opinião
Jornalista. Diretor-adjunto executivo do DIÁRIO DE COIMBRA

Uma renovação "forçada" no distrito de Coimbra

2 out 2025, 09:00
Coimbra (Pexels)

Entre os 17 concelhos, há seis presidentes que não se podem recandidatar. Listas “independentes” podem baralhar muitas contas

O distrito de Coimbra vai acordar, a 13 de outubro, com um plantel de autarcas renovado, mas nesta fase são poucos os que têm a “titularidade” garantida.

Em seis concelhos, os atuais presidentes de Câmara (todos socialistas) estão impedidos de se candidatar ao fim dos três mandatos seguidos e de anos à frente dos seus Municípios. Além de representarem um terço do total das câmaras a votos, na maioria dos casos o processo de escolha dos candidatos do PS foi pouco pacífico e levou ao aparecimento de listas independentes que vão certamente baralhar as contas.

Foi o que aconteceu em Condeixa-a-Nova, Soure, Montemor-o-Velho e Vila Nova de Poiares. Em todos estes concelhos, além do candidato “oficial” do PS, há movimentos independentes liderados por figuras locais socialistas.

António José Figueiredo, atual presidente da Assembleia Municipal de Condeixa-a-Nova, é o candidato socialista à Câmara e conta com a “oposição” de Liliana Pimentel, que já foi vice-presidente da Câmara e líder da concelhia local do PS. O PSD aposta em Avelino Santos, diretor do Agrupamento de Escolas do concelho, para tentar aproveitar a divisão entre os socialistas.

O cenário repete-se em Soure. O PS apresenta a votos o antigo presidente de Câmara João Gouveia (entre 1994 e 2013 fez três mandatos eleito pelo PSD e os últimos dois pelo PS) mas tem como concorrente Rui Fernandes, que foi chefe de gabinete do atual presidente de Câmara, Mário Jorge Nunes, e leva na sua lista alguns elementos do atual executivo. Já o PSD apresenta Carlos Páscoa, gestor de empresas, que já foi presidente da Assembleia Municipal de Soure.

Em Vila Nova de Poiares os condimentos são parecidos. O PSD candidata Miguel Soares (filho de Jaime Soares, que liderou o concelho durante quase 40 anos) e à esquerda há nova divisão entre Lara Henriques (atual vereadora socialista) e Nuno Neves (presidente de Junta de Freguesia eleito pelo PS), que avança como independente.

O mesmo acontece na chamada “capital” do Baixo Mondego. O atual vice-presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, é o homem escolhido pelo PS, mas vai certamente dividir parte dos votos socialistas com Décio Matias, vereador eleito nas listas do PS nos dois últimos mandatos. Já o PSD recandidata Maria João Sobreiro.

Além destes quatro casos, também na Lousã e Miranda do Corvo o PS tem de apresentar novas “caras”. Nestes dois concelhos, entre os socialistas, terá havido algum consenso (mais na Lousã do que em Miranda).

Em Mira, o entretanto falecido Raul Almeida (saiu da Câmara em setembro de 2023 para a Turismo Centro de Portugal) também completaria um terceiro mandato consecutivo. Artur Fresco (PSD) foi quem assumiu a Câmara nestes dois últimos dois anos e vai agora, pela primeira vez, a votos como cabeça de lista. Os socialistas optaram por Francisco Reigota, atual presidente de Junta de Freguesia num concelho que se tem pautado por alguma alternância entre estes dois partidos.

Góis e Penela foram dois concelhos que há quatro anos geraram alguma surpresa e é natural que se mantenha alguma expectativa para o dia 12 de outubro. Em Góis, Rui Sampaio (PSD) venceu um concelho que desde o 25 de Abril só tinha vestido de laranja uma vez (em 1979) e, em Penela, Eduardo Santos (PS) ganhou um município que tem sido sempre social-democrata. Ambos se recandidatam, sendo que em Góis (o PS aposta em Jaime Garcia) não se sabe o efeito da saída de cena do movimento independente que ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições autárquicas. O PSD, para tentar recuperar Penela, chamou o antigo autarca António Alves.

Mais tranquila, aparentemente, parece estar a vida para os atuais presidentes de Câmara que se recandidatam em Arganil (PSD), Cantanhede (PSD), Figueira da Foz (Santana Lopes foi eleito em 2021 como independente e vai agora pelo PSD), Pampilhosa da Serra (PSD), Penacova (PSD), Oliveira do Hospital (PS) e Tábua (PS).

E deixamos para o fim o jogo de tripla que é o Município de Coimbra. O actual presidente José Manuel Silva repete a coligação de direita a que se juntou este ano a Iniciativa Liberal. Tem pela frente Ana Abrunhosa, que lidera uma inédita (no concelho o PS sempre foi sozinho a votos) coligação que junta aos socialistas o Livre, o PAN e os Cidadãos Por Coimbra. Duas figuras com forte projeção mediática além do poder local (ele antigo Bastonário da Ordem dos Médicos e ela antiga ministra da Coesão Territorial) num inédito confronto de coligações.

Se a todos estes condimentos juntarmos a pergunta de “um milhão de dólares” - quantos dos votos de Ventura das legislativas vão manter-se no Chega numa votação tradicionalmente muito focada nos candidatos locais? - percebemos que a noite de 12 de outubro tem tudo para ser muito animada no distrito de Coimbra.

 

João Luís Campos é diretor-adjunto executivo do DIÁRIO DE COIMBRA. Consulte o site do jornal aqui.

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