PCP “pela paz”, pela “liberdade” dos artistas e contra um PS “cada vez mais inclinado à direita” e cúmplice da guerra. Jerónimo disparou em todos os sentidos

4 set, 19:16
Jerónimo de Sousa (Lusa/Tiago Petinga)

No discurso de encerramento da edição deste ano da festa do Avante!, o secretário-geral do PCP focou-se na inflação e especulação e culpou a “cumplicidade” do governo português nas medidas contra a Rússia como um dos fatores para a situação atual

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, voltou a afirmar, no seu discurso de encerramento da 46ª. edição da Festa do Avante!, que o partido é “pela paz” e pelo “fim da guerra”, mas não hesitou em apontar o dedo ao Ocidente e às sanções impostas à Rússia que, disse, são uma das razões para a situação social e económica e que o Executivo de António Costa é cúmplice nisso.

“A escalada da guerra na Ucrânia, a espiral de sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e NATO, com a cumplicidade do governo português, são indissociáveis da desenfreada especulação do aumento da energia, dos preços de outros bens de primeira necessidade, do ataque às condições de vida dos povos, arrastando o mundo para uma situação ainda mais grave no plano económica e social”, disse. 

Jerónimo de Sousa defendeu que “os desenvolvimentos da situação na Ucrânia, com os seus sucessivos agravamentos, que o PCP, oportunamente condenou inserem-se nesta realidade com consequências para todo o planeta”, mas atacou ainda “as manobras e provocações que crescentemente se verificam contra a China” e “o gradual cerco à Rússia” por parte dos Estados Unidos.

O secretário-geral do PCP considerou que “a realidade está a demonstrar quem tudo faz para que a guerra não termine” e também “quem tudo faz para acumular lucros colossais com a sua continuação”, referindo-se à indústria do armamento e às multinacionais do setor da energia.

“O PCP está como sempre esteve, do lado do direito dos povos, incluindo o direito à paz, uma paz que só será possível com justiça, que tem de ser conquistada a par da luta contra a exploração e opressão”.

Jerónimo acusa Costa de querer uma “maioria” mais “à direita”

Nos vários ataques ao governo de António Costa, Jerónimo de Sousa acusou o primeiro-ministro de ter provocado eleições “com o objetivo de ter uma maioria absoluta”, classificando essa mesma maioria como “inclinada cada vez mais para a direita”.

Jerónimo de Sousa culpou o governo pela situação atual do país, criticando o uso de uma “política que fecha os olhos” e que “dá curso à especulação e exploração das condições de vida do povo pelo grande poder económico”. O secretário-geral comunista responsabilizou ainda o Executivo por perpetuar uma “espiral inflacionista que leva já um ano”, mas que, disse, foi “vendida à opinião pública como fenómeno passageiro”, sendo a sua existência ou ausência usada como desculpa para não aumentar os salários. “Os trabalhadores pagam por ter cão e por não ter sempre à pala da inflação”, atirou.

“Mas não menos grave é a política das medidas faz-de-conta, que foge ao essencial, ao poder de compra dos salários e pensões e so indispensável controlo dos preços”, disse, apressando-se a apontar também críticas a todos os partidos à direita, incluindo o CDS, que nas últimas eleições legislativas perdeu o seu assento parlamentar. Jerónimo imputou o PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega de recorrer a “falsas e hipócritas medidas de existencialismo”.

“Festa inigualável" e pela “liberdade” dos artistas

No seu discurso de encerramento da 46ª. edição do Avante!, o secretário-geral do PCP classificou a festa como “inigualável” e que permitiu aos artistas darem “mais uma vez pressão à liberdade que o povo conquistou no 25 de abril”.

“Saudamos também os artistas que, com posicionamentos muito diversos, aqui trouxeram a sua arte nas multifacetadas dimensões culturais. Aqui exerceram na sua atividade profissional, aqui deram mais uma vez pressão à liberdade que o povo conquistou no 25 de abril”.

Jerónimo de Sousa afirmou que “a festa mais uma vez se traduziu num enorme êxito, apesar das reiteradas campanhas de difamação, desprezíveis chantagens”.

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