Há mais dois especialistas genéticos a dizer que a “pior assassina em série da Austrália” pode não ter culpa da morte dos filhos

CNN Portugal , DCT
15 nov, 18:14
Kathleen Folbigg

É um dos casos mais mediáticos do país: uma mulher, agora com 55 anos, foi condenada pela morte dos seus quatro filhos. Mas a ciência pode agora mudar todo o cenário

Quase vinte anos depois de ter sido condenada a 30 anos de prisão pela morte dos seus quatro filhos, entre 1989 e 1999, a australiana Kathleen Folbigg vê novamente a ciência a tentar explicar o fenómeno que pode deitar por terra o título pelo qual acabou por ficar conhecida, de “pior assassina em série da Austrália”.

Após uma investigadora espanhola ter revelado que a morte dos bebés poderia ter sido causada por uma condição genética, dois especialistas revelaram, esta terça-feira, que uma rara mutação genética pode ser a real causa de morte de duas das filhas de Kathleen Folbigg.

Conta a Associated Press que os dois peritos em genética, Mette Nyegaard e Michael Toft Overgaard, da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, escreveram um artigo científico sobre uma variante genética que terá sido passada por Folbigg às duas filhas, Sarah e Laura, que morreram com 10 e 19 meses.

Em causa, está a variante CALM2-G114R, descoberta em 2012, que é hereditária e que pode causar arritmia e morte súbita em bebés. A mutação rara no gene CALM2 modifica uma proteína importante – a calmodulina - para regular o funcionamento cardíaco, controlando a entrada e saída de cálcio das células do coração. 

Este recente estudo está agora a ser avaliado pelas autoridades australianas, uma vez que os filhos Patrick e Caleb não tinham no ADN a tal mutação e também morreram, um com 18 meses e outro com apenas com 19 dias.

A visão destes dois especialistas reforça o esforço de um conjunto de cientistas em compreender o caso e encontrar uma possível causa genética. A imunologista espanhola Carola García Vinuesa foi uma das primeiras a levantar dúvidas sobre a culpa da australiana e, por isso, decidiu falar com vários especialistas mundiais, até reunir um grupo de 27 pessoas. Todos corroboraram as suas conclusões e um estudo acabou publicado em 2021 na Universidade de Oxford. O caso ganhou ainda mais dimensão e 150 cientistas, entre os quais três prémios Nobel, escreveram uma carta a pedir um indulto para Kathleen Folbigg, que foi enviada a 3 de março para o governador do Estado de Nova Gales do Sul.

Desde a sua condenação, em 2003, Folbigg tinha sido apenas alvo de um inquérito judicial, que decorreu em 2019, que reforçou que não havia dúvidas de que a australiana era a responsável pela morte dos filhos. O segundo inquérito judicial aconteceu agora, numa altura em que a ciência parece querer ajudar a desvendar o caso e a próxima audiência está marcada para 2023.

Folbigg pode ser libertada em 2028, cinco anos antes do fim da pena.

Relacionados

Mundo

Mais Mundo

Patrocinados