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Campo de Batalha | Viseu: na cidade PSD, o PS ataca - e torce por uma divisão à direita

27 set 2025, 16:00
Campo de batalha: Viseu candidatos à câmara: João Azevedo (PS), Fernando Ruas (PSD), Helder Amaral (CDS) e Bernardo Pessanha (Chega). Fotos partidos, montagem CNN
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Há autarquias onde o resultado de 12 de outubro terá peso nacional: são populosos, têm vários candidatos a presidente e há possibilidade de troca de protagonistas. Em Viseu, Ruas é favorito. Mas o Chega cresce e o CDS pesa - o que dá esperanças ao PS

Viseu (CNN Autárquicas 2025) - Há décadas que as eleições em Viseu são favas contadas: ganha o PSD. Este ano, o partido continua tranquilo com a perspetiva de Fernando Ruas continuar a liderar um município que conhece bem. Mas numa cidade onde o CDS continua a ter peso próprio e o Chega cresce, o PS está a fazer uma campanha ao ataque, torcendo por uma divisão de votos à direita que lhe abra caminho para uma primeira vitória em democracia. 

Boletim: quem é quem?

Com mais de 100 mil habitantes, a Viseu o PSD oferece a mesma escolha de (quase) sempre. É Fernando Ruas, o atual autarca da cidade, com 76 anos. Regressou à presidência da Câmara de Visem em 2021, depois de a ter liderado entre 1989 e 2013 – só saiu à custa das novas regras de limitação de mandatos. Se for reeleito, conseguirá oito mandatos. E só arrisca o oitavo, justifica, para fechar um ciclo de investimentos prioritários para a cidade.

Contra este histórico, o PS, que nunca venceu a Câmara de Viseu, repete João Azevedo, que muito tem criticado o executivo por funcionar em “serviços mínimos”. Este ano, João Azevedo tem estado ao ataque, por exemplo pondo em causa a concessão das águas a privados ou levantando críticas à comunidade cigana local.

Se o conflito principal é entre PS e PSD, a entrada em cena do CDS-PP – que já esteve à frente desta autarquia no passado – pode atrapalhar as contas. A aposta passa pelo antigo deputado Hélder Amaral. Recorde-se que, nas últimas autárquicas, PS e PSD ficaram separados por um vereador.

O Chega candidata o deputado Bernardo Pessanha e a Iniciativa Liberal vai a jogo com Hélio Marta. São ambos partidos que têm registado bons resultados em Viseu, comprovando o alinhamento do concelho tendencialmente à direita.

Há ainda a candidatura de Leonel Ferreira pela CDU e de Paulo Quintão pelo ADN.

Fernando Ruas ao lado de Montenegro durante um Conselho de Ministros em Viseu (Paulo Novais/Lusa)

Arsenal de campanha

Em Viseu, mais do que uma debate sobre necessidades e medidas concretas, a discussão anda muito à volta de um contraste: a cidade quer repetir o passado ou arriscar no futuro? Ou seja, se quer ou não repetir a fórmula de Fernando Ruas, cujo último mandato é criticado pela oposição.

Ruas explicou que só se recandidatou para ver cumpridas duas promessas fundamentais, onde já conseguiu garantias do Governo: renovar o IP3 com perfil de autoestrada e construir uma nova barragem em Fagilde.

Estas duas promessas revelam duas fortes preocupações em Viseu: as acessibilidades – que se refletem também nos congestionamentos, na falta de uma rede eficaz de transportes públicos e na existência de ligações ferroviárias - e a escassez de água. Contudo, não são as únicas.

Há cada vez mais registos de dificuldades sentidas na habitação, com os preços para arrendar e para comprar a disparar. Uma das realidades que daqui resulta é a do surgimento de barracas como única alternativa encontrada.

Outro dos temas trazidos para cima da mesa pelos candidatos é o da segurança, com vários a admitir a necessidade de reforçar a intervenção da polícia municipal. A isto junta-se a urgência de reabilitar o centro histórico, que muitos cidadãos consideram estar ao abandono. 

É difícil que a autarquia venha a ter um novo inquilino (DR)

Currículo de guerra

O passado importa na hora de medir as probabilidades que cada força política tem. Veja como evoluíram as principais forças políticas neste concelho.

Nota: nesta comparação foram apenas tidos em conta os cinco partidos com maior peso eleitoral nas últimas eleições autárquicas, de 2021. Em contexto de autárquicas, PSD e CDS-PP foram separados nas últimas três eleições. Nas legislativas de 2025 e 2024, PSD e CDS-PP concorreram coligados. O resultado do PSD engloba o resultado de ambos.

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