No primeiro debate entre os principais candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, o Chega acusou o autarca social-democrata de não resolver o problema das ocupações de casas camarárias em Lisboa e de ter "legalizado" 700 fogos que tinham sido previamente ocupados. O PCP diz que a autarquia preferiu licenciar hotéis a criar casas com rendas acessíveis
Carlos Moedas (PSD/CDS/IL) garantiu que em quatro anos fez "mais" pela habitação em Lisboa do que os 14 anos anteriores de liderança socialista, Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN) sustentou que a capital "nunca cheirou tão mal", Bruno Mascarenhas (Chega) acusou o Executivo social-democrata de "discriminação" contra os portugueses e João Ferreira (CDU) pediu que se pare de gastar dinheiro com a devolução do IRS que "seria suficiente para restaurar todo o parque escolar". No primeiro debate a quatro, os principais candidatos à Câmara Municipal de Lisboa divergiram sobre habitação, higiene pública, insegurança e imigração na cidade que vai eleger o seu próximo líder daqui a sensivelmente um mês.
O debate, transmitido pela SIC, arrancou com o tema da responsabilidade política sobre o trágico acidente do Elevador da Glória que provocou a morte de 16 pessoas. A candidata do PS, a primeira a falar, sublinhou que "é preciso esclarecimentos, apurar responsabilidades, com a serenidade que a situação exige", salientando que o PS fez uma série de perguntas e exigiu vários documentos na última reunião de Câmara e que ainda não recebeu qualquer resposta. "Temos de saber o que correu mal para podermos apurar o que aconteceu, para encontrar soluções que pemitam garantir que não volta a acontecer".
Já Carlos Moedas insistiu que sempre assumirá "toda a responsabilidade política" e criticou o "bombardeamento de contrainformação" durante dias após o acidente. "Eu estive no terreno a tomar muitas decisões", apontou, destacando que pedir a demissão seria "uma cobardia". O atual presidente destacou ainda que há "um mundo de comentários, jornais e media" e depois há um dia a dia na rua". "Consegui fazer em quatro anos muito mais do que 14 anos de PS", respondeu, quando perguntado sobre se uma derrota eleitoral em outubro ditaria o seu fim político.
No tema da habitação, assunto que Moedas garantiu estar "à vontade" por o seu Executivo já ter entregado mais de 2.800 casas, o autarca apontou o nome de Vasco Moreira Rato, que trabalhou com a anterior vereadora, como o próximo detentor da pasta da Habitação e do Urbanismo. "Aquilo que fizemos não tem paralelo", disse, destacando que uma das suas prioridades para o próximo mandato será o de "trazer os jovens lisboetas para os bairros históricos". Em resposta, o candidato do Chega sublinhou que é preciso ter "uma nova visão para a cidade" e que se têm registado vários incumprimentos na habitação social. Para Bruno Mascarenhas, o caminho passa por uma "estratégia de leasing" em que se dará a oportunidade de quem arrenda imóveis ao Estado de os comprar com base naquilo que já pagou em rendas. Ao mesmo tempo, acusou Moedas de não resolver o problema das ocupações de casas camarárias em Lisboa e de ter "legalizado" 700 fogos que tinham sido previamente ocupados.
Já o presidente da Câmara de Lisboa defendeu-se, apontando as mais de 400 desocupações de casas que realizou durante o seu mandato. Por outro lado, João Ferreira, candidato da CDU, criticou o Executivo por ter permitido a transformação de vários imóveis públicos que poderiam ter sido convertidos em habitações acessíveis em hotéis. "A autarquia licenciou irrestritamente estes imóveis para hotéis, desviando-os da função habitacional que poderia ter".
Também Alexandra Leitão criticou a falta de construção de casas em Lisboa e avançou que pretende "num mandato" introduzir 4.500 fogos em renda acessível. Para isso, clarificou, é necessário "mobilizar devolutos, especialmente do Estado" e trabalhar com privados, nomeadamente "dar uma majoração na construção a quem esteja disposto a construir habitações, garantindo que pelo menos 25% serão para regimes de habitação acessível". A "longo prazo", o objetivo é a construção de 64 mil novas casas.
A imigração foi outro dos temas quentes do debate, com Carlos Moedas a destacar que foi dos "primeiros políticos a falar dos problemas de imigração" e que está a "notar uma melhoria" na integração e na garantia de condições de vida para os imigrantes. "Nos bairros mais difíceis, a Polícia Municipal tem vindo a ter uma intervenção mais musculada". Bruno Mascarenhas discordou, salientando Moedas teve "quatro anos a apelar para que viessem todos" e que, como consequência, "os portugueses têm vindo a ser expulsos das suas casas e das suas lojas". Já João Ferreira argumentou que Lisboa deve ser uma "cidade aberta e inclusiva" e apelou à criação de uma "embaixada solidária" que permita aos imigrantes aprenderem a língua, nos casos em que não a conhecem, e encontrar oportunidades de trabalho.
Alexandra Leitão, contudo, deferiu críticas a Moedas pelo estado de sujidade das ruas e pela falha na implementação de equipamentos que tornem a cidade mais segura. "nunca houve tanta iluminação pública a falhar como existe hoje". Nisto, Carlos Moedas criticou o facto de quando chegou à Câmara o serviço de iluminação era apenas composto por 16 pessoas. "Nós estamos a duplicar esse serviço, mas não conseguimos corrigir em 4 anos os erros de 14 anos". "Se gasta mais e tem mais gente, mas a iluminação é pior então gere mal", respondeu a candidata do PS, apontando ainda para o facto de existirem trinta câmaras de vigilância que não funcionam na capital e de a Polícia Municipal estar em "mínimos".
Ainda neste tema, João Ferreira defendeu a criação de esquadras de proximidade, "fundamentais para uma função preventiva de segurança".