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Há dez anos trabalhava num supermercado. Hoje enche estádios em todo o mundo. O que é que Bad Bunny tem?

23 mai, 18:00
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O porto-riquenho Benito Martínez cresceu a ouvir salsa e merengue e começou a carreira na mesma altura em que "Despacito" estourava nas rádios. Canta em espanhol, dá nas vistas ao desfilar numa passadeira vermelha e não poupa nas críticas ao governo norte-americano. É um fenómeno musical, mas também político

É o artista mais ouvido do mundo. Já fez wrestling. Irritou Donald Trump. Foi convidado do “Saturday Night Live”. Namorou com uma Kardashian (Kendall Jenner). Apareceu na capa da Playboy. Foi o primeiro músico a ganhar um Grammy para Melhor Álbum do Ano com um disco cantado inteiramente em espanhol. Foi o primeiro em muitas outras coisas. Esta semana, Bad Bunny estará em Lisboa para dois concertos no estádio da Luz, na terça e quarta-feira. Espera-se um “Baile Inovidable”.

Mas quem é, afinal, este porto-riquenho de 32 anos de que toda a gente fala?

“Aquí mataron gente por sacar la bandera / Por eso es que ahora yo la llevo donde quiera (...) De aquí nadie me saca. De aquí yo no me muevo. Dile que esta es mi casa. Donde nació mi abuelo" (canção “La Mudanza”, Bad Bunny, 2025)

“Fora, Ice”, gritou Bad Bunny quando subiu ao palco para receber um dos três prémios Grammy que ganhou em fevereiro. Crítico ferrenho da repressão à imigração do presidente Donald Trump, o músico porto-riquenho dedicou a sua vitória a “todas as pessoas que tiveram de deixar a sua terra natal, o seu país, para seguirem os seus sonhos”. Não eram apenas slogans. Sabia bem do que falava.

Originário de Porto Rico, arquipélago que é um território não incorporado dos Estados Unidos (ou seja, que não pertence aos EUA embora esteja sob domínio dos EUA desde 1898), Bad Bunny é um orgulhoso representante daquilo a que os porto-riquenhos chamam de “geração da crise”: aqueles que cresceram na ilha na década de 2000 e têm poucas recordações dos seus dias melhores. Tinha 12 anos quando a economia de Porto Rico entrou numa recessão da qual nunca mais recuperou. Setores inteiros entraram em colapso após o fim do benefício fiscal federal para empresas, em 2006. Com um governo mergulhado na corrupção, encerramento de escolas, cortes de energia e aumento da violência, a crise económica e social levou muitos residentes a procurar emprego nos Estados Unidos. A população da ilha diminuiu 11,8% entre 2010 e 2020.

As imposições do governo americano, nomeadamente na questão fiscal, “tornaram impossível ignorar as ligações entre as lutas quotidianas dos porto-riquenhos e a longa história do colonialismo norte-americano no arquipélago. Este é o contexto sociopolítico que moldou os anos de formação de Bad Bunny”, escrevem as professoras universitárias Vanessa Días e Petra R. Rivera-Rideau, autoras do site Bad Bunny Syllabus, no livro “P FKN R: How Bad Bunny Became the Global Voice of Puerto Rican Resistance”, publicado no início deste ano.

Concerto de Bad Bunny no intervalo da Super Bowl em 2026 (GettyImages)

As autoras defendem que a “política de resistência” de Bad Bunny, que combina a celebração com o ativismo, trazendo as questões do arquipélago para o centro da cultura popular e defendendo consistentemente a independência de Porto Rico, é fruto do “tratamento desumano do governo dos EUA para com Porto Rico e do projeto colonial contínuo que perpetua na ilha”.

As músicas, até mesmo as que falam de corações partidos ou de noites de festa, nascem deste caldo cultural. E basta ouvir com alguma atenção as canções e as intervenções de Bad Bunny para perceber que para ele não existe distinção entre arte e política, uma e outra confundem-se no seu corpo e na sua voz.  “A política nas canções de Bad Bunny não aparece apenas quando ele menciona diretamente o governo, a gentrificação ou a história de Porto Rico. Ela vem antes: no ato de cantar de Porto Rico para Porto Rico, usando a sua língua e o seu ritmo caribenho sem os adaptar ao consumo externo”, escrevem Rocio Munoz e Alessandra Freitas na CNN.

Mas voltemos um pouco atrás.

De Benito Martínez a Bad Bunny

Benito Antonio Martínez Ocasio nasceu em 1994 em Bayamón, uma cidade do norte de Porto Rico. Cresceu em Vega Baja, uma pequena cidade a oeste de San Juan. O seu pai, Benito "Tito" Martínez, era camionista, e a sua mãe, Lysaurie Ocasio Declet, professora de inglês. Na infância, Benito era um menino tímido e sensível, que cantava no coro da igreja todos os domingos. Adorava música, tinha muitos CD e lembra-se de ouvir salsa e merengue, claro, mas também os pioneiros do reggaeton e os grandes sucessos da rádio da altura. A sua estreia a solo aconteceu num concurso de talentos do liceu, onde cantou o êxito "Mala Gente", do rocker colombiano Juanes. Mas estava longe de ser o performer que é hoje. “Não mexi um músculo”, contou numa entrevista.

Para grande desgosto da mãe, Benito deixou o coro da igreja aos 13 anos. Na adolescência ficava acordado até de madrugada a criar beats no computador e divertia-se a improvisar para os amigos da escola. Se não tinha nenhuma batida nova, improvisava sobre salsa. À medida que foi crescendo, entretinha os vizinhos da varanda com canções do cantor porto-riquenho de salsa Héctor Lavoe. Hoje, quando tem de falar dos tempos da juventude, recorda as suas várias fases musicais: houve uma fase bachata, uma fase indie-pop e até uma fase Bee Gees. O que ele gostava era de música, qualquer música.

Benito frequentou a Universidade de Porto Rico em Arecibo para estudar comunicação audiovisual e sonhava ser locutor de rádio. Mas não chegou a terminar o curso. Enquanto estudava e trabalhava como empacotador e caixa num supermercado, a música ganhou importância. Os primeiros lançamentos foram demos gravadas no dormitório e publicadas no site de streaming SoundCloud. Foi aí que surgiu Bad Bunny (Coelhinho Mau), o nome inspirado numa foto de Páscoa da sua infância, na qual estava a usar um fato de coelho. 

Os sucessos de 2016, “Diles” e “Soy Peor”, colocaram-no rapidamente no radar da indústria. Os fãs adoraram o seu estilo vocal enérgico, que soava como um rugido, e o modo como fundia elementos de trap com o reggaeton. Tinha 22 anos quando foi contactado por Noah Asaad, fundador da editora Rimas Entertainment (e que é o seu manager até hoje), que o convenceu a deixar o supermercado para se poder dedicar totalmente à música. A estratégia passava por publicar no YouTube, para conseguir monetizar as visualizações - o que acabou por se revelar bastante compensador.

Bad Bunny em outubro de 2017 (GettyImaes)

Em setembro de 2017, quando a popularidade de Bad Bunny começava a expandir-se para além de Porto Rico, os furacões Irma e Maria devastaram a ilha, causando mais de três mil mortes e destruindo mais de 300 mil casas. Bad Bunny estava em digressão pela América do Sul e voltou imediatamente. A tragédia despertou o seu lado mais político e influenciou as músicas que compôs nessa altura e que viriam a ser lançadas no seu primeiro álbum, “X 100pre”, lançado em 2018, pouco depois de os EUA descobrirem Bad Bunny através das colaborações com Cardi B (“I Like It”) e Drake (“Mía”). À medida que Porto Rico recuperava dos furacões, o talento em ascensão tornou-se motivo de orgulho local.

Em 2019 um escândalo político assolou Porto Rico: foram divulgadas mensagens ofensivas trocadas entre o governador, Ricardo Rosselló, e os seus assessores, algumas das quais ridicularizavam as vítimas do furacão. Milhares de pessoas saíram para as ruas a pedir a demissão do governador. Bad Bunny não só se juntou às manifestações como, com o rapper Residente e a sua irmã, iLe, escreveu uma canção de protesto chamada “Afilando los cuchillos” (Afiando as Facas), que se tornou o hino dos protestos. Rosselló acabou por anunciar a sua demissão.

“Eu faço o que quero”: Bad Bunny é a estrela do momento

Nesse ano, Bad Bunny lançou “Oasis”, um álbum colaborativo de oito canções com J Balvin, que alcançou o nono lugar na Billboard 200 e liderou a tabela Billboard US Latin Albums. Mas a verdadeira explosão aconteceu no ano seguinte. Em fevereiro de 2020, atuou com Jennifer Lopez, Shakira e J Balvin no intervalo do Super Bowl e lançou o seu segundo álbum, “YHLQMDLG “(acrónimo para “Yo Hago Lo Que Me Da La Gana”, ou seja, “eu faço o que quero”), que se tornou o LP em espanhol com a melhor posição nas tabelas dos EUA. De seguida, viajou para o México, onde começou a filmar as suas cenas para a série policial “Narcos”, da Netflix, onde interpretava o papel de Arturo “Kitty” Páez.

Durante a pandemia, lançou no Soundcloud a música "En Casita", manifestando solidariedade com todas as pessoas que estavam confinadas devido à covid-19. Depois, procurou nos seus baús e editou ainda a coletânea “Las que no iban a salir” (“as que não iam sair”). “Solo pensé: ‘Mierda, la gente necesita entretenimiento’”, explicou à Rolling Stone. E no final do ano ainda lançou mais um álbum, “El Último Tour Del Mundo”.

Bad Bunny e “YHLQMDLG” tornaram-se nesse ano o artista e o álbum mais reproduzidos do Spotify a nível global. Foi a primeira vez que um artista de música em língua não inglesa liderou a lista de final de ano. E, finalmente, o álbum recebeu o Grammy de Melhor Álbum Pop Latino ou Urbano. A partir daqui, torna-se impossível elencar todos os projetos em que o seu nome aparece, como compositor, cantor, produtor, ator, modelo, apresentador, convidado. É como se Bad Bunny estivesse constantemente a criar ou a fazer qualquer coisa - ou a quebrar alguma barreira. 

Bad Bunny nos Billboard Music Awards, 2021 (GettyImages)

Até à data, Bad Bunny já ganhou seis prémios Grammy e liderou a tabela global da Billboard cinco vezes. Voltou a ser o artista mais ouvido do Spotify em 2021, 2022 e no ano passado, batendo gigantes como Taylor Swift, The Weeknd ou Drake. “Un Verano sin Ti”, de 2022, é o álbum mais ouvido na história do Spotify. 

Bad Bunny foi o primeiro - e continua a ser o único - artista de língua espanhola a receber uma nomeação para o Grammy de Álbum do Ano. Esteve nomeado em 2022 com “Un Verano Sin Ti” e em 2026 levou mesmo o troféu para casa com “Debi Tirar Mas Fotos”.

Foi também o primeiro artista de língua espanhola a ser cabeça de cartaz do Coachella, apresentando em 2023 uma atuação de duas horas que incluiu imagens de documentários e danças tradicionais.

Ao mesmo tempo que conquistava o mundo com as suas músicas, Bad Bunny tornou-se um ícone também pela forma como se apresentava. Seja vestindo uma saia ou aparecendo de unhas pintadas - algo considerado revolucionário dentro do trap latino, uma vez que este, tal como o rap, é um género marcado pela hipermasculinidade -, o músico posicionou-se desde cedo num espaço de defesa da liberdade individual e criticando qualquer tipo de discriminação - machista, racista, homofóbica, transfóbica, ou outra. 

Bad Bunny a chegar à Met Gala em 2023 (GettyImages)

Conhecido pelo seu estilo exuberante e andrógino, sem medo de dar nas vistas (basta lembrar como, na última Met Gala apareceu “mascarado” de idoso), já foi visto com modelos Jean Paul Gaultier e Burberry, recebeu prémios vestidos com Yves Saint Laurent e Gucci, cantou em concertos com Balenciaga e Louis Vitton e percorreu passadeiras vermelhas usando Prada e Galliano, mas ultimamente parece estar rendido aos encantos da Inditex. Depois de no início do ano ter usado Zara no concerto do intervalo da Super Bowl, esta semana lançou em parceria com a Zara a coleção “Benito Antonio”. Já tinha tido colaborações com os ténis Nike e com as cuecas Calvin Klein, agora lança hoodies, bonés, fatos que aliam a streetwear à alta-costura. O segredo está na mistura - e isto serve para a moda tanto quanto para a música.

Isto já não é o "boom latino": uma carta de amor a Porto Rico

Bad Bunny é capaz de ser “o cantor de língua espanhola mais popular de sempre e é provavelmente o músico mais importante do mundo atualmente - a pessoa que as gerações futuras citarão quando falarem sobre como era o som do início dos anos 2020”, escreveu Kalefa Sanneh na New Yorker. “Mas uma das chaves para o seu sucesso é que, quanto maior se torna, mais local parece.”

Muito se tem escrito sobre o "boom latino" da música americana desde a década de 1990 e a consequente anglicização dos artistas de língua espanhola para que pudessem chegar a um público mais vasto - foi o caso das duas versões de “Livin' la Vida Loca”, de Ricky Martin, ou da parceria de Luis Fonsi com Justin Bieber para remisturar "Despacito". Mas, até agora, Bad Bunny tem feito um esforço para rejeitar este caminho para a fama, trocando o globalismo por um hiperlocalismo.

Claro que não percorre esta estrada sozinho. Desde "Gasolina", de Daddy Yankee, a primeira canção a trazer o reggaeton para o mainstream, entrando nos tops um pouco por toda a Europa e nos EUA, depois de 2004, a música em língua espanhola tem vindo a tornar-se cada vez mais presente fora do seu mercado original. Depois de Jennifer Lopez, Ricky Martin e Shakira, vieram o reggaeton e o trap latino, com as suas múltiplas variações e os seus muitos sotaques. O tal “Despacito” foi originalmente lançado em 2017. Com a internet, a música passou a chegar diretamente ao consumidor, sem passar pelo filtro dos críticos e programadores. A música “latina”, como é habitualmente designada, entrou nos ouvidos dos jovens antes de chegar às playlists das rádios e aos alinhamentos dos festivais. Não, Bad Bunny não vem sozinho. Vem acompanhado por J Balvin, Karole G, C. Tangana, Camila Cabello, Kali Uchis ou Rosalía (que ainda no mês passado encheu por duas vezes a Meo Arena, em Lisboa), só para referir alguns dos músicos que têm colocado plateias em todo o mundo a cantar em espanhol.

“Y de nosotros quién va a hablar, si no nos dejamos ver” (canção “Dakiti”, de Bad Bunny e Jhay Cortez, 2020)

Bad Bunny beneficiou deste ambiente de abertura, mas conquistou a fama por mérito próprio. Em vez de se limitar ao reggaeton tradicional, mistura com facilidade sons latinos (plena, salsa) com géneros globais como trap, house e hip-hop. Junta o global ao local. A sua ascensão está intrinsecamente ligada à sua identidade, mantendo o compromisso de cantar em espanhol, mas utilizando calão local e com letras profundamente enraizadas no quotidiano porto-riquenho. 

Exemplo disso é o seu último álbum, “Debí Tirar Mas Fotos”, que é uma carta de amor à sua terra e trouxe visibilidade positiva a um lugar que é muitas vezes notícia pelas piores razões. Este foi o primeiro disco totalmente em língua espanhola a ganhar o Grammy de álbum do ano. Mas, mais importante ainda, escreve o crítico do New York Times Jon Caramanica, este é “um álbum profundamente pessoal sobre preocupações profundamente universais: fazer as pazes com o passado e questionar se, afinal, vale a pena tudo o que se sacrifica ao deixar a casa”. Neste disco, Bad Bunny cria canções que dialogam com a herança musical de Porto Rico, como a salsa de “Baile Inolvidable” ou “Café con Ron”, feita com um jovem grupo da ilha, Los Pleneros de la Cresta, que tem mantido vivo o som tradicional. “É uma declaração ousada de orgulho político e familiar”, afirma o crítico.

Bad Bunny num concerto da digressão Debí Tirar Mas Fotos (GettyImages)

Em “La Mudanza”, Bad Bunny canta: “Isto é Porto Rico, pessoas foram mortas aqui por hastear a bandeira”, uma referência à Lei da Mordaça de 1948, que criminalizou a posse ou exibição da bandeira nacional – mesmo dentro de casa. No refrão de “Lo que le pasó a Hawai”, ouve-se: “Querem tomar o meu rio e também a praia. Querem o meu bairro e que os filhos se vão embora. Não, não larguem a bandeira nem se esqueçam do lelolai. Não quero que vos façam o que aconteceu ao Havai” - um protesto contra a gentrificação, a deslocação de comunidades e a privatização dos recursos naturais.

Como explica o artigo da CNN, nas músicas de Bad Bunny Porto Rico não é apenas "cenário" - "é um território marcado por dificuldades económicas, corrupção política, imigração, desigualdade social e uma relação ambígua e desigual com os Estados Unidos”.

É um espetáculo "horrível", mas todos querem vê-lo

Em resposta ao aumento das operações nacionais da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e por receio de que os seus fãs pudessem ser alvo de perseguição, Bad Bunny não agendou quaisquer concertos no continente americano para a digressão do álbum. Em vez disso, o cantor organizou uma residência de três meses em San Juan, intitulada “No Me Quiero Ir de Aquí". Dos 30 concertos, os primeiros nove foram apenas para residentes da ilha. 

O acontecimento levou milhares de pessoas ao país e, de acordo com a Moody’s, teve um impacto económico de 250 milhões de dólares, mas teve uma falta de peso. Jenniffer González-Colón, eleita no ano passado governadora de Porto Rico pelo Partido Novo Progressista (PNP), recusou-se a ir ao concerto depois de Bad Bunny ter aparecido a hastear a versão azul-clara da bandeira de Porto Rico, associada ao movimento independentista, e se ter manifestado contra o PNP, que apoia a anexação de Porto Rico como estado norte-americano. 

Depois da residência, Bad Bunny lançou a digressão mundial para promover o álbum - mas sem paragens agendadas no continente norte-americano, por receio de que os agentes federais de imigração aproveitassem para fazer detenções entre os espectadores. Só abriu uma exceção para atuar no intervalo do Super Bowl num espetáculo no qual deixou uma mensagem de união, alargando o significado da expressão “God bless America” a todas as nações do continente americano – do Chile ao Canadá. O artista porto-riquenho bateu o recorde de audiência do halftime show do Super Bowl, com mais de 135 milhões de pessoas a acompanhar o concerto, sem falar de todas as outras que viram e comentaram os vídeos publicados nas redes sociais.

Apesar disso (ou talvez por isso), despertou a raiva do presidente norte-americano. “O espetáculo do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores, DE SEMPRE! Não faz sentido, é um insulto à Grandeza da América e não representa os nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência”, escreveu Donald Trump numa publicação na rede social Truth Social. 

Concerto de Bad Bunny no intervalo da Super Bowl em 2026 (GettyImages)

Numa entrevista à Rolling Stone em 2020, Bad Bunny confessava que preferia o estúdio aos palcos. "Nunca me vou reformar disto", dizia. "Talvez me retire dos holofotes e das digressões, porque estou cansado e detesto viajar. Adorava fazer música como fazia aos 14 anos, quando era o meu passatempo favorito."

Talvez, entretanto, tenha mudado de opinião. A digressão de "Debí tirar más fotos", inicialmente prevista para 24 datas, foi alargada para 57 concertos devido à elevada procura: em apenas uma semana foram vendidos 2,7 milhões de bilhetes. Desde então, datas extra foram acrescentadas em diversas cidades. Bad Bunny chegou à Europa na sexta-feira, para atuar em Barcelona, e vai terminar a digressão a 22 de julho em Bruxelas, prevendo-se que, no final, quando as contas forem feitas, vários recordes tenham sido batidos.

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