AVS-Farense, 0-0 (crónica)

Samuel Santos , Estádio CD Aves, Vila das Aves
30 set 2024, 22:21

Medo de vencer gelou avenses e «Leões»

O medo de voltar a não pontuar impediu AVS e Farense de arriscarem, animarem os adeptos e espreitarem o regresso aos triunfos. Na noite desta segunda-feira, no encerramento da sétima jornada, o nulo prevaleceu, face a defesas compactas e ataques desinspirados e até apáticos.

Na estreia ao leme dos «Leões», Tozé Marreco operou uma revolução no onze, trocando Moreno, Raúl Silva, Menino, Rafael Barbosa e Poveda, por Lucas Áfrico, Pastor, Neto, Millán e Bermejo.

No outro lado, na ressaca da derrota em Alvalade (3-0), Vítor Campelos apenas devolveu a titularidade a Rodrigo Ribeiro – jovem emprestado pelo Sporting – em detrimento de Akinsola.

A expectativa quanto ao despique entre Ricardo Velho e Ochoa ficou por cumprir, numa noite fria, monótona, até frustrante.

Recorde o desenrolar deste encontro.

Os primeiros minutos foram brindados com controlo dos anfitriões, aparentemente esclarecidos na construção e, definitivamente, atentos à transição dos forasteiros. Todavia, sem perigo.

Ao efetivar a reação – após uma mão cheia de ações erráticas – o Farense confiou a Merghem as investidas pelo corredor direito. Ao extremo juntou-se Artur Jorge – exato, o defesa central – para almejar incomodar Ochoa. Mas, esta noite estava destinada ao fresco, nevoeiro e marasmo.

Até ao intervalo, além de remates muito acima das balizas, apenas Rodrigo Ribeiro revelou discernimento. Estavam decorridos 39 minutos quando, em zona frontal, o jovem internacional português rematou cruzado. Suficiente para ver Ricardo Velho voar e o esférico tirar tinta ao poste direito.

Ensaios e desespero

Na etapa complementar, e apesar da momentânea insistência de Mercado e Rodrigo Ribeiro, o marasmo prevaleceu, para frustração dos adeptos avenses e dos cerca de 20 aficionados dos «Leões» de Faro.

Aos 57m surgiu uma espécie de espelho desta partida, um lance que até poupa a visualização do resumo. Recuperada a posse a meio-campo, o extremo Kamate – emprestado pelo Inter Milão – vislumbrou uma autêntica via verde para a baliza. Todavia, iludiu-se, retardando o remate e acabando por pontapear Filipe Soares. O médio do Farense viu, assim, a exibição terminar mais cedo.

Entre trocas – com destaque para a estreia de Zé Luís no AVS – Vasco Lopes, ao cabo de 16 minutos em campo, beneficiou de uma oportunidade primordial. Na sequência de uma bola parada, o irrequieto extremo encheu o pé pela direita. Contudo, o «tiro» saiu torto, sobrevoando a mancha de Ricardo Velho. Estavam decorridos 78m.

Em nova investida, aos 84m, Lopes voltou a ameaçar o golo. Ficou pelo aviso. Numa fase em que a defesa do Farense sucumbiu à pressão, o extremo foi incapaz de capitalizar uma oferta no coração da área, atirando em arco para a bancada.

Na reta final, Elves Baldé deu esperança aos visitantes, mas a «bomba» foi travada por Ochoa. Um suspiro e uma raríssima oportunidade.

O nulo mantém o AVS invicto em casa, mas impede a turma de Campelos de ascender ao oitavo lugar. Por isso, os avenses são nonos, com oito pontos, em igualdade com Casa Pia e Moreirense. Segue-se a visita ao Arouca (14.º), na tarde de sábado (18h).

A linha de água está à distância de três pontos. O regresso à Vila das Aves acontecerá a 28 de outubro, ante o FC Porto.

Quanto ao Farense, os algarvios somaram o primeiro ponto no campeonato, ainda que continuem a segurar a aflitiva lanterna vermelha. Como tal, Nacional, Estrela da Amadora e Boavista estão a quatro pontos.

Na próxima ronda, os pupilos de Marreco receberão o Estoril (13.º), na tarde de domingo (15h30). O novo treinador do Farense tem muito trabalho pela frente, quiçá ansiando pela pausa competitiva.

A figura: Rodrigo Ribeiro

Escolha muito difícil. Os guarda-redes pouco trabalho tiveram, as individualidades foram parcas, pelo que fica o «prémio» pela insistência deste jovem avançado. Foi pelo pé de Ribeiro que surgiu a única oportunidade na primeira parte e alguns ensaios no reatar do encontro.

Em todo o caso, o ponta de lança permanece desapoiado, face a um meio-campo estático e a extremos limitados a momentos de vontade.

O momento: Vasco Lopes e Baldé exigem titularidade

Os substitutos, de AVS e Farense, respetivamente, acumularam créditos na fase final do encontro, arrecadando oportunidades e alimentando a esperança de um golo. Foram os únicos momentos de aflição para Ochoa e Ricardo Velho.

Mais/menos: uma noite fria, sem história

A construção ofensiva foi débil, enquanto as defesas, na maioria do encontro, permaneceram organizadas. Quando o AVS acelerou o ritmo, em desespero, nos derradeiros minutos, era já tarde para compor um desfecho diferente.

Exige-se outra audácia e vontade de vencer. O último apito de Fábio Veríssimo até acordou alguns adeptos. E assim se desenrolou o segundo nulo da sétima jornada da Liga. Noites mais animadas estarão para chegar. Assim esperemos.

 

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