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Ainda é do tempo em que uma dúzia de ovos custava menos de 2 euros? Não passaram assim tantos anos

23 mai, 15:00
Taxa de inflação na zona euro sobre para 7% em abril. (Yonhap/ LusaH)

Leite magro - 1,08€/lt marca branca

Leite gordo - 1,19€/lt

Dúzia de ovos - 3,29€ marca branca

Embalagem 450 gramas pão de rio maior - 119€ 

Bola de lenha 0,49€

Bifes de frango embalagem 680 gramas - 4,75€

Bife da Vazia de Novilho embalagem 270 gramas - 5,40€

Salsichas frescas de porco 500 gramas - 2,99€

Filetes de pescada congelada 1kg - 6,99€

Dourada Grande Fresca - 9,99 kg

Queijo flamengo fatiado 800 gramas - 8,79€

Manteiga embalagem 250 gramas - 2,49€

Cápsulas de café expresso marca branca 16 unidades - 3,85€

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Apesar de a inflação já não estar a subir ao ritmo de 2022 ou 2023, os preços não pararam de aumentar e o custo de vida continua muito acima do que era antes. A CNN Portugal fez as contas

Basta recuar até janeiro de 2022 para encontrar preços que hoje parecem pertencer a outra era. Na altura, a inflação ainda não dominava manchetes, a guerra na Ucrânia não tinha começado e os custos da energia estavam longe de máximos históricos. Desde então, os preços dispararam. E depois disso, mesmo quando os números mostravam que a inflação estava a abrandar, como aconteceu em 2025, a realidade continuava a pesar no bolso dos portugueses. Na verdade, os preços nunca chegaram a descer. Durante algum tempo até cresceram menos, mas, agora, já voltaram a acelerar.

É essa a diferença que muitos consumidores sentem quando chegam à caixa do supermercado. Porque a inflação mede a velocidade a que aumentam os preços, não o preço em si. Se a inflação abranda, isso não significa que os produtos voltaram aos valores anteriores. Significa apenas que continuam a ficar mais caros, embora a um ritmo de subida menos acelerado.

A CNN Portugal analisou os dados do Índice de Preços no Consumidor do Instituto Nacional de Estatística (INE) desde janeiro de 2022 e fez as contas para perceber até que ponto o custo de vida mudou em pouco mais de quatro anos.

Os ovos lideram destacadamente a lista dos produtos que mais encareceram. O preço aumentou mais de 75% desde janeiro de 2022. Fazendo as contas, uma dúzia de ovos que custava cerca de 1,9 euros há cerca de quatro, hoje custa 3,3 euros. Em apenas quatro anos, o preço subiu mais de um euro por embalagem. 

Logo depois surge o leite. O leite magro aumentou 54% desde 2022, o que significa que um litro que hoje custa 1,08 euros valeria cerca de 70 cêntimos em janeiro de 2022. Já o leite gordo, atualmente a 1,19 euros por litro, acumula uma subida de 48,4%, custando perto de 80 cêntimos antes da escalada da inflação.

A carne também registou uma forte subida, com um aumento acumulado de 44,1% desde janeiro de 2022. Por exemplo, uma embalagem de bifes de frango com 680 gramas custa hoje 4,75 euros, quando há quatro anos rondaria os 3,30 euros. Já o bife da vazia de novilho, atualmente nos 5,40 euros por 270 gramas, teria um preço substancialmente inferior há poucos anos: 3,75€. 

Até produtos associados a refeições mais económicas deixaram de o ser tanto. Uma embalagem de 500 gramas de salsichas frescas de porco custa hoje 2,99 euros - um valor que estaria mais próximo dos dois euros em janeiro de 2022.

A manteiga e outras gorduras provenientes do leite surgem a seguir, com uma subida de 37,2%. Uma embalagem de 250 gramas, que hoje custa 2,49 euros, teria custado cerca de 1,81 euros há pouco mais de quatro anos.

Para o economista João Rodrigues dos Santos, os números ajudam a explicar porque tantas famílias sentem que o salário chega cada vez menos ao fim do mês. A subida que os dados mostram é "uma variação incomportável" e "muito desajustada do orçamento das famílias portuguesas". "Tem, necessariamente, de haver cortes no consumo de bens essenciais", defende, em declarações à CNN Portugal.

Os cereais também tiveram um aumento significativo de 34,3%. Uma embalagem de 750 gramas de cereais de marca branca hoje custa 2,75€ valeria perto de dois euros em janeiro de 2022.

O peixe registou uma subida de 31,1%. Atualmente, um quilo de filetes de pescada congelada custa 6,99 euros, quando há quatro anos rondaria os 5,33 euros. A dourada fresca aproxima-se hoje dos 10 euros por quilo, um preço que estaria perto dos 7,60 euros antes da crise inflacionista.

Já o pão e produtos de padaria aumentaram 30,5%. Hoje, uma embalagem de pão de Rio Maior com 450 gramas custa 1,19 euros, quando anteriormente custaria cerca de 91 cêntimos. Já uma bola de lenha passou de pouco mais de 37 cêntimos para os atuais 49 cêntimos.

Os laticínios também acompanharam esta tendência. O queijo aumentou 29,8% desde 2022. Uma embalagem de queijo flamengo fatiado de 800 gramas, atualmente vendida a 8,79 euros, custaria aproximadamente 6,77 euros em janeiro de 2022.

Por fim, o café e os sucedâneos registaram o aumento mais moderado da lista que a CNN Portugal analisou, ainda assim significativo: 24,8%. Uma embalagem de 16 cápsulas de café expresso de marca branca, atualmente a 3,85 euros, custaria pouco mais de três euros antes da escalada da inflação.

Fora da alimentação, a tendência mantém-se. O vestuário aumentou 19,1%, enquanto o tabaco subiu 17,7%. Uma embalagem de LM azul, por exemplo, custa hoje 5.70€, o que significa que há quatro anos custaria cerca de 4,84 euros.

O calçado é uma das raras exceções: é o único produto desta lista que apresenta uma ligeira descida acumulada desde janeiro de 2022, de 1,1%.

 

NOTA: A CNN Portugal analisou o aumento do índice de preços em cada classe alimentar entre janeiro de 2022 e abril de 2026 e aplicou esse aumento dos preços a vários de produtos de marca branca vendidos no website do Continente à data de 18 de maio.

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