Presidente da Câmara deixou o cargo para ser deputado na Assembleia da República. Agora segue-se uma corrida a três com um favorito
Vila Real (CNN Autárquicas 2025) - A Câmara Municipal de Vila Real foi governada desde 1976 até 2013 pelo PSD, com Armando Moreira, de 1976 a 1993 e Manuel Martins, de 1993 a 2013.
O processo de escolha do sucessor de Manuel Martins foi polémico. O PSD chegou a anunciar o nome do vice-presidente do município para candidato, mas, Domingos Madeira Pinto acabaria por renunciar por “não sentir que estavam salvaguardadas as condições necessárias”. O nome apresentado pelo PSD acabou por ser António Carvalho num processo que se mostrou desastroso para o partido, tendo dado pela primeira vez a vitória na autarquia aos socialistas, que apresentaram a eleições Rui Santos, o mesmo candidato de 2009.
Rui Santos garantiu três vitórias para os socialistas e trouxe de volta as corridas automóveis a Vila Real com provas da Federação internacional de Automobilismo - a maior marca do concelho -, a redução do valor da fatura da água, o aumento da taxa de cobertura do saneamento básico, mais horários e alargamento da rede de transportes públicos, a requalificação da Avenida Carvalho Araújo (central na cidade), a requalificação do Campo do Calvário e a resolução do problema do chamado “Hotel do Parque” (um hotel inacabado que já vinha do tempo de Armando Moreira e que foi transformado num prédio de apartamentos). Em construção estão as novas Piscinas Municipais e um novo parque de estacionamento no centro histórico, junto ao Seminário de Vila Real.
Com a renúncia de Rui Santos à presidência da câmara, em junho, para assumir o lugar de deputado à Assembleia da República, a autarquia passou a ser presidida por Alexandre Favaios, o socialista que está mais bem posicionado para vencer as eleições, e que vai ter como principais concorrentes Alina Sousa Vaz pelo PSD e Alberto Moura pelo Chega.
Alina Sousa Vaz, que é diretora do Centro de Emprego e Formação Profissional de Vila Real, venceu as eleições internas do partido em julho de 2024 e apresenta-se a votos aos vila-realenses com a difícil tarefa de reconquistar a autarquia para o PSD, recorde-se, por exemplo, que o PSD em 2021 não conseguiu vencer nenhuma das 20 Juntas de Freguesia de Vila Real, 17 foram ganhas pelo PS e três por listas independentes apoiadas pelos socialistas.
Quanto ao candidato do Chega, Alberto Moura, um professor que ingressou desde novo na política através do PSD e que chegou a ser diretor de campanha nas eleições de 2017 de António Carvalho - naquela que seria a sua segunda derrota contra Rui Santos – apresenta-se nestas eleições pelo Chega como a maior novidade com a possibilidade de conquistar um lugar no executivo vila-realense, não só pelo ascendente do partido nas últimas eleições realizadas em Vila Real em 2024 e 2025, mas, também, por ser uma pessoa bem conhecida dos vila-realenses, principalmente na cidade.
Nas últimas eleições o PS obteve 5 vereadores e a coligação PSD/CDS dois vereadores.
Seja quem for o novo autarca eleito para governar o município vai ter pela frente a necessidade de dar uma nova capitalidade ao concelho, Vila Real tem de ser o motor da região, terá que captar investimentos e empresas para que o município tenha mais e melhores empregos, quanto ao turismo a estratégia tem de passar por uma afirmação que neste momento não existe, nem sequer em termos de turismo ambiental, apesar do concelho concentrar uma enorme zona do Parque Natural do Alvão.
A mobilidade é outro assunto que urge mudanças, as requalificações na cidade trouxeram ruas mais estreitas às quais se acrescentam mais automóveis, é, pois, urgente resolver alguns dos maiores problemas de trânsito, para além de uma revisão com a concessionária dos transportes urbanos que tem ao serviço viaturas completamente desajustadas aquilo que são as necessidades do concelho.
As corridas de Vila Real que são a marca do município e que regressaram com o executivo socialista já não podem passar apenas pela semana da realização anual do evento, quem visita a cidade ao longo do ano tem de ter algo que o ligue ao circuito, como algum tipo de museu, recorde-se que as corridas começaram em 1931 e não há nada que dignifique esta história permanentemente.
A falta de habitação a preços acessíveis é também um dos problemas no concelho que tem como principal motor de desenvolvimento a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Neste momento a UTAD tem em construção algumas centenas de novas habitações para estudantes ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, mas são de todo insuficientes para aquilo que são as necessidades dos vila-realenses.
Luís Mendonça é diretor do jornal NOTÍCIAS DE VILA REAL. Consulte o site do jornal aqui.