Há autarquias onde o resultado de 12 de outubro terá peso nacional: é o caso de Sintra, populosa, com três candidatos a presidente e a certeza de troca de protagonistas
Sintra (CNN Autárquicas 2025) - É o segundo concelho mais populoso do país. Tem uma câmara com "cofres cheios" para quem ocupar a cadeira que Basílio Horta deixa ao fim de 12 anos. E tem três possíveis vencedores: o PS não quer perder a que é atualmente a sua maior câmara; o PSD acredita na vitória; o Chega jogou uma das suas cartas mais fortes e está no jogo da liderança. Dentro dos três partidos, em off, receio e esperança são as duas faces da mesma moeda, em nenhum se dá a vitória nem por certa, nem por perdida.
Boletim: quem é quem?
Ana Mendes Godinho é a escolha do PS para segurar a autarquia. A antiga ministra do Trabalho, que ganhou visibilidade durante a pandemia Covid-19, pelas sucessivas soluções que teve de encontrar durante a crise também económica e social, quer mostrar que continua de mangas arregaçadas para Sintra. Há meses que anda a sentir o pulso aos sintrenses. Segue em coligação com o Livre, apoiada pelo Volt, numa aliança que não esteve isenta de polémicas – e que levariam ao afastamento de um outro aliado, o Bloco de Esquerda.
O principal adversário é Marco Almeida, filho da terra, que usa as raízes e a sua experiência como argumento eleitoral. Conhece bem a autarquia por dentro, tendo sido vice-presidente e vereador. Espera que à terceira candidatura à presidência da câmara seja mesmo de vez. Juntou forças com a Iniciativa Liberal, que tem conseguido bons resultados no concelho, e com o PAN.
O Chega, que foi o partido mais votado em Sintra nas últimas legislativas, aposta em Rita Matias, deputada e "estrela" das redes sociais, que, para reinar, quer tirar partido das divisões naturais num território de contrastes como é Sintra.
As sondagens, como a feita para a TVI e CNN Portugal, têm mostrado empate técnico entre Ana Mendes Godinho, Marco Almeida e Rita Matias.
Quem pode atrapalhar as contas, pelo menos do PSD, é atual vereador Maurício Rodrigues. É que, nestas eleições, o CDS-PP assina o divórcio com o PSD em Sintra, podendo levar a uma divisão de votos à direita. Os democratas cristãos não seguem sozinhos: PPM e ADN fazem parte da coligação.
Pela CDU concorre Pedro Ventura, pelo Bloco de Esquerda Tânia Russo, pela Nova Direita Júlio Ferreira.
Arsenal de campanha
Num concelho onde a população cresce, também cresce a procura pela habitação. A pressão sobre o mercado imobiliário é notória em Sintra, seja pelo efeito da proximidade a Lisboa, seja pela procura turística, que tira opções do mercado.
É o tema fundamental nesta campanha em Sintra. A falta de oferta e a subida dos preços, a que se juntam as situações de habitação ilegal e de sobrelotação, que se cruzam com o debate – também tenso e intenso – sobre a imigração.
Outro dos pilares é o da mobilidade. É necessário a melhoria das ligações rodoviárias e ferroviárias a Lisboa, para assim diminuir os congestionamentos que todos os dias marcam o acesso aos subúrbios. Entre as propostas, há o fim das portagens na A16 e o reforço dos comboios da linha de Sintra.
Mais população implica também uma maior resposta de infraestruturas e serviços públicos, como creches ou equipamentos desportivos. Em matéria de segurança, os candidatos acenam com o reforço da videovigilância e da iluminação pública.
Há ainda uma discussão a que Sintra não pode fugir: a do turismo, com o centro histórico a sentir os efeitos da forte procura. É notório nas dificuldades de acesso, mas também na qualidade do descanso de quem ali vive.
Currículo de guerra
O passado importa na hora de medir as probabilidades que cada força política tem. Veja como evoluíram as principais forças políticas neste concelho.
Nota: nesta comparação foram apenas tidos em conta os cinco partidos com maior peso eleitoral nas últimas eleições autárquicas, de 2021. O PSD avançou em coligação.