Para "quebrar todas as ideias velhas e preconceituosas sobre o aspeto de uma mulher". O primeiro desfile plus size na semana da moda australiana

CNN , Oscar Holland
14 mai, 23:30
Uma modelo desfila num vestido desenhado por Vagary, uma das seis marcas que participaram no desfile. (Mark Nolan/Getty Images)

Para a agente de modelos Chelsea Bonner, sempre foi difícil assegurar vagas nas passarelas para mulheres plus size na Australian Fashion Week.

“É um enorme desafio todas as estações conseguir uma, duas ou três modelos acima do tamanho 12 (38 na Europa) na passarela da semana da moda”, disse ela ao telefone a partir de Sydney. “A quantidade de tempo que leva, as tentativas para conseguir convencer... é uma verdadeira batalha.”

Deste modo, Bonner, cuja agência Bella Management tem cerca de 60 modelos plus-size, encarregou-se do problema: organizou o primeiro desfile do evento dedicado exclusivamente a marcas plus size.

Modelo desfila com roupa da Vagary, uma das seis marcas presentes do desfile (Mark Nolan/Getty Images)

“Pensei: ‘Sabem que mais, quero ser eu a fazê-lo’”, relatou ela. “E quando toda a gente vir o quão perfeito isto é, talvez ajude a quebrar todas aquelas ideias velhas, antiquadas e preconceituosas sobre o aspeto de uma mulher e o que é uma modelo.”

Tendo as recentes edições da Australian Fashion Week sido criticadas pela sua falta de casting inclusivo (após o evento do ano passado, a modelo plus size Kate Wasley escreveu no Instagram que a diversidade tinha sido “inexistente”), os organizadores mostraram-se receptivos à ideia, disse Bonner. Ela convidou seis marcas locais que concebem roupas para mulheres de tamanho 12 a 26, o que equivale a 38 a 54 na Europa, a participar num espectáculo intitulado “The Curve Edit”.

Na quinta-feira, no bairro de Eveleigh em Sydney, as marcas apresentaram 84 looks na passarela à frente de cerca de 650 convidados. Quase 30 das modelos de Chelsea Bonner, incluindo uma das modelos plus size mais conhecidas da Austrália, Robyn Lawley, demonstraram peças que vão desde fatos de banho a vestidos elegantes.

Modelo nos bastidores antes do desfile The Curve Edit. (Mark Nolan/Getty Images)

Kerry Pietrobon, designer participante, que co-fundou a marca plus size Harlow com o seu marido em 2012, disse que o desfile foi uma forma de mostrar que “a moda é para todos”.

“Como ser humano, sinto-me como uma cidadã de segunda classe”, afirmou ela durante uma entrevista telefónica. “E como alguém que trabalha na moda com uma marca para pessoas de maior porte, sempre senti que não somos considerados ‘moda’.”

Harlow, que Pietrobon criou depois de ter dificuldades em encontrar roupas elegantes que se adaptassem ao seu tipo de corpo, mostrou 14 looks no desfile, entre eles vestidos compridos estampados e roupas de noite pretas.

Por sua vez, a marca inclusiva Embody Women mostrou fatos estruturados e vestidos justos que “não fogem de uma figura mais cheia, mas celebram-na”, explicou a fundadora Natalie Wakeling por e-mail.

Outras marcas apresentadas no desfile incluíram Saint Somebody, 17 Sundays, Vagary e Zaliea.

Modelo desfila com vestido da Embody Women. (Caroline McCredie/Getty Images)

Ainda há trabalho a ser feito

Embora as “Big Four” semanas de moda (Nova York, Londres, Milão e Paris) ainda não tenham dedicado um desfile inteiro à moda plus size, as modelos com curvas ganharam aos poucos visibilidade nos escalões superiores da indústria. Em janeiro, a marca italiana Valentino recebeu elogios por apresentar tipos de corpo de maior porte na Haute Couture Week de Paris, um evento conhecido pelo uso de modelos waif-like (bastante magras).

Mas, embora o principal evento de moda australiano tenha claramente progredido com o casting deste ano, o país continua aquém do resto da indústria, diz a fundadora e directora criativa da Saint Somebody, Sophie Henderson-Smart.

“A Austrália está muito atrás dos nossos amigos nos Estados Unidos. Parte da minha visão para nós é que podemos facilmente entrelaçar a moda plus size com a moda a que já estamos habituados”, disse ela por e-mail antes do desfile de quinta-feira, onde Saint Somebody mostrou a sua nova colecção “Just as You Are”. “Está é a primeira vez em 26 anos de história que a Australian Fashion Week apresenta designers e um desfile inteiro dedicados à moda plus size.”

As seis marcas mostraram mais de 80 looks na passarela (Mark Nolan/Getty Images)

A diversidade esteve em destaque noutro local do evento, com duas exposições em que participaram designers indígenas e das Ilhas do Estreito de Torres. A programação apresentava também uma apresentação sobre moda “adaptativa”, um termo utilizado para descrever roupas concebidas para pessoas com deficiência.

Mas, embora Chelsea Bonner tenha dado inicio à inclusão das suas modelos, ela salienta que a necessidade haver eventos dedicados à moda plus size demonstra que ainda há trabalho a ser feito. O objetivo, acrescentou ela, é que todas as passarelas representem os vários tipos de corpo.

“Penso que o próximo passo a dar é o mesmo de sempre, um que tenho defendido desde o início: ajudar as marcas e os estilistas a compreender que... também somos consumidores de moda, e gostaríamos de ser reconhecidos e representados”.

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