Bab al-Mandab: porque a nova ameaça do Irão preocupa os mercados globais
O Irão e os seus aliados estão a considerar a “ativação de outras frentes”, incluindo o estreito de Bab al-Mandab, em resposta aos ataques de Israel no Líbano, avançaram esta segunda-feira os meios de comunicação estatais iranianos.
O encerramento desta via marítima estratégica poderá perturbar significativamente o comércio global e agravar ainda mais a turbulência nos mercados petrolíferos. Os preços do petróleo subiram acentuadamente após a notícia.
Bab al-Mandab situa-se na extremidade sul do Mar Vermelho e é uma porta de entrada crucial para o Canal de Suez, ligando a Europa e a Ásia através de uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Com apenas 29 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito, é uma zona onde navios já foram anteriormente alvo de ataques dos rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão.
No final de 2023, os militantes houthis começaram a atacar embarcações comerciais que atravessavam o estreito, em retaliação pela guerra de Israel em Gaza. Os ataques levaram as companhias de navegação a optar por uma rota mais longa, acrescentando semanas às viagens e obrigando-as a gastar mais em combustível, seguros e salários das tripulações.
Quase 15% do comércio marítimo global passa por Bab al-Mandab. As anteriores perturbações na navegação entre 2023 e 2025 terão custado cerca de 20 mil milhões de dólares por ano, segundo estimativas da indústria.
Ainda assim, o estreito manteve-se amplamente navegável ao longo da atual guerra, preservando uma rota de exportação crítica para a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de crude, depois de o Irão ter efetivamente encerrado o Estreito de Ormuz.
Os houthis do Iémen ainda não comentaram as notícias divulgadas pelos meios iranianos. Mas, em março, Mohammed Mansour, vice-ministro da Informação do governo rebelde houthi, disse à CNN que fechar Bab al-Mandab “é uma opção viável, e as consequências serão suportadas pelos agressores americanos e israelitas”.
