"Usem sempre o cinto de segurança": homem que foi sugado durante voo da Ryanair teve a cabeça e o braço direito fora do avião quase dois minutos

22 jul, 14:54
Ryanair (Mindaugas Kulbis/ AP)
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Empresário sérvio diz que foi salvo pelos passageiros e que a tripulação estava em estado de choque

Seguia no lugar 11F, junto à janela, de um Boeing 737 da Ryanair quando, inesperadamente, foi parcialmente sugado para o exterior da avião. A história de Ljubisa Karović, empresário sérvio de 61 anos, correu mundo nesse mesmo dia, depois de sobreviver ao acidente ocorrido durante um voo entre Grécia e Alemanha.

Onze dias depois, enquanto continua a recuperar, admite que ainda revive aqueles instantes de terror. O incidente, que permanece sob investigação, aconteceu quando o vidro da janela se partiu em pleno voo.

“A explosão é o que me lembro”, confessou ao The Guardian.

Karović contou que estava a dormir quando, de forma repentina, foi acordado por um estrondo. O impacto da janela a partir-se foi seguido por momentos de pânico que diz nunca conseguir esquecer. “É o barulho antes do caos, o som que continua presente sempre que fecho os olhos para dormir”, descreveu.

Apesar das dores persistentes e das queimaduras e hematomas visíveis no braço, peito e axila, considera que sobreviveu por milagre e acredita que o cinto de segurança pode ter sido decisivo para impedir que fosse completamente projetado para o exterior da aeronave.

A entrevista ao The Guardian acontece poucos dias depois de o empresário ter recebido alta hospitalar.

Segundo explicou, Karović ficou com a cabeça e o braço direito fora da aeronave, a cerca de 15 mil metros de altitude e quando o avião seguia a mais de 600 quilómetros por hora. O homem perdeu imediatamente os sentidos e, de acordo com o seu advogado, “olhou para a morte e voltou”.

A mulher da vítima, Svetlana, seguia três filas atrás e recorda bem o desespero vivido dentro da cabina. Ao The Guardian contou que foram os próprios passageiros que ajudaram o marido, destacando a atuação de um homem que tentou puxá-lo para o interior do avião e, mais tarde, bloqueou a abertura da janela com uma mala. Os momentos em que Karović permaneceu parcialmente fora do avião terão durado entre um minuto e meio e dois minutos.

A vítima revelou ainda que perdeu os sentidos várias vezes e que chegou a apresentar o rosto deformado devido à diferença de pressão.

Entretanto, a Ryanair rejeitou as críticas dirigidas à atuação da tripulação e garantiu que os assistentes de bordo cumpriram todos os procedimentos de segurança, prestando assistência ao passageiro logo que atingiram uma altitude segura.

O advogado, porém, contesta essa versão e afirma que a ajuda decisiva partiu dos passageiros, alegando que os elementos da tripulação estavam em estado de choque.

Karović, que durante anos viajou frequentemente de avião devido ao seu negócio de fabrico e exportação de alumínio, admite que dificilmente voltará a voar. Enquanto recupera e aguarda para saber se terá de ser submetido a uma cirurgia, deixa apenas um conselho. “Usem sempre o cinto de segurança. Não quero que ninguém passe pelo que eu passei.”

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