Dia 4, Viseu. Processo Evangelizador em Curso

25 set 2025, 07:00
O PAÍS DO MEIO || Dia 4, Viseu

O PAÍS DO MEIO || Disseram-me que em Viseu havia “uma igreja evangélica em cada esquina”. Não trouxe panfletos, trouxe dúvidas: entre as rotundas que educam o pescoço e as vitrinas com nomes bíblicos, a cidade parece dizer que aqui nada se toma de assalto — circunda-se. Há igrejas de loja, naves com friso vermelho e pedra antiga com cruz sem corpo; há o sotaque do Brasil a encher coros e a semana em A4 colada no vidro. Venho fazer sociologia a pé: leitura antes de grito, pessoas antes de números. Pergunto porquê — porquê aqui, porquê assim, porquê agora — e encontro uma regra local que serve de bússola: Viseu testa antes de acolher

Viseu (CNN Autárquicas 2025) - Entrei em Viseu mais pela dúvida, que é a melhor forma de entrar num lugar, a pedir licença às pedras, do que pela certeza. 

A Nacional 2, já cansada de ondular por socalcos e pinhais, chegaria como um fio de água à barragem e, de repente, a cidade abriu-se em círculos: rotunda, outra, mais uma, e outra ainda, até o pescoço pedir tréguas e o pisca virar metrónomo, ruído branco, como se a geometria de Viseu fosse um aviso de método, o recado silencioso que Viseu dá: aqui, as coisas não se tomam, circundam-se. 

Um viseense de cartografia íntima, daqueles que sabem a cidade de saber, e de transversais, desses que sabem atalhos que não vêm nos mapas e tratam as travessas pelo seu nome próprio, tinha-me dito que aqui a religiosidade local já não é só andor e procissão, também é vitrina nova com nomes bíblicos, acendem-se portas ao fim do dia para cultos. “Vais encontrar uma evangélica em todas as esquinas” — e disse-o com uma familiaridade de quem não precisa de provas. Exagero, pensei. Acenaria que sim mas incrédulo. E guardei esta frase no ouvido, que é um bolso sem fundo.

O que se segue não é libelo nem catecismo: é observação com ouvidos, é sociologia a pé, uma pergunta — porquê — simples que puxa outras três: porquê aqui, porquê assim, porquê agora.

Comecei por onde as cidades costumam confessar-se: a avenida larga junto ao terminal, onde as letras gigantes de VISEU repousam à sombra da pala de betão e os autocarros entram e saem como vagos anúncios de destino. À direita, dobrando a esquina, um coração vermelho sobre letras azuis, Centro de Ajuda, encostado ao vai-e-vem do terminal. Não é uma catedral; é um balcão com porta automática, fé em modo front-office. Ao lado, uma placa oferta “30 minutos gratuitos”: a eternidade não se pode prometer, mas meia hora de misericórdia no parquímetro já está mais que garantida. Mais acima, no miolo citadino, um rés-do-chão de tijolo, que já foi loja, com a grade meio subida. No vidro, o vinil branco assina: Igreja Evangélica Restaurada em Cristo. Colada por baixo, uma A4 com a semana alinhada: sexta-feira — Restauração; domingo — Escola Dominical. Não há vitrais nem cúpulas; há um letreiro verde discreto e a promessa de encontro no fim da semana. É uma igreja de vizinhança, da rua de estacionamento difícil, dessas que se deixam ver quando a persiana sobe e o som do coro escapa pelos interstícios do gradeamento. 

Desço outra vez a avenida e a cidade abre-se na paisagem industrial, onde as coisas costumam ser o que são: pavilhões brancos com friso vermelho, viaturas a dormir ao sol, aparelhos de ar condicionado pregados em fachadas diretas, sem salamaleques, que não fingem ser outras. É aí que uma lona azul anuncia ADDI Viseu — Assembleia de Deus Internacional. A fé cabe num armazém sem esforço, como cabem os móveis, as oficinas e as “logísticas” que os tempos modernos inventaram. No cartaz, uma frase em rodapé fala em “Nações por Herança”; a herança, naquele instante, é o sopro morno que sai dos motores dos ares condicionados alinhados em bateria, como sentinelas cromadas. Regresso ao centro histórico no passo curto que Viseu pede — e que a idade aconselha. Passo por uma montra ampla onde se lê SARA — Nossa Terra, “Comunidade Evangélica”, a palavra terra a casar com o nome de uma matriarca bíblica. Uma barreira laranja de Empark intromete-se na fotografia: Nossa Terra à esquerda, parquímetro à direita — entre o culto e o talão, entre a parábola e o parquímetro, a cidade resolve-se.

Dobro outra rua e descubro a versão doméstica desta cartografia: uma moradia geminada, reboco claro, varanda com vasos e, pendurado sobre a porta, o pano onde se lê Igreja Evangélica Herdeira de Deus — Projecto Madalena. Sem matriarcado. O bairro está cheio de roupa a secar ao vento — lençóis que conhecem receitas de família — e, de repente, a palavra Madalena ganha o peso do quotidiano: há crianças na rua, um cão que ladra ao carteiro, uma senhora a regar os gerânios. A igreja de bairro tem esta substância: entra e sai pelo mesmo portão com que se entra e sai de casa. No quarteirão seguinte, HOL — House of the Lord. Fica frente a frente com um café que serve bicas em ritmo de relógio de ponto. Olho para o vidro e lá está a folha impressa, quase escolar, “Agenda Semanal”, com as horas do culto escritas como quem desenha um horário de aulas. O acrónimo inglês não esconde nada: casa do Senhor. A porta é singela, o letreiro usa as três letras como se fossem um puxador e eu penso que também na linguagem se dá este trânsito — uma sigla estrangeira, um bairro português, o mesmo gesto de abrir. 

E a lista podia continuar, a profecia de haver uma “evangélica em cada esquina”: Betel, Fortalece, Maranata, ADEFE — Fogo para Europa, Maná de Viseu. Exemplos, apenas. Lojas de rés-do-chão, naves discretas na zona industrial, casas de bairro com letreiro na varanda, portas de prédio com agenda no vidro, garagens que, ao domingo, se abrem em cântico. Não as vi a todas — seria preciso uma semana talvez —, mas contam-mas na secretaria das coisas ditas baixinho: mais portas com nomes que vêm da Bíblia, mais reuniões ao fim do dia, mais sotaques misturados. Viseu, que foi de andor e procissão, também é isto: fé que tomou o hábito da montra e da placa de acrílico.

Mas o contraponto, o coração desta reportagem, está numa esquina de pedra lavrada que resiste desde o começo do século passado. 

Primeira Igreja Evangélica Baptista de Viseu: as palavras assim, a ortografia antiga no “p” que ficou na pedra, gravada num friso de granito. As janelas altas fazem lembrar um liceu de antes da modernidade; nas ombreiras, duas colunas guardam a entrada como quem segura um limiar. Por cima da porta, dois blocos esculpidos em forma de livro: “Arrependei-vos e crede no Evangelho.” As portas de madeira abrem-se, um pequeno patamar, uma escada curta, e o pastor recebe-me com o sorriso calmo de quem sabe que as respostas raramente se dão de rajada; dão-se por camadas.

Joaquim Bráz-Vieira veio de Lisboa e deixou que Viseu lhe ensinasse a paciência. Há cinco anos, diz-me, começou a aprender o método da cidade. Vamos falar de ontem para perceber o agora e ele recua sem solenidade: “Um homem chamado Joseph Smith, do Porto, ligado ao Tabernáculo do Spurgeon em Londres, é o primeiro organizador da Igreja Batista em Portugal. Depois, vêm seis pessoas; não são muitas, mas são suficientes. Em 1914 organizam a igreja aqui, em Viseu. Era o tempo da Primeira República, uma certa laicidade a nascer. Viseu, conservadora e católica, olhou de lado. E, no entanto, foi assim, porta a porta, em trabalho de relacionamentos pessoais, que tudo começou, sem estruturas que nos amparassem.”

Não há grandiloquência na voz; há memória. O pastor fala de uma cidade que, para aceitar o novo, precisava de o conhecer por dentro. “Viseu é um caso de sucesso — pela graça de Deus —, mas também de sobrevivência. Houve incursões evangelísticas em aldeias aqui perto em que os irmãos foram corridos à pedrada; apareceu uma forquilha até. Era medo do que desconheciam: ‘o que significa ser evangélico, ser batista?’.”

Não há cenário montado. Cá dentro, a sobriedade respira. O salão tem paredes de madeira, cadeiras de costas direitas e assento negro, alinhadas com disciplina de quartel; dois arcos amarelos enquadram as laterais; ao fundo, um vitral dá luz ao batistério; no púlpito pousa um arranjo contido de flores. É uma estética que diz um método: leitura antes de grito, alegria sem êxtase marcado. O pastor aponta discretamente para o vitral e explica que ali, por vontade teológica, a cruz está despida. “Para nós, Cristo ressuscitou e está vivo. A cruz, como descreve o apóstolo Paulo, é um símbolo de vergonha para outros, mas para nós é um símbolo de salvação. Não queremos apagar a ressurreição; por isso, olhamos para a cruz despida e não para a figura do sofrimento.” Diz isto num tom que não acusa nem se defende; explica.

A conversa puxa a sociologia. Pergunto-lhe pelo “porquê agora” — por que é que a cidade se encheu de igrejas como quem muda de acento — e ele escolhe a simplicidade: migração. “A cidade mudou. Em 2018 havia alguns brasileiros; hoje há muitos. Muitos são evangélicos e, não vindo de igrejas denominacionais, procuram espaços que se pareçam com o que conheciam. Há igrejas com noventa por cento de brasileiros. Diz-se ‘é só brasileiros’; não é verdade. Também há portugueses; a maioria, em certos casos, é que vem do Brasil.”

Peço-lhe então o mapa dentro do “guarda-chuva” Evangélico, o que distingue o sotaque do método.  Peço-lhe diferenças e semelhanças, sabendo que os mapas mudam conforme a mão que os traça. Sorriso leve, enumeração breve mas densa: “Evangélico quer dizer o que se rege pelos evangelhos, pelo modelo do Novo Testamento. Em doutrina, as diferenças podem ser pequenas; em prática, enormes. Nós celebramos com alegria — porque celebramos a vida —, mas não fazemos do culto um espetáculo. Há quem bata palmas — a Bíblia até fala disso —, mas nós não temos o hábito. E, sobretudo, não condicionamos Deus ao calendário. Não é ‘terça-feira, libertação; quarta-feira, libertação’. Parece que Deus tem agenda. Não. Queremos ser permeáveis ao Espírito sem lhe ditarmos a hora.”

A certa altura, voltamos ao princípio batista, que é também um modo de governo. “A igreja local é autónoma. Quando um grupo ganha dimensão, autonomiza-se: Viseu não manda em Castro Daire. Há quem cresça por franchising, mas a nossa tradição é outra. Sem protagonismos humanos: se alguém procura protagonismo, bateu à porta errada. O protagonismo é de Jesus.” A frase vem sem espavento, como quem repete uma regra antiga.

No país que fomos, a história não passou ao lado. O pastor leva-me ao salão social lá em cima e, antes de abrir a porta, conta: “Fizemos aqui peças amadoras durante anos. Aparecia sempre um informador da PIDE. Queriam perceber o que se dizia. As peças eram evangelísticas — histórias simples, marido, mulher, filhos, tropeços; no fim, Jesus. E havia um pormenor: a bandeira americana, porque este salão era de uma junta americana. Em caso de aperto, a propriedade era deles.” Subimos dois lanços de escada e, por um instante, a madeira range como um arquivo que se recorda.

No regresso ao salão principal, as cadeiras vazias convidam a sentar. Falamos de funerais e de como uma cidade lê os seus ritos. “Nos cultos fúnebres nós cantamos. É homenagem e luto ao mesmo tempo; não é o carvão de um pesar que não deixa respirar. Nos anos 20, 30, 40, houve quem ficasse escandalizado. Aos poucos, amansou.” E falamos do que dói: o ostracismo dentro de casa. “Houve pais muito ofendidos quando os filhos se converteram e foram batizados. ‘Já foste batizado na Igreja Católica’, diziam. E o filho respondia: ‘O batismo é compreensão; em bebé eu não tive consciência.’ Ao casamento foram; ao batismo, não. Com o tempo, aproximaram-se.”

A cidade — e a política — espreita por entre as frestas. “Enquanto batistas, defendemos a separação Igreja–Estado. Oramos pelo país e por quem governa, não por partidos. Durante muito tempo, os pastores dividiram-se, silenciosamente, entre PS e PSD. Mas nunca foi assunto de púlpito. Hoje, por influência norte-americana e brasileira, a palavra ‘evangélico’ ganhou conotações políticas que nos pesam. Há pastores que se tornam mais políticos do que pastores. Não é a nossa vocação.”

O dinheiro entra sem cerimónia na conversa, novamente remetendo à influência evangélica norte-americana e brasileira. “O dízimo e as ofertas são compromisso de fé e gratidão. Não compram a salvação, não garantem a prosperidade — seja ela saúde ou finanças. Ninguém é condicionado. Quem não tem, não dá. E o que entra redistribui-se. Cooperamos com igrejas que têm loja social. Uma vez, alguém chegou só com roupa de verão e, em 45 minutos, a igreja reuniu o que faltava para o frio. É isto.” O verbo que usa mais vezes é servir.

Pergunto-lhe, então, pelo lado de fora. Aquilo que qualquer morador responde quando lhe pedem um retrato: o que é bom, o que falta. “Qualidade de vida há porque há menos pressão. Há limpeza, há segurança. Nós fomos bem acolhidos — gosto desta palavra —, e a cidade tem uma prudência que eu aprendi a respeitar: testa antes de acolher. Mas falta-nos uma equipa médica mais estável no hospital central; falta reforço de transportes públicos, porque os autocarros somem a meio do dia. E, nas aldeias, ficaram as escolas sem crianças.” No emprego, a leitura é parecida com a de tantas cidades médias: “Muito serviço, pouca indústria. Mangualde e Tondela ajudam. O comércio tradicional levou a pancada dos centros comerciais. E muitos jovens saem e não voltam; alguns regressam, poucos."

Eu também trago Viseu na família. A minha mãe é de Castro Daire; aprendi cedo o peso dos degraus de granito, a gravidade dos que ficam, a economia de quem não desperdiça adjetivos. Foi por isso que, desde o começo, quis olhar para esta proliferação “de evangélicas” como se olha para uma árvore que cresce: não com a impaciência de quem mede centímetros, mas com o cuidado de quem percebe onde assenta a raiz. Viseu acolhe o sotaque brasileiro e o louvor expansivo; ao mesmo tempo, conserva uma tradição batista onde a leitura precede o grito e a cruz se apresenta sem corpo. Entre uma coisa e outra, a cidade circunda, testa, acolhe.

Este percurso que fiz não serve para contar fiéis à unidade; serve para perceber o que a cidade está a fazer com a fé e o que a fé está a fazer com a cidade. As igrejas de vitrine ocupam o vazio das lojas; as igrejas de galpão tomam de empréstimo a lógica da indústria; as igrejas de pedra continuam a existir porque leram o seu tempo sem ceder ao folclore. E o diálogo entre elas é o retrato do país que somos: migrações, mobilidade, procura de pertença, economia de sobrevivência e uma política que às vezes tenta usar a religião como alavanca e noutras se assusta com a sombra que ela projeta.

Nos bancos da Primeira Baptista, peço ao pastor uma última síntese, não de prova, mas de método. Ele fala da Bíblia como quem pousa um pão na mesa: “A Bíblia está aqui. Sejamos fiéis ao texto. Há coisas que não me agradam — é natural —, mas o compromisso é com a Escritura.” E, quase a fechar, deixa a frase que trago no bolso como quem traz uma pedra lisa do rio: “Nós não vamos resolver os problemas de toda a gente, mas vamos ajudar a resolver o problema de alguém.” É isto; uma cidade de rotundas a produzir linhas retas.

Ao sair, a tarde pousara já no granito. O letreiro Igreja Evangélica Baptista envelhece bem; a madeira das portas guarda um brilho de oficina. Lá fora, a rua tem um vaso de hortênsias a chamar o verão e dois armários técnicos rabiscados à pressa com siglas — a electricidade nossa de cada dia colada ao sagrado. Desço a ladeira, o sol bate nos vidros e, por instantes, Viseu parece uma fotografia antiga, dessas em que os homens pousavam o chapéu na mão e olhavam para o infinito.

Volto a passar pelo Centro de Ajuda; o coração já está aceso. Na igreja de prédio, as letras do horário de culto sobrevivem ao reflexo do entardecer. No pavilhão da ADDI, o friso vermelho ganha uma sombra comprida. Na moradia de bairro, alguém recolhe a roupa da varanda. Em HOL, a agenda continuará colada ao vidro até ao próximo domingo. E, no templo de pedra, a cruz sem corpo permanece, não como ausência, mas como insistência num modo: Cristo ao centro, o resto na medida certa.

No hotel, ao rever as notas, volto a ouvir a advertência da cidade: testa antes de acolher. Penso na minha mãe, que me ensinou esta gramática serrana feita de cuidado e de demora. Penso nos que chegaram de longe e encontraram aqui um abrigo com sotaque. Penso nos que estavam e se sentaram a ouvir. Viseu está no seu processo evangelizador; não é um slogan, é uma frase de uso. Não tem linha reta, como nenhuma biografia tem. Faz-se em círculos, como as rotundas que nos fazem abrandar. Entre as voltas, aprende-se a avançar. O país do meio é isto: entre os extremos, um caminho que se faz com paciência. E com frases como a do pastor, que me voltam à cabeça quando apago a luz: a Bíblia está aqui; sejamos fiéis ao texto — e às pessoas.


O País do Meio não é um roteiro, pelo menos não turístico. Esta é uma série de 14 reportagens de Tiago Palma, para ler na CNN Portugal. De Trás-os-Montes ao Algarve, o jornalista desce a Estrada Nacional 2 e recolhe os retratos — íntimos, sabedores e naturais — de quem é das cidades, ou mais dos lugares, que a EN2 atravessa. Não são histórias de alcatrão, são histórias do caminho, do país real, ouvindo a voz de quem não é notícia — mas é um país, ou faz um país. Na antecâmara das Autárquicas de 2025, o pulso mede-se sem cartazes, sem promessas eleitorais, sem corta-fitas, sem política; o pulso mede-se como mediu Miguel Torga: “Cultivo-me pelos olhos e pelos pés, no alfabetismo íntimo das coisas”.

O País do Meio

Esta é uma série de 14 reportagens de Tiago Palma, para ler na CNN Portugal. De Trás-os-Montes ao Algarve, o jornalista desce pela Estrada Nacional 2 e recolhe retratos íntimos de quem é destes lugares

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