Aeronave teve uma falha de pressão do óleo na descolagem, o que obrigou até a interromper o tráfego em todo o aeroporto de Lisboa. José Correia Guedes viveu uma situação semelhante e recorda esse dia à CNN Portugal
Esta quinta-feira, um avião da TAP que fazia a ligação entre Lisboa e Bissau, sofreu uma avaria grave: na descolagem, um dos motores deixou de funcionar e obrigou a uma ação imediata dos comandantes. “PAN PAN”, declararam ao controlo de tráfego aéreo, e, pouco depois, aterraram em segurança.
“PAN PAN significa que há uma avaria séria, mas não há risco imediato”, explica José Correia Guedes, antigo comandante da TAP, à CNN Portugal. Este é o segundo nível de alerta mais relevante, abaixo apenas de “Mayday”.
O problema, explica Guedes, ocorreu devido à falha na pressão de óleo, que causou perda de óleo e comprometeu o motor. A situação, contudo, não impactou apenas este voo. O receio de que o líquido pudesse ter sido derramado na pista interrompeu o tráfego no principal aeroporto do país “durante largos minutos”. Apenas após uma inspeção o funcionamento foi retomado.
Pilotos estão treinados para esta situação
Apesar da avaria, a aeronave, um Airbus A320 Neo, aterrou em segurança pelas 14:30 desta quinta-feira. José Correia Guedes explica que “os pilotos são treinados muito frequentemente para lidar com emergências deste género”, com exercícios em simulador em que praticam a aterragem com apenas um motor sendo realizados a cada seis meses.
O avião pode voar “durante horas” com apenas um motor, mas as condições mudam consideravelmente. A aeronave “perde metade da sua capacidade e uma quantidade de sistemas, porque cada motor alimenta sistemas elétricos, hidráulicos e de pressurização”. Além disso, caso esta situação ocorra no meio do trajeto, é necessário continuar numa altitude mais baixa.
Quando há falhas nos motores, é necessário aterrar “logo que possível” para evitar o risco de uma avaria também em outro equipamento de propulsão. José Correia Guedes já viveu uma situação semelhante à do Airbus A320 Neo, apesar de a falha não ter ocorrido durante a descolagem.
Na época, por volta dos anos 1980, o comandante voava num Lockheed TriStar, modelo que deixou de ser produzido em 1984, que também sinalizou uma falha de pressão de óleo. “O motor estava a funcionar, mas nós decidimos cortá-lo por precaução”. A equipa, então, aterrou assim que foi possível, mas constatou que o alarme, afinal, era falso. “Era um erro no instrumento”, diz. “Mas como o avião tinha três motores, [o corte] não teve grande influência”.
Nesta situação, garante José Correia Guedes, os pilotos não experienciam grandes ansiedades ou apreensões. “Estamos muito treinados para isso”, explica. “Quando acontece, é seguir o checklist e fazer a correção da avaria. Há tarefas que cada um sabe que tem de fazer”.
Segundo o website Flightradar, o próximo voo da TAP para Bissau deve sair da capital portuguesa no dia 1 de agosto às 09:30, chegando no destino às 12:55.
