No distrito de Leiria, a grande incógnita que se antecipa por estes dias prende-se com o impacto do Chega no desenho final de cada autarquia. Mesmo entre os próprios candidatos comenta-se esta dúvida, com projeções de cenários pós-eleitorais em que se admitem como inevitáveis acordos de governação
Leiria (CNN Autárquicas 2025) - Outro ângulo com interesse particular por parte dos observadores da realidade regional foca o que poderá acontecer aos movimentos independentes que se apresentam a sufrágio em busca da reeleição dos seus autarcas, como acontece na Marinha Grande (+MPM), na Batalha (Batalha é de todos) e em Caldas da Rainha, (VM -Vamos Mudar). Nestes três municípios, os atuais presidentes de câmara, Aurélio Ferreira, Raul Castro e Vítor Marques, respetivamente, tentam a primeira reeleição.
Os partidos do arco da governação têm, por sua vez, grandes provas de fogo nos dois maiores concelhos: Leiria e Caldas da Rainha. Na capital do distrito, o PS aposta na reeleição de Gonçalo Lopes, que garantiu uma confortável maioria há quatro anos. Os seus mais fortes opositores são o PSD, que aposta na deputada Sofia Carreira, e o Chega, que volta a concorrer com o deputado Luís Paulo Fernandes. Concorrem também às eleições de 12 de outubro a coligação Avançar Leiria (Bloco de Esquerda, Livre e PAN), CDU, ADN, CDS-PP e Iniciativa Liberal.
Nas Caldas da Rainha, o PSD quer reconquistar a câmara em coligação com o CDS, numa lista encabeçada por Hugo Oliveira, deputado e presidente da distrital do PSD. No concelho termal entram ainda na disputa autárquica a CDU, Iniciativa Liberal, Livre, ADN, Chega, Bloco de Esquerda e o já referido Movimento Vamos Mudar, com o apoio do PS.
No sul do distrito, em Peniche, o atual presidente, Henrique Bertino (eleito num movimento independente que se extinguiu), não se recandidata a um terceiro mandato, abrindo espaço para uma disputa musculada entre o vereador do PSD (Filipe Sales) e o vereador do PS (Ângelo Marques). A CDU e o Chega querem entrar no executivo, o mesmo acontecendo com o Livre. No concelho do Bombarral, Ricardo Fernandes tenta um terceiro mandato à frente da lista do PS; nas últimas eleições venceu a lista do PSD por 186 votos. Contudo, o PSD aposta agora numa coligação inédita com CDS e Iniciativa Liberal, com liderança do maestro Élio Leal, atual presidente da Assembleia Municipal.
Em Óbidos, Filipe Daniel, o atual presidente, que venceu com maioria há quatro anos, concorre a um segundo mandato e volta a enfrentar Paulo Gonçalves, do Partido Socialista. Chega, CDS e CDU também entram na corrida.
Em Alcobaça e Porto de Mós será muito difícil desalojar do poder as candidaturas do PSD. O mesmo não acontece na Nazaré, onde se antecipa uma incerteza de voto a voto; o PS quer manter a liderança da autarquia, mas o PSD sonha com um regresso ao poder. A CDU tenta como mínimo manter o atual vereador que tem no executivo. Na disputa autárquica entram também o Chega e o Bloco de Esquerda.
Em Pombal, o principal interesse reside em saber o que pode valer o movimento Pombal Independentes, contra um PSD absoluto e um PS que espreita timidamente uma renovação. Nas contas de Pombal, o Chega começou por apostar em Mithá Ribeiro, que, entretanto, se afastou do partido e da corrida pombalense, tendo sido substituído por Manuel Serra.
No norte do distrito, em Ansião, o autarca António José Domingues, do PS, tenta a eleição para um terceiro mandato, enfrentando Jorge Cancelinha (PSD), atual presidente da junta de freguesia de Ansião, Gonçalo Paz (CDU) e a surpresa do Chega, Edgar Ramalho, genro de Passos Coelho.
Em Figueiró dos Vinhos, o atual presidente, Jorge Abreu (PS), atingiu a limitação de mandatos, o que alimenta o interesse pela disputa. O PSD volta a apostar em Filipe Silva, o PS opta por Carlos Quintas, o Chega avança com José Fidalgo e o movimento Figueiró Independente apresenta, mais uma vez, Carlos Lopes.
Em Alvaiázere, um dos municípios onde o PSD consegue resultados mais expressivos, o atual presidente, João Guerreiro, tenta a reeleição e enfrenta um antigo autarca do seu partido, Agostinho Gomes, que concorre pelo PS. O Chega também entra na disputa, com Joaquim Alves, e a CDU aposta em Pedro Alves.
Em Castanheira de Pera, o atual presidente, António Henriques (PS), parte em vantagem teórica, mas o PSD, com Pedro Barjona, tem intensificado a campanha e sonha com a reconquista deste pequeno município, o que a acontecer será surpresa. CDU e Chega são os outros partidos que se apresentam a eleições, com Rui Baltasar e João Pela, respetivamente.
Em Pedrógão Grande, o PSD não apostou na reeleição do atual presidente, optando por escolher João Marques, antigo líder da autarquia e ex-deputado, que vai enfrentar Margarida Guedes (PS), António Figueira Domingues (Chega) e Aires Henriques (CDU).
