Saber os sinais de um AVC e obter ajuda rapidamente pode fazer toda a diferença, dizem os especialistas

CNN , Madeline Holcombe
29 mai, 12:00
AVC (BSIP/ Getty)

Quando se trata de um acidente vascular cerebral, agir depressa é fundamental

De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, “Tempo perdido é cérebro perdido. Cada minuto conta”.

Um acidente vascular cerebral (AVC) é um evento médico grave que pode causar incapacidade ou morte se não for tratado rapidamente, disse o Dr. Andrew Freeman, diretor de cardiologia clínica e prevenção cardiovascular da National Jewish Health. 

Além disso, também são bastante comuns. De acordo com o CDC, nos Estados Unidos, uma pessoa tem um AVC a cada 40 segundos. 

O senador americano Chris Van Hollen, um democrata de Maryland, anunciou no domingo (15) que tinha sofrido um “pequeno AVC”. Nesse mesmo dia, John Fetterman, o tenente-governador da Pensilvânia, anunciou que estava a recuperar após também ter sofrido de um.   

No seguimento destas notícias e do Mês Nacional de Sensibilização de AVC, os especialistas estão a incentivar o público a aprender mais sobre os sinais de um AVC, para que possam identificá-los e obter ajuda médica atempadamente. 

O que é um acidente vascular cerebral? 

“Um ataque cardíaco é um ataque cardíaco, e um ataque cerebral é um AVC”, disse Freeman. Trata-se “de uma diminuição súbita do fluxo sanguíneo para o cérebro”. Segundo o CDC, este fenómeno é provocado por algo que impede o sangue de chegar ao cérebro ou porque um vaso sanguíneo no cérebro rebentou. 

Existem dois tipos principais de AVC: isquémico e hemorrágico. A maior parte dos acidentes são isquémicos e ocorrem na sequência de um bloqueio do fluxo de sangue por coágulos ou partículas como depósitos de gordura (ateromas ou placas), informou o CDC. Por sua vez, quando uma artéria cerebral rompe, trata-se de um acidente vascular cerebral hemorrágico. 

Por vezes, o entupimento da artéria cerebral é momentâneo, dura cinco minutos no máximo, e a isso chama-se um ataque isquémico transitório (AIT) ou um mini AVC. No entanto, estes ataques ainda são uma emergência médica e pode ser um sinal de aviso para um AVC, alertou o CDC. 

 
Dores de cabeça intensas, problemas de visão, dormência e dificuldade de fala são todos sinais de um AVC, dizem os especialistas. 

O que acontece ao cérebro 

Num AVC hemorrágico, o sangue que deixou a artéria danifica as células cerebrais quando aplica demasiada pressão, disse o CDC. 

Quando o fluxo sanguíneo é interrompido num acidente vascular cerebral isquémico, as células cerebrais não conseguem obter o oxigénio e os nutrientes de que necessitam. As células podem começar a morrer em minutos, informou a Clínica Mayo

Os sinais e sintomas 

Segundo a Clínica Mayo, os AVC são identificados por uma dor de cabeça súbita e intensa, problemas de visão em um ou em ambos olhos, dificuldade em andar, paralisia ou dormência no rosto ou membros, e dificuldade em falar ou compreender os outros.  

Na língua inglesa, os especialistas utilizam a sigla FAST para descrever o que fazer no caso de um AVC, ou seja: Face (rosto), Arms (braços), Speech (fala) e Time to call the doctor (telefonar para as urgências). 

Em primeiro lugar, peça à pessoa para sorrir e observar se um lado do rosto descaí. De seguida, peça-lhe que levante os dois braços e ver se um dos braços cai sem força. Em terceiro lugar, verifique se há dificuldade em falar ao pedir-lhe que repita uma frase simples. 

Se algum destes suscitar preocupações, procure imediatamente assistência médica. 

Tratamento 

O tratamento e a recuperação dependem da gravidade do AVC e da rapidez com que o paciente recebeu os cuidados médicos. 

Os acidentes vasculares cerebrais mais pequenos podem ter menos impacto, mas os maiores podem mudar completamente a vida de uma pessoa, disse Freeman. O sítio do cérebro em que ocorre o AVC pode influenciar as consequências, ou seja, se a pessoa irá precisar de reaprender a andar ou a falar, acrescentou ele. 

“Se conseguir chegar ao hospital dentro de um determinado período de tempo, poderá receber tratamentos, tal como um fármaco que destrói coágulos ou um procedimento para restaurar o fluxo sanguíneo”, explicou a Dra. Jinny Tavee via e-mail. 

Os AVC são uma das principais causas de morte nos Estados Unidos e são suscetíveis de causar deficiências, mas são tratáveis, de acordo com o CDC. “Se estiver a ter um acidente vascular cerebral, chegar imediatamente a um hospital ou a um estabelecimento que possa intervir pode melhorar significativamente os resultados, ao restaurar rapidamente o fluxo sanguíneo”, disse Freeman. 

Como prevenir um AVC 

A tensão arterial elevada, a idade e um historial de eventos vasculares são todos grandes fatores de risco de um AVC, declarou Freeman. A diabetes e o consumo excessivo de álcool podem também contribuir, disse a Dra. Jinny Tavee, chefe da divisão de neurologia e saúde comportamental da National Jewish Health. 

Freeman recomendou seis medidas para prevenir não só o AVC, mas também outros riscos vasculares. “A mesma coisa que previne doenças cardíacas também previne doenças cerebrovasculares”, disse ele. 

Não fumar é fundamental para reduzir o risco, afirmou ele. Recomendou também uma dieta maioritariamente integral e pobre em gorduras para reduzir a acumulação de placa bacteriana, 30 minutos de exercício fisico por dia (desde que um médico o considere seguro para si), reduzir o stress e dormir as horas necessárias. Em média, os adultos precisam de cerca de sete horas de sono todas as noites, acrescentou ele. 

Por último, Freeman considera importante para a saúde a construção de uma boa rede de apoio e amor. “Eu sei que soa piegas dizer isto nos dias de hoje”, disse ele. “Mas, constata-se que aqueles que têm uma grande comunidade de apoio emocional, forte e solidária... são aqueles com menos doenças cardiovasculares”. 

Relacionados

Novo Dia CNN

5 coisas que importam

Dê-nos 5 minutos, e iremos pô-lo a par das notícias que precisa de saber todas as manhãs.
Saiba mais

Saúde

Mais Saúde

Patrocinados