns dos rios mais limpos e selvagens da Europa
Milhares de quilómetros de rios foram danificados nos últimos anos nos Balcãs pela proliferação de barragens e pequenas centrais hidroelétricas, além da extração excessiva de sedimentos, segundo um estudo que recorda que estes são o "coração azul da Europa".
Os Balcãs albergam alguns dos rios mais limpos e selvagens da Europa, cruciais para a biodiversidade do continente, mas estão cada vez mais ameaçados por uma onda de projetos de infraestruturas, sublinha o estudo publicado na quarta-feira pelas ONG Riverwatch e Euronatur.
Nos últimos anos, toda a região dos Balcãs tem assistido a uma proliferação de pequenas centrais hidroelétricas, generosamente subsidiadas, e de investidores ávidos por explorar uma fonte de energia fiável e renovável.
De acordo com um relatório de 2024 das associações Euronatur e Riverwatch, existem aproximadamente 1.800 barragens nos Balcãs e mais de 3.000 projetos de construção planeados.
Dos 83.824 km de rios estudados, o relatório centra-se particularmente nos rios ditos "quase naturais", ou seja, cursos de água com caudal intacto ou quase intacto e planícies de inundação naturais.
Estes rios quase intocados representavam 30% dos cursos de água da região em 2012. Em 2025, representariam apenas 23%. Uma "perda devastadora de 2.450 quilómetros de cursos de água".
Essenciais para a preservação ambiental, estes rios estão particularmente ameaçados na Albânia e na Bósnia e Herzegovina.
Na Bósnia, "a proporção de rios intactos diminuiu 23%" entre 2012 e 2025.
Na Albânia, "a proporção de troços de rios quase naturais caiu de 68% em 2012 para apenas 40% em 2025 — uma redução drástica de 28%", observou o relatório.
Pela positiva, salienta-se que, em 2023, o Governo albanês concedeu ao rio Vjosa, um dos últimos rios selvagens da Europa, o estatuto de parque nacional. Isto permitiu "bloquear com sucesso quase 40 barragens planeadas".
"No total, cerca de 200 km de grandes cursos de água e 700 km de rios mais pequenos foram preservados nos Balcãs" graças a vitórias judiciais, sublinharam os autores do relatório.