Balão-espião: o que é, desde quando é usado e porque é que alguns o preferem aos modernos satélites

CNN Portugal , DCT
3 fev 2023, 09:31
Balão em Washington (Larry Mayer/The Billings Gazette/AP)

Um balão de espionagem foi avistado a sobrevoar os Estados Unidos e o Canadá durante dois dias. Mas, afinal, do que se trata?

O que é?

Também chamado de balão de observação ou balão de espionagem, o balão-espião é, na verdade, aquilo mesmo que o nome indica: um balão que espia. Através de sistemas tecnológicos, recolhe informação e observa, sobretudo artilharia de guerra. Segundo o The Guardian, este equipamento de espionagem pode conter radares e ser ‘alimentado’ por energia solar. 

Desde quando é usado?

Os Estados Unidos foram o primeiro país a usar este sistema, em 1860, durante a guerra civil americana, mas de uma forma um tanto ou quanto arcaica - eram usados balões de ar quente e espiões, que recolhiam informação e enviavam-na em código morse. Segundo a CNN Internacional, o uso de balões de espionagem tal como os que agora se conhecem, ainda que tecnologicamente menos desenvolvidos, ganhou protagonismo na Guerra Fria.

Quais as vantagens?

Os avanços tecnológicos e o desenvolvimento de potentes satélites tiraram o balão espião de cena durante algum tempo, mas foi a própria tecnologia que o trouxe de volta, com a criação de cargas de balão mais leves e baratas, tornando este velho engenho de espionagem predileto face aos ainda caros e pesados satélites. Apesar de não oferecer o mesmo nível de vigilância dos satélites, o lançamento e a recolha deste balão é mais barato, para não dizer que conseguem manter-se mais tempo operacionais pelo simples facto de se movimentarem de forma mais lenta, explica o jornal britânico.

Mas são várias as vantagens e uma delas é a dificuldade de ser detetado - como explicamos a seguir. Além disso, pode ser guiado através de computadores de bordo para aproveitar os ventos.

O facto de um balão-espião sobrevoar a uma altitude que varia entre os 24 mil e os 37 mil metros, que é bem acima da usada nos voos comerciais (12 mil metros), dos caças de maior desempenho (que normalmente não operam acima dos 20 mil metros de altitude), assim como dos aviões espiões (por exemplo o U-2, que sobrevoem, em média, a 24 mil metros de altitude), faz com que haja “terreno” suficiente para continuar a explorar os avanços destes sistemas de espionagem, explica a Reuters.

É fácil de detetar?

Nem por isso. Apesar de sobrevoar a baixa velocidade, o balão de espionagem tem emissões baixas, o que faz com que seja “difícil de detetar com a tecnologia de vigilância”, como explica à CNN Internacional Blake Herzinger, especialista em política de defesa do Indo-Pacífico no American Enterprise Institute.

Vai continuar a ser usado no futuro?

Sim, até porque, garante John Blaxland, professor de segurança internacional e estudos de segurança na Australian National University e autor do livro Revealing Secrets, “não há limite para o tipo de tecnologia que se pode colocar no fundo do balão”.

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