Quem anda na Marginal pode ser obrigado a circular até 30km/h
Para quem vive na zona esta medida é insuficiente
Era até agora permitido conduzir até 50 km/h em toda a Avenida Marginal. Mas a nova medida da Infraestruturas de Portugal (IP) quer mudar isso. O desejo faz parte do Plano de Ação de Ruído do Troço: EN6 - Algés - Dafundo, que está em consulta pública até 12 de agosto. O objetivo é limitar os condutores aos 30 km/h no troço da Estrada Nacional 6, entre Algés e Dafundo, em Oeiras.
As reclamações já são antigas. Que o diga Maria Paquito, com cerca de 80 anos, e a viver há 53 na zona do Dafundo. “Quanto menos velocidade mais há incumprimento dos condutores”, aponta para explicar o que se passa naquele troço com cerca de 805 metros. Afirma que o pior são as motas que todas as quintas-feiras tomam conta das faixas de rodagem a velocidades que chegam aos 200 km/h. Às queixas de Maria juntam-se a de Acácio Luís, morador e trabalhador na mesma zona. “É alta velocidade e as pessoas que querem dormir até acordam”, refere. Mas os lamentos não ficam por aqui. A CNN Portugal teve acesso a uma reclamação, de outubro de 2025, onde os problemas do excesso de velocidade e ruído já incomodavam os moradores, principalmente às quintas-feiras e sábados à noite com as corridas ilegais de motas. “Este forte ruído afeta a vida dos residentes vizinhos à referida via e surge a qualquer hora”, lê-se no documento.
Mas a medida de reduzir o limite de velocidade não parece ser suficiente para quem convive “paredes meias” com a estrada. “Acho que não vale a pena baixar a velocidade, porque isto tem boa visibilidade. As pessoas é que têm de ter tino a andar na estrada”, diz Acácio Luís, que pede apenas mais fiscalização, tal como a União de Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada/Dafundo. “A medida da Infraestuturas de Portugal é positiva, mas tem de ser efetiva. Ou seja, tem de haver fiscalização com a colocação de radares e com a aplicação de coimas para quem ultrapasse os limites de velocidade”, pede o presidente António Lopes da Costa.
Para já o plano mantém-se apenas em consulta. "A concretização ficará dependente da análise [...] durante consulta pública [...] o plano aponta para a implementação da medida até 2029, não estando, nesta fase, definida uma data concreta", avança a IP à CNN Portugal.
