Vitória do Benfica no primeiro capítulo da era Mourinho, que até podia ter corrido pior do que parece
E se aquela bola tem entrado? É a pergunta que fica como a maior dúvida de um jogo em crescendo para o Benfica, claramente tranquilizado pelos golos que foram aparecendo, mesmo que a equipa nunca tenha sido exuberante na Vila das Aves.
A bem da verdade, também não era isso que se pedia na primeira partida de José Mourinho, que já tinha avisado que ia apenas “meter o dedo”, mas muito de leve, para não confundir ainda mais os jogadores.
Com essa premissa, lançou a dupla de avançados com Vangelis Pavlidis e Franjo Ivanovic, colocando o craque Sudakov mais descaído à esquerda, num corredor que pareceu demasiado descalço, sobretudo devido às caraterísticas dos jogadores.
Mas voltemos ao início: e se aquela bola tem entrado? Aquela bola é o remate de Tomané ao poste. Passava o minuto 39 e o jogo estava mais do que mastigado, com poucas ocasiões e pouca inspiração de lado a lado. A defesa do Benfica ficou a dormir e o avançado aproveitou para disparar um míssil que só foi travado pelo poste.
Se ela entra, adivinhava-se um jogo bem mais difícil, já que seria inevitável que estes jogadores se voltassem a perguntar onde está a sua capacidade, que tinha desaparecido totalmente, quase como que por magia, contra o Santa Clara e o Qarabag. Recuperando a expressão de Mourinho, foi mesmo preciso meter mais do que um dedo, foi preciso meter um poste inteiro para arrancar para a vitória.
Precisamente 10 minutos depois, no último dos quatro minutos de compensação, o Benfica chegou ao golo. No meio do embrulhanço na área adversária, Sudakov foi o mais esclarecido. A bem da verdade, e com o que já se viu dele, será quase sempre assim, já que a sua qualidade não engana. É daqueles que resolve de um momento para o outro até nos desafios mais difíceis.
José Mourinho saiu para o balneário a correr, para preparar uma segunda parte que acabou por ser um passeio.
Em grande parte por causa de um penálti que Pavlidis transformou no 0-2 aos 59 minutos, colocando uma diferença demasiado pesada entre duas equipas que estreavam treinadores neste sábado - Fábio Espinho chegou ao AVS para substituir José Mota.
Se já se tinha percebido que o AVS dificilmente teria poder para reagir ao 0-1, com o segundo golo a coisa ficou mais definida, até porque do outro lado está, a esta altura, uma das piores - se não a pior - equipas da Liga.
O resto é história, que ainda se escreveu com bom golo de Ivanovic, que Mourinho festejou de forma efusiva, selando a primeira vitória no regresso à Luz, onde se tinha estreado há precisamente 25 anos como treinador principal.
Se Bruno Lage saiu do Benfica, fica a ideia de que ainda há muita desconfiança no plantel. É normal e acontece sempre, pelo que vitórias como esta são essenciais para construir uma base. É essa aura, que Bruno Lage deixou - mesmo que sem qualquer intenção ou até culpa - que é preciso expulsar.
Dado o primeiro passo, o Benfica joga já na terça-feira com o Rio Ave, na partida da 1.ª jornada que foi adiada por causa da presença nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Caso ganhem, os encarnados ficam à frente do Sporting e reduzem para dois os pontos de atraso em relação ao FC Porto.
