Está a ver a imagem acima, cheia de caras? E não estão lá todos os candidatos. A vitória está entre dois. PS e PSD esperam ambos ganhar... à justa
Porto (CNN Autárquicas 2025) - Até nas sondagens há divisão, uma dá vitória ao PS, outra ao PSD. É dos grandes campos de batalha mais disputados do país, onde o ex-ministro socialista Manuel Pizarro é repetente e o ex-ministro social-democrata Pedro Duarte é iniciado. Ambos são tão favoritos que nenhum o é claramente - nem dentro dos partidos, de acordo com fontes internas, se dá a vitória por garantida. Após 12 anos do independente Rui Moreira, que sucedera a outros 12 anos de Rui Rio, os candidatos unem-se no ataque ao Metrobus. Mas a mobilidade nem é o tema mais dilacerante na campanha.
Boletim: quem é quem?
Do Porto, concelho com mais de 252 mil habitantes, veio a prova de que um autarca independente pode ganhar a confiança dos seus eleitores. Rui Moreira está a acabar o seu terceiro – e último – mandato. O apoio do atual presidente da Câmara do Porto a uma candidatura era encarado como uma espécie de bênção. E daí que Moreira, querendo manter a independência até ao último minuto, tenha recusado assumir posições. A cadeira que deixa vazia é das mais disputadas do país autárquico.
Basta ver que o recorde de candidaturas: doze. E mais havia: o independente António Araújo viu a candidatura rejeitada pelo Tribunal Constitucional por falta de assinaturas; Aníbal Pinto, pela Nova Direita, acabou por desistir.
Quem será o próximo presidente no Porto? Muito provavelmente, um ex-ministro. É que o PSD, numa coligação com o CDS-PP e a Iniciativa Liberal, avança com Pedro Duarte, que não seguiu no novo governo de Montenegro para assumir esta candidatura. E do lado do PS o nome apresentado é Manuel Pizarro, ex-ministro da Saúde, que já se candidatou duas vezes à câmara do Porto.
As últimas sondagens dividem-se no favoritismo, mas todas dão Pizarro e Duarte a dividir os dois primeiros lugares e próximos um do outro. As contas serão difíceis de fazer até ao último minuto. E é preciso perceber como a candidatura do Chega, com Miguel Côrte-Real, poderá mexer nas contas finais.
Estes são os restantes nomes na disputa: Sérgio Aires pelo Bloco de Esquerda, Diana Ferreira pela CDU, Hélder Sousa pelo Livre, Frederico Duarte Carvalho pelo ADN, Guilherme Alexandre Jorge pelo Volt, Nuno Cardoso, independente em coligação com o Nós, Cidadãos e o PPM (foi antigo autarca pelo PS), Luís Tinoco Azevedo pelo PLS e Maria Costa pelo PTP.
Arsenal de campanha
Na segunda cidade politicamente mais importante do país, há um tema incontornável no debate: a habitação. O aumento dos preços, seja nas rendas, seja no momento de compra, tem tornado mais dura a vida das famílias portuenses. Um dos dramas crescentes na cidade é o das pessoas em situação de sem-abrigo. Os candidatos têm dado garantias no sentido de encontrar soluções para tornar aumentar a oferta, pelo lado da construção de habitação acessível, mas também pela recuperação de imóveis sem uso.
Outro dos temas fortes é o da segurança. Têm-se multiplicado os relatos de crimes na cidade, muitas vezes associados ao consumo de droga. É algo que contribui também para a degradação dos espaços públicos, muitas vezes com seringas e outros resíduos de consumo nas ruas. O reforço policial é um objetivo partilhado pelos candidatos.
Para melhor a vida no Porto, surge também como prioritário o investimento nos transportes públicos, criando uma rede cada vez mais articulada, que permita dar resposta aos movimentos pendulares, uma vez que, graças à dinâmica da habitação, há cada vez mais gente a trabalhar no Porto, mas a viver fora dele.
Por fim, o turismo, que tem alimentado muitos debates no Porto, com queixas de uma certa perda de identidade - que deixa a baixa do Porto descaracterizada e afeta o seu comércio local, que, não podendo concorrer com as grandes marcas internacionais ou com as pressões imobiliárias, acaba por fechar portas.
Currículo de guerra
O passado importa na hora de medir as probabilidades que cada força política tem. Veja como evoluíram as principais forças políticas neste concelho.
Nota: nesta comparação foram tidos em conta, além da candidatura independente de Rui Moreira, os cinco partidos com maior peso eleitoral nas últimas eleições autárquicas, de 2021.