Covid-19: comunidade científica garante que há uma nova variante sucessora da Ómicron

24 fev, 14:29
Covid-19

A variação da Ómicron inicial, conhecida como linhagem BA. 2, já é dominante em Portugal. Especialistas querem que a Organização Mundial de Saúde a classifique como nova variante, mas esta está a resistir aos apelos. "Há mais diferenças do que semlhanças entre as duas", refere à CNN POrtugal João Paulo Gomes, perito do INSA

A variante Ómicron pode já ter uma sucessora, acreditam os especialistas.Trata-se da sublinhagem da variante, conhecida como BA.2,que neste momento já se tornou dominante em Portugal. Segundo adiantou à CNN Portugal João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a BA.2 já representa mais de metade dos casos registados no país, sobrepondo-se à mutação original, agora definida como BA.1. "O crescimento desta mutação é de 3% a 4% por dia", acrescenta.

O cenário deverá refletir no próximo relatório de análise das Linhas Vermelhas que será divulgado esta sexta-feira.

Para vários especialistas, o mais preocupante é o facto de a BA.2 ter mais diferenças do que parecenças com a Ómicron original. O que os tem levado a defender, junto da Organização Mundial de Saúde (OMS), que esta mutação seja considerada como uma nova variante e não uma linhagem, como sucede ainda. A comunidade ciência, considera que a OMS deve ainda classifica-la de variante de preocupação, diz João Paulo Gomes, recordando que há vários estudos internacionais sobre o tema.

“A minha opinião está alinhada com a comunidade científica. É difícil perceber como se pode considerar a BA.2 uma irmã da BA.1, porque têm muitas diferenças. Seria prudente considerar a BA.2 como uma variante de preocupação”, afirma João Paulo Gomes, que refere que a grande semelhança está nas várias mutações em relação ao vírus original da SARS-CoV-2.

De resto, segundo o especialista, terá sido essa semelhança que motivou a OMS a dizer “isto é tudo Ómicron”, definindo depois várias linhagens.

Ainda assim, o investigador do INSA aponta “mais diferenças do que semelhanças” entre a BA.1 e a BA.2, que têm muitas mutações que não são partilhadas entre si.

“Isto tudo somado, elas têm mais diferenças do que semelhanças”, afirma, referindo que a BA.2 tem oito mutações que não se verificam na linhagem original.

Além disso, João Paulo Gomes refere que os dados mostram que a BA.2 está a substituir a BA.1, o que pode indicar uma maior transmissibilidade, à semelhança do que aconteceu anteriormente. A Ómicron, por exemplo, foi considerada uma nova variante e acabou por substituir a Delta.

“Pensa-se que a BA.1 dentro de umas semanas vai desaparecer, e a BA.2 vai dominar completamente”, acrescenta.

Pode tornar-se um problema

Citando resultados de estudos desenvolvidos no Japão, João Paulo Gomes admite que a BA.2 possa trazer um problema adicional, até porque os anticorpos desenvolvidos com a infeção com BA.1 não apresentaram proteção contra a BA.2.

Isso levanta uma questão relacionada com a imunidade, e o investigador lembra que, nesse caso, uma vacina monovalente contra a Ómicron original poderá não ser eficaz contra a BA.2, acabando por se tornar inútil, uma vez que se perspetiva um desaparecimento da BA.1.

Sobre a altura em que se poderá perceber o que vai acontecer, João Paulo Gomes dá o exemplo da Dinamarca, que já tem cerca de 90% dos casos com BA.2, e onde os internamentos em enfermaria aumentaram, não se verificando ainda um impacto nos casos mais graves ou na mortalidade.

Por cá, diz o investigador, será necessário esperar que a BA.2 se torne dominante para que se entenda quais os reais efeitos.

“O tempo o dirá, vamos fazendo estas monitorizações. Quando a BA.2 estiver completamente dominante vamos conseguir perceber se a taxa de hospitalização é maior que a da Ómicron”, sublinha, dizendo que, à imagem de outros países, Portugal também venha a ser totalmente dominado por esta mutação.

Perante essas incertezas, o especialista do INSA revela-se cauteloso, ainda que perceba o alívio de medidas, que vem acompanhado dos números, mas também daquilo a que chama uma “pressão” internacional, uma vez que outros países, como os nórdicos, estão já mais à frente na reabertura da sociedade.

“Alguns países liberalizaram tudo, como se não existisse pandemia. Penso que o caminho que está a ser seguido em Portugal é o caminho correto”, refere, lembrando que “alguma prudência não faz mal a ninguém”.

É nesse sentido que João Paulo Gomes diz que ainda será um pouco cedo para nos referirmos a uma endemia, até porque “a covid-19 não é previsível”, sendo ainda necessário perceber como vai evoluir o vírus em termos de sazonalidade.

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