Autoridades estão a investigar todas as provas e os antecedentes do atirador
O FBI está a investigar uma possível ligação ao terrorismo no massacre que ocorreu pouco antes das 02:00 (hora local) de domingo, no distrito de entretenimento de Austin, fazendo pelo menos três mortos, incluindo o suspeito, e 14 feridos.
Três dos hospitalizados estão em estado grave, segundo as autoridades.
"Obviamente, ainda é muito cedo para determinar a motivação exata, mas havia indícios no suspeito e no seu veículo que apontam para uma possível ligação ao terrorismo", exoplicou Alex Doran, agente especial interino responsável pela Divisão do FBI em San Antonio, numa conferência de imprensa na manhã deste domingo.
O suspeito é originário do Senegal, de acordo com um agente da autoridade familiarizado com a investigação. O homem parece ter chegado aos Estados Unidos no início dos anos 2000 e ter-se estabelecido inicialmente em Nova Iorque, disse o agente à CNN. Não é claro quando é que o suspeito chegou ao Texas, mas tinha várias moradas no estado, acrescentou o agente.
A CNN contactou o Departamento de Polícia de Austin e o FBI de San Antonio para obter mais informações sobre o suspeito.
Houve pelo menos 56 tiroteios em massa nos EUA este ano - definidos como aqueles em que pelo menos quatro pessoas são baleadas, sem incluir o atirador - de acordo com o Gun Violence Archive.
As autoridades receberam uma chamada sobre um homem que estava a disparar de um SUV de grandes dimensões, em frente ao Buford’s Backyard Beer Garden, no cruzamento das ruas West Sixth e Rio Grande, segundo a chefe da polícia de Austin. O SUV tinha sido visto a circular pelo quarteirão antes do tiroteio, acrescentou Lisa Davis.
“A dada altura, ligou os quatro-piscas, baixou o vidro e começou a usar uma pistola, disparando pelas janelas do carro, atingindo os clientes do bar que estavam no pátio e em frente ao estabelecimento”, contou Davis.
O suspeito dirigiu-se então para oeste pela Sixth Street, estacionou o veículo e saiu a pé com uma espingarda, disse Davis, começando então a disparar sobre as pessoas que passavam.
Como a polícia e as equipas médicas de emergência estão previamente posicionadas no centro da cidade aos fins de semana, as autoridades chegaram ao suspeito em menos de um minuto, disse Davis.
“O nosso suspeito vinha em direção à East Austin ou à East Sixth Street, os polícias estavam a ir na sua direção e, no cruzamento, foi baleado e morto naquele momento”, vincou Davis.
Davis tinha dito anteriormente aos jornalistas que três polícias responderam a uma agressão quando se depararam com o suspeito.
O esquadrão antibombas foi acionado depois de os investigadores terem visto itens dentro do veículo do suspeito que levantaram suspeitas, disse Davis, mas o veículo foi “libertado rapidamente” e foi determinado que não havia explosivos.
“Este é um incidente trágico”, lamentou Davis. “Os nossos parceiros federais estão aqui, assim como outros, e esta será uma cena que levará várias horas a ser processada”.
A Divisão do FBI em San Antonio, que cobre a área de Austin, confirmou que a Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI se juntou à investigação com base nas provas encontradas no local.
Os paramédicos integrados na área do entretenimento, juntamente com o Departamento de Polícia de Austin, atuando aos fins de semana, responderam rapidamente, de acordo com Robert Luckritz, chefe do Serviço Médico de Emergência de Austin-Travis County.
“Mais de 20 equipas de emergência médica foram acionadas para o local. Todos os doentes em estado crítico foram removidos do local em 24 minutos e todos os restantes doentes em 47 minutos”, afirmou Luckritz.
“Os nossos corações estão com as pessoas que foram vítimas disto. E quero reiterar os meus agradecimentos aos nossos agentes de segurança pública e às autoridades que chegaram ao local tão rapidamente”, disse o presidente da Câmara de Austin, Kirk Watson, numa conferência de imprensa. “Definitivamente salvaram vidas.”
O governador do Texas, Greg Abbott, condenou o ataque e disse ter ordenado ao Departamento de Segurança Pública que aumentasse o patrulhamento e o efetivo policial na região da Sexta Rua aos fins de semana.
“Este ato de violência não nos definirá, nem abalará a determinação dos texanos”, afirmou em comunicado.
Amanda Watts e John Miller, da CNN, contribuíram para esta reportagem