Afinal, quanto subiram os combustíveis? (Com tabelas comparativas)

16 mar, 07:00
"Sempre a subir, sempre a subir". Preço dos combustíveis voltou a aumentar

“15 cêntimos”, “25 cêntimos”, “9 cêntimos”, as notícias e antecipações das duas últimas semanas referem valores diferentes, e há razões para isso, que aqui explicamos. Mas também há uma forma exata de compará-los. E ela mostra como o gasóleo tem mesmo subido (muito) mais que a gasolina. Ora veja.

Em apenas dez dias, o gasóleo subiu 30 cêntimos e as gasolinas 20 cêntimos. Somando duas segundas-feiras de fortes aumentos, isso significa mais 18% no preço dos gasóleos e mais cerca de 10% na gasolina. Os dados são oficiais. E referem-se aos preços médios praticados em Portugal continental.


Esta tabela ajuda a medir com rigor quais foram, de facto, os aumentos médios dos combustíveis em Portugal desde que os efeitos da invasão à Ucrânia pela Rússia abalroaram com severidade as bombas de abastecimentos, com duas semanas consecutivas de aumentos bruscos. A palavra-chave aqui é “médios”. Porque são esses os preços divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Isto significa que há muitos postos em que os preços são mais altos e outros em que são mais baixos. A própria DGEG também divulga os preços por posto, mas descobri-los já exige análise mais fina.

Por exemplo, esta segunda feira, 14 de março, no distrito de Lisboa, o gasóleo simples mais caro era vendido na BP de Xabregas, por €2,149 (mais 17 cêntimos do que a média nacional), enquanto o mais barato podia ser comprado a 27 quilómetros dali, perto de Bucelas, na Alves Bandeira da EN 116, por €1,794 (menos 18,5 cêntimos do que a média nacional). O exemplo mostra que há diferenças de preço de 35,5 cêntimos, neste distrito, para comprar um litro de gasóleo simples.

Estão assim feitas as ressalvas a estes números: há grandes variações de preços praticados por gasolineiras e por postos de abastecimento, razão pela qual é frequente encontrar notícias com valores díspares; e há variações nos preços todos os dias, não apenas às segundas-feiras, como muitas vezes se diz.

 

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Ressalvando as variações muito elevadas que se verificam no território, olhemos de novo para os preços médios praticados em Portugal continental. Para observarmos não apenas os aumentos dos últimos dez dias (ver acima), mas também os aumentos neste ano de 2022 e face há um ano.

Gasóleo aumenta mais do que as gasolinas

Nas três comparações feitas pela CNN Portugal, os gasóleos aumentaram sempre mais do que as gasolinas – quer nos últimos dez dias, quer este ano, quer face há 12 meses. Aliás, já houve previsões de que o gasóleo poderia ficar mais caro que a gasolina, o que seria inédito – mas ainda não se verificou.

A explicação é dada também pela invasão da Ucrânia pela Rússia, e subsequentes sanções impostas ao país presidido por Vladimir Putin. É que a Rússia é não apenas um grande produtor de petróleo mundial, mas também um grande vendedor de gasóleo. E é isso que as gasolineiras compram, produtos já refinados. Com as sanções, a Rússia está a exportar menos produtos petrolíferos, o que reduz a oferta mundial de petróleo e, em particular, de gasóleo. E o preço sobe.

Desde o início do ano, o gasóleo simples já aumentou 48 cêntimos (mais 32%); a gasolina 95 está mais cara 37 cêntimos (mais 22%); e a gasolina 98 subiu 35 cêntimo (mais 19%). Mais uma vez, referimo-nos aos preços médios praticados em Portugal continental:


Os dados mostram que são os combustíveis mais baratos que estão a subir mais, ao contrário dos mais caros, que sobem menos. Em todos os casos, contudo, estão em causa aumentos muito significativos (e muito acima da inflação) em pouco mais de dois meses, o que tem impacto direto súbito nos bolsos dos automobilistas. E, por arrasto, nos preços dos transportes.

Preços médios sobem até 46% num ano

Prepare-se para ter saudades de preços que já achou caros. É o que poderá sentir ao ver a próxima tabela, que compara os preços médios praticados em Portugal continental esta segunda-feira, 14 de março, com os que eram cobrados no mesmo dia de há um ano, em 2021. São agora mais 62 cêntimos no custo do gasóleo simples e mais 48 cêntimos no preço da gasolina 95.

Isto significa que, por cada cem quilómetros que conduz, está agora a gastar mais 46% do que há um ano se o seu carro é a gasóleo e mais 31% se é a gasolina.

Por exemplo, um automobilista que conduza num ano 15 mil quilómetros num automóvel que gaste seis litros de combustível aos cem, irá a estes preços gastar mais 560 euros em gasóleo ou mais 530 euros em gasolina este ano (se a diferença de preços se mantiver).

Falta adivinhar o futuro. No dia em que este texto está a ser escrito, a cotação internacional do petróleo está até mais baixa do que estava uma semana antes, o que admite a possibilidade de descida dos preços. Mas só o decorrer da guerra na Ucrânia, e todas as consequências colaterais, irão ditar a tendência.

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